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A crise de identidade dos restaurantes

18 de janeiro de 2017

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A economia colaborativa mudou o comportamento do consumidor em vários aspéctos, inclusive na gastronomia

Restaurantes vivem uma crise, uma crise de identidade. A combinação de alguns fatores levam a isso.  A crise das economias vem mudando o hábito das pessoas. E não falo apenas de crise no sentido da falta de poder de compra, como essa que vivemos atualmente no Brasil. O que está em crise são os modelos tradicionais da economia. O mundo descobriu que pode gastar menos e ter experiências muito interessantes compartilhando! Sim! Compartilhando!

Dividir o carro pra ir ao trabalho ou alugar um quarto da casa de alguém ao invés de um hotel para se hospedar. Por isso ninguém mais freia o Über ou o Airbnb, aplicativos que trazem a cultura do compartilhamento. Talvez você não tenha parado pra pensar, mas aquele churrasquinho que você faz em casa com amigos ou familiares concorre com o meu restaurante. Cada um leva alguma coisa: um vai com a farofa, outro com a cerveja, outro leva a maionese. Ou, se ninguém levar comida, cada um ajuda no racha da conta ou, ainda, fica na fila como próximo anfitrião.

Talvez você não tenha parado pra pensar, mas aquele churrasquinho que você faz em casa com amigos ou familiares concorre com o meu restaurante.

Isso nada mais é que economia compartilhada na gastronomia. Sai mais em conta e a experiência, invariavelmente, é muito mais intimista. Acontece que o mundo mudou e, diferente de cinco anos atrás, quando as pessoas tinham no máximo uma churrasqueira em casa, agora seus lares possuem algo tão essencial quanto o banheiro: o famoso Espaço Gourmet. Então, se você fazia churrasco uma vez por mês pra não enjoar, agora pode variar o cardápio.

A explosão de livros e programas de gastronomia, fenômeno também recente, transformou todos em cozinheiros. Junto a isso veio a invasão dos utensílios, em formatos cada vez mais sedutores, que quando não são usados pra cozinhar servem muito bem como peças de decoração. É… o mundo mudou! A alta gastronomia está em queda. Restaurantes bacanas já não usam mais talheres de prata, taças de cristal, ou guardanapos de pano. Restaurantes bacanas não importam mais produtos nem pagam aluguéis absurdos.

A economia mudou, o cliente mudou, o mundo mudou. Tenho que ter consciência disso e, como empresário e dono de restaurante, tenho que me reinventar.

Tudo isso está fora de moda, virou careta. As pessoas querem compartilhar as ruas, a informalidade, o orgânico. Orgânico não apenas na comida, mas no jeito de ser. Restaurante de essência orgânica. Aquele que nasce sem projeto, sem plano de negócio, que acontece sem querer. Aquele que cresce mais pela vontade do cliente do que pela vontade do dono. E aqui entra um novo concorrente dos restaurantes tradicionais: os foodtrucks, que, aliás, nada mais são do que a releitura de um antigo conhecido: as feirinhas de rua. Quem é que não gosta de uma feirinha? Como não se encantar com um foodtruck? Ao ver seu velho amigo cliente trocá-lo por um hambúrguer de caminhão, alguns donos de restaurante torcem o nariz para foodtrucks. Estão repetindo o mesmo que taxistas fazem em relação ao Uber. Mas não adianta mais espernear. A economia mudou, o cliente mudou, o mundo mudou. Tenho que ter consciência disso e, como empresário e dono de restaurante, tenho que me reinventar. Não é fantástico isso? O desafio e o prazer de reinventar-me!

*Ponto importante a esclarecer: sou a favor da economia colaborativa, do advento do Über e foodtrucks. Mas, claro, defendo que, perante a legislação, sejam enquadrados de igual pra igual. Sugiro, então, que as leis acompanhem a modernização da sociedade e simplifiquem a vida dos restaurantes e taxistas, para que no fim todos saiam ganhando, especialmente o consumidor.

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COMENTÁRIOS
  • Beto acredito que seja o crescente deste gráfico, se comparamos com outros setores bem rápido carros.... quem não se apaixona por um lançamento? mas a maioria dos carros que sonhamos não são lançamentos, é aquele Maverick que tanto quis na adolescência ... e por ai vai. Cozinha clássica (se D´us quiser) sempre sera base para muitos truckeiros ... e restaurantes hoje que trabalham com esta cozinha pode ter uma oscilação de clientes. Queda? ... radical. As coisas mudarão sim e como vc disse ainda bem! Veja não é uma situaçãodo tipo: fita cassete x dvd (aí ... deu ruim rsrsrsr), tá mais para hotel x camping - não digo que seja passageiro mas ta no período da "engorda" ;)
    Ótimo texto como sempre amigo. abs