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A desunião das três esferas

25 de janeiro de 2017

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Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal conseguem unir suas forças?

Associações são formadas para lutar pelos interesses daqueles que representam. Associações de restaurantes, por exemplo, prestam assessoria jurídica, trabalhista e contábil aos seus associados. Promovem treinamentos profissionalizantes e desenvolvem fornecedores. Vou chamar isso de “assuntos administrativos / operacionais”. Por outro lado, as associações se formam para negociar com o poder público. Quem é que vai ouvir, na Prefeitura ou no Governo Estadual, um dono de restaurante, isoladamente, pedindo pra baixar impostos ou pra ter mais segurança no bairro onde fica seu estabelecimento? Ninguém, é claro! Agora, uma associação eles ouvem. Ou pelo menos fingem que ouvem…

Os empresários são muito mais organizados que os governos, tanto é que conseguem alinhar interesses de diversas associações em uma única pauta. Os governos não têm a mesma competência. Pelo menos não é o que vemos por aqui. As três esferas – municipal, estadual e federal – não conseguem atender, em conjunto, aos anseios da nossa categoria. Uma por incompetência, outra, muito mais assustadora, por divergências puramente políticas. Eu sou prova viva disso. Vou contar um pouco da minha experiência pra você…

As três esferas – municipal, estadual e federal – não conseguem atender, em conjunto, aos anseios da nossa categoria.

Em 2004 fui presidente da ACISF, Associação do Comércio e indústria de Santa Felicidade, que tem a missão de promover e desenvolver o comércio da região. Unidos com a CARSF, outra associação do mesmo bairro, nós lutávamos incansavelmente pela revitalização da Avenida Manoel Ribas, em seu trecho turístico, onde se concentra a maioria dos restaurantes. Depois de muita insistência, conseguimos um projeto elaborado pelo IPPUC, com orçamento de 2,4 milhões de reais, pelo qual 40% da obra seria de responsabilidade do Município e 60% do Governo do Estado. Eram previstos o realinhamento do paralelepípedo, substituição dos velhos postes por outros de fiação subterrânea, reforma das calçadas e nova iluminação para pedestres. De um lado, o Governo do PMDB; do outro, a Prefeitura do PFl. Daqui pra frente você já imagina o desenrolar da história… Por pura “divergência política”, o Governo do Estado não quis participar com a parte que lhe cabia e o coração de Santa Felicidade, um dos principais atrativos turísticos de Curitiba e do Paraná, constantemente usado por candidatos em seus discursos de campanha, fiou com apenas 40% da obra que, quando entregue, já estava obsoleta.

Santa Felicidade tinha empresários organizados, dispostos a fazer do bairro um destino cada vez mais procurado. Não era só a rua. Falávamos de regulamentação arquitetônica de fachadas, mais segurança para clientes passearem à noite pelas lojas de artesanato, normatização do uso de recuo etc. Nunca fomos efetivamente atendidos. A Santa Felicidade romântica de antigamente desmoronou. Quem circula na Manoel Ribas de hoje, na região dos restaurantes, percebe que o pouco que sobrou da imigração italiana é ofuscado por farmácias populares, casas china, bancos etc. Isso é retrato do descaso e da desunião dos poderes públicos. Nunca houve políticas de desenvolvimento para o turismo deste bairro. Tudo o que um dia tivemos foi feito por empresários inclusive o nosso Portal de entrada. Muitos empresários fecharam seus negócios; outros migraram seus investimentos para pontos mais prósperos da cidade e enterraram suas histórias por falta de apoio. Um passado que não volta mais. Uma lástima!

Voltemos ao presente

O turismo de Curitiba e do Paraná, como um todo, amarga a mesma situação. Considerado “perfumaria” para os poderes públicos, o turismo é ignorado e não recebe investimentos – mesmo sendo fonte de recursos para setores como saúde e segurança. Nosso Estado sequer conta com uma Secretaria de Turismo. Tudo bem, a gente entende. Pra que uma secretaria produzindo despesas se não tem autonomia ou orçamento suficiente para fazer mudanças? Acontece que nossa cidade e nosso Estado têm ficado anos-luz atrás de outros que sabem reconhecer a importância do setor. Somos esmagados por destinos onde governos e municípios participam ativamente do desenvolvimento turístico.

Quero falar de uma, apenas uma de nossas urgências: um centro de convenções de respeito para a cidade de Curitiba. Um centro de convenções capaz de atrair o turismo de negócios de todas as partes do Brasil e, através dele, promover também o turismo de lazer, apresentando nossos parques, praças, feiras, museus e gastronomia enquanto o turista estiver por aqui.

Unidas, as associações Abrasel (Associação Brasileira dos Restaurantes), ABIH (Associação Brasileira da indústria de Hotéis), Convention & Visitors Bureau, Sindicato de Hotéis e Restaurantes do Paraná e ACISF estão alinhadas nessa pauta.

Será que Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal conseguem unir suas forças assim como nós? Ou continuaremos sofrendo com a vaidade das divergências partidárias? Estamos há mais de 10 anos batendo nessa mesma tecla, num entra e sai de governos e prefeituras, com centenas de promessas e reuniões. Governos precisam substituir o gerúndio do “estamos planejando” pelo particípio do “está realizado”. Esperamos, em breve, ver governador e prefeito juntos, unidos, trabalhando o turismo paranaense como prioridade de seus governos.

Essa eu não quero esperar sentado; quero esperar em pé!

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