ENTRAR Bem-vindo! Faça login para ter
uma experiência completa.

A onda dos food trucks

28 de abril de 2016

(0)
Os food trucks estão prestes a ganhar uma lei que regulamenta sua atividade em Curitiba

Existem muitos food trucks em operação na cidade, um deles, o bem conhecido Madero Burger Truck e os carrinhos das feirinhas gastronômicas. Contudo, a atividade é restrita às feirinhas e a festas privadas. Há também os inúmeros vendedores de cachorro-quente, que funcionam noite adentro em várias de nossas esquinas. O resto são ambulantes que operam na ilegalidade, correndo o risco de levar multas e ter o equipamento confiscado.

O que a nova legislação visa é a liberação do espaço público para o comércio de alimentos. Só que não há lei sem controvérsias. Por um lado estão os grandes chefs e empresários, que veem nos food trucks uma oportunidade de diversificar o negócio e ganhar mercado. Do outro, estão os pequenos ambulantes, que dependem dos carrinhos para sobreviver e terão que se ajustar à nova papelada. Há também restrições, que impedem a total mobilidade dos trucks. isso sem falar em quem irá fiscalizar, onde poderão operar etc.

Ao contrário do que se imagina, o food truck não terá autorização para simplesmente estacionar onde bem entender e começar a servir croques -monsieurs. Eles deverão escolher um ponto fixo liberado pela prefeitura. As medidas do carrinho não poderão ser maiores do que 6,30m e, caso opere na calçada, deverá deixar um espaço mínimo de 1,20m para a circulação de pedestres.

O empresário Junior Durski, aqui de Curitiba, apoia a aprovação da lei. Seus Burger Trucks, que fazem sucesso em feiras gastronômicas, eventos particulares e em cidades do interior do Paraná, logo poderão multiplicar-se (assim como seus restaurantes). Segundo ele, os trucks divulgam a marca, pois circulam mais e são lucrativos, já que não há o custo do aluguel. Para a cidade, poderiam operar em praças que não têm tanto movimento, ajudando inclusive o entorno. Além disso, gerariam mais empregos e impostos.

Em Nova York, os carrinhos podem operar durante apenas três horas em um mesmo local. Em Los Angeles, devem estar perto de banheiros públicos. Não dá para estacionar na frente de um restaurante e abrir concorrência. Nem perto de uma escola. Por isso existe toda a burocracia. Em São Paulo, é cedida uma única autorização por CPF ou CNPJ, para incentivar o microempreendedor. Aqui em Curitiba, a lei prevê que o dono da licença seja o mesmo a operar o negócio.

Burocracia existe também para garantir a qualidade dos alimentos para o consumidor. Os carrinhos devem ser feitos de material idêntico aos de uma cozinha profissional. Os trabalhadores devem ser treinados em segurança alimentar e a venda de álcool é proibida. Apesar do investimento em um food truck ser menor do que o de um restaurante, o caminho de sucesso é tão árduo quanto.

O que incentiva os empreendedores é a imensa fome por comida de rua, com a promessa de comer bem e barato. Cerca de 65% da população brasileira come fora de casa, sendo a grande parte da classe C. O ideal é que a legislação amplie a oferta de alimentos saudáveis e nutritivos a preços acessíveis. Há também o enorme interesse da população para as novidades que chefs famosos têm apresentado em seus food trucks, muitas vezes montados na frente do próprio restaurante.

Por outro lado, o que desanima é a papelada. Adam Davidson, jornalista do New York Times, afirma que é impossível vender comida de rua em Nova York sem quebrar alguma lei, pois, além de serem muitas, são, muitas vezes, contraditórias. As horas de trabalho para quem quer ganhar dinheiro com o negócio também são muitas. E, com um único food truck, fica difícil ganhar em economia de escala.

Mas não sejamos pessimistas. Esperamos que com o apoio da população e com uma regulamentação lógica e clara, os food trucks possam invadir Curitiba e nos apresentar guloseimas durante todo o dia. Através das redes sociais, poderemos ver qual está mais perto e o que está saindo do forno. Sabemos que, quando se trata de comida de rua, o curitibano já está bem escolado. Falta ver se os food trucks conquistarão a cidade tanto quanto as feirinhas gastronômicas e eventos como o Gastronomix.

foto 1

Dicas para quem está pensando em ter um Food Truck

  • Informe-se muito bem sobre todos os pontos da legislação (assim que aprovada). Algumas cidades contam com associação dos food trucks, para ajudar a categoria a navegar pela burocracia e a garantir direitos e deveres.
  • Faça um plano de negócios bem pensado (dica para qualquer novo empreendimento).
  • Monte um cardápio conciso. Concentre-se em um tipo de comida.
  • É um negócio e não um hobby, mas é preciso ter paixão por cozinha e atendimento ao público.
  • É um negócio e não um hobby, mas é preciso ter paixão por cozinha e atendimento ao público.
  • Se prepare para trabalhar muito. Esqueça de férias, 13º e outros benefícios que seu trabalho no escritório oferece.
  • Visite Portland, nos EUA, considerada a capital mundial dos food trucks, para ter ideias e conversar com quem já está no negócio há anos.
  • Faça um curso de mecânica, afinal, sua cozinha terá também um motor.

Casos de Sucesso

São Paulo

Um dos food trucks mais badalados de São Paulo chama-se Buzina Food Truck. O carro, da marca Mercedes-Benz, tem certificação da Anvisa e ganhou cozinha profissional, com equipamentos de alta gastronomia. No cardápio, ingredientes orgânicos e livres de agrotóxicos. O destaque é o hambúrguer de foie gras curado e flor de sal. A dupla de chefs estaciona em lugares privados e monta um minirrestaurante, com mesinhas, música e wi-fi gratuito.

Para saber onde vão parar, siga-os no fbcom/buzinafoodtruck.

Nova York

O Milk Truck Grilled Cheese, que antes operava apenas no Brooklyn Bridge Park, agora transita por vários bairros da cidade servindo sanduíches de queijo grelhado e milk-shakes. Os ingredientes vêm de agricultores e fazendeiros do estado de Nova York e o pão é do famoso restaurante Balthazar. O all-day breakfast sandwich é feito com queijo gruyère e ovos orgânicos. Dá para pedir por telefone e buscar quando fica pronto. Publicam diariamente sua localização no fbcom/milktrucknyc.

Portland

Os food carts fazem tão parte da cena gastronômica da cidade que foi lançado um aplicativo de smartphone para localizar todos que operam diariamente na cidade. São mais de 500, oferecendo desde o onipresente hot dog a pratos do Camboja, Peru, Japão, Espanha etc.

Mais infos no www.foodcartsportland.com/maps

Porto Alegre

Sem contar com uma lei específica de comida de rua, a capital gaúcha já tem vários fãs do trailer Olivia e Palito. O casal que opera o negócio conquistou os gaúchos com três opções de sanduíches gourmet (uma delas vegana) e uma sobremesa. O Sr. Gonzales, por exemplo, é com linguiça campeira, feijão refrito, abacate, coentro e vinagrete. Aos domingos operam na Praça da Alfândega e nos outros dias você encontra-os através do fbcom/oliviaepalito.

COMPARTILHE ESTA MATÉRIA
AVALIAÇÕES
(0)
  • Excelente
    0
  • Muito bom
    0
  • Normal
    0
  • Ruim
    0
  • Horrível
    0
DÊ SUA NOTA: