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A polêmica das calçadas do Batel

16 de abril de 2016

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O bairro merece investimentos em sua estrutura. Porque é um polo turístico, gerador de renda, e está dentro de uma cidade que se diz moderna ch

Como assim protestos contra as calçadas do Batel? Acho essa gente engraçada. O cara vai para o exterior, senta num bar que tem mesinhas na calçada, olha em volta e diz: “Bem que Curitiba poderia ser assim”. Quando volta pra casa, senta num bar com os amigos e continua com o discurso: “Galera, eu fui pra Europa e vocês não fazem ideia dos parques, das ruas, das calçadas, dos museus que eu vi. Nossa cidade é uma vergonha mesmo”, como se fizesse um protesto silencioso contra os atrasos da nossa cidade.

Funcionários da prefeitura também viajam. Também vão para o exterior buscar referências de destinos turísticos para aplicar na nossa cidade. Além disso, a prefeitura sabe que existem sonhadores como esse citado acima, que cobram mudanças para melhor. Pessoas que cobram melhores parques, ciclovias decentes, teatros modernos e melhores calçadas. Então a prefeitura resolve agir e propõe um projeto audacioso para chegar pelo menos perto das grandes referências mundiais. E foi assim, com a intenção de melhorar um dos maiores polos turísticos e gastronômicos da cidade, acompanhando o capricho e os investimentos dos empresários locais, que a prefeitura decidiu fazer calçadas de granito em um pequeno trecho da Avenida Batel. Perfeito! Bravo! Pavimentação melhor, iluminação melhor, paisagismo melhor, bancos melhores etc. Finalmente, depois de tanta espera, temos um projeto relevante com nível satisfatório. Algo que nos aproxima de destinos como Buenos Aires, San Francisco, Barcelona, Santiago e as sim por diante. Cidades que também têm pobreza e criminalidade, mas que não ignoram seus potenciais, pois entendem que isso atrai visitantes e gera renda.

Cidades que também têm pobreza e criminalidade, mas que não ignoram seus potenciais, pois entendem que isso atrai visitantes e gera renda.

Mas alguns desses caras que se ajoelham na calçada contemplando a Torre Eiffel quando estão no exterior têm dois pesos e duas medidas. Mesmo reclamando que a grama do vizinho é mais verde, o cara resolve se manifestar CONTRA a reforma da Avenida Batel, das suas calçadas de granito e seus novos bancos de madeira. Pergunto: seria necessário um museu como o Museu Oscar Niemeyer para colocar obras de arte, sendo que um simples barracão de madeira abrigaria as mesmas obras? Seriam necessários canteiros com flores entre as ruas, sendo que isso custa dinheiro público? Seriam necessárias praças com fontes d’água? Não! Na cabeça desse povo, não. Para eles é tudo gasto. Não conseguem ver isso como investimento e desenvolvimento. Mas por que não as calçadas lá do Sítio Cercado? Porque o Batel é destino turístico e o Sítio Cercado não é. E, mais do que isso: deixar de investir em uma calçada do Batel não vai fazer com que o Sítio Cercado tenha mais calçadas, bancos ou postes. São coisas diferentes, necessidades diferentes. “E por que não investir na saúde?”, algum gênio vai perguntar. Primeiro porque o dinheiro da rua não é o mesmo dinheiro da saúde. Depois, temos que entender o seguinte: de onde vem o dinheiro da saúde? Ele cai do céu? Não, ele não cai do céu e os políticos decidem se vão fazer uma praça ou se vão contratar médicos. Ele vem de atividades que geram renda. Indústria, comércio e turismo são geradores de renda. O dinheiro dos impostos arrecadados por essas atividades é que será destinado à saúde, segurança, mobilidade urbana etc. um depende do outro. Se quisermos lutar por segurança e saúde, temos que, antes de tudo, lutar por investimentos em áreas que geram renda. Eu não moro no Batel, não trabalho no Batel e ainda posso dizer que raramente frequento o Batel. Mas falo como cidadão desta cidade, que também clama por melhorias na saúde, na segurança, na educação, e não é por isso que vou deixar de querer uma cidade bonita, moderna e evoluída. O bairro do Batel merece grandes investimentos em sua estrutura. Porque é um polo turístico, gerador de renda, e está dentro de uma cidade que se diz moderna chamada Curitiba.

Então, que tal sentar à mesa, abrir o cardápio, escolher um vinho e comemorar o progresso?

Texto publicado na Revista Tutano em julho de 2013.
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