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Baixo São Francisco, ame-o ou deixe-o

10 de maio de 2016

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Saiba mais sobre o bairro que de santo só tem o nome

Bairro com vocação boêmio-turístico-histórico-cultural, o Baixo São Francisco nada mais é do que uma parte do centro velho da cidade. A parte “de baixo” do Largo da Ordem. Uma região que já fez parte da juventude de várias gerações de curitibanos, que já teve seus momentos de queda e ascensão, que vira e mexe é alvo de discussões acaloradas – Quadra Cultural e pré-carnaval, por exemplo.

Mas a discussão maior é sempre em torno da segurança. Durante a produção desta matéria, a maioria dos nossos entrevistados afirmou que houve uma melhora na segurança do bairro nos últimos anos, apesar de, infelizmente, estar longe do ideal. A fotógrafa e produtora cultural Michele Micheletto acredita que a mudança está acontecendo por causa da iniciativa do comércio local, que se uniu, colocou mais câmeras e deixou as ruas mais iluminadas. “Só nos sentimos seguras quando os bares estão abertos. Depois que fecham, não é legal andar por aqui”, completa a ilustradora e designer Cyla Costa, que trabalha ali pertinho, na Rua Portugal. Ou seja, como acontece em grande parte das regiões da cidade, são os empresários que acabam garantido a (pouca) segurança em torno dos seus negócios.

Muita gente reclama – e com razão – do descaso dos órgãos competentes e da falta de investimento público na região. Por sorte, há quem prefira arregaçar as mangas e trabalhar para ajudar a vizinhança a prosperar. É o caso de Arlindo Ventura, o Magrão, talvez a figura mais conhecida por ali. O cara é um agitador: criou a Quadra Cultural e fez parte do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança). Já foi até manchete na imprensa nacional por doar uma Brasília para a família paulistana que teve seu Fusca queimado em um protesto. Ele é dono do O Torto, uma instituição do bairro. O bar, que homenageia Garrincha, lota as calçadas. Segundo o proprietário, a clientela vai “do gari ao executivo”. Governador, ministro, jornalistas, empresários… Muita gente passa por ali, seja para fazer networking ou comer o famoso bolinho de carne, “uma receita de família que eu aprimorei”, conta Arlindo.

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Do bolinho de carne à trufa

O bolinho de carne é um clássico da comida de boteco (o do Bar do Pudim, ali pertinho, também é uma ótima pedida), mas os frequentadores da região têm muito mais opções: a comida mexicana do La Santa, o BBQ do Rock’a Burger, os ovos benedict do Brooklyn, o frango do Chicken House, as batatas rústicas do Fidel. Além de toda essa variedade low cost, quem quiser ainda pode chutar o balde em um dos restaurantes mais sofisticados da cidade, que faz o contraponto.

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Aliás, parando para pensar, a graça do bairro está nessa miscelânia. Nos prédios antigos, jovens artistas transformam apartamentos grandes e antigos em loft e ateliês descolados, dividindo andares com velhinhos tão velhinhos que já estão quase virando patrimônio histórico também. Um fenômeno orgânico que acontece em várias metrópoles do mundo, que leva designers, arquitetos, artistas plásticos, músicos, DJs, estilistas, escritores e criativos de forma geral a habitar bairros onde o aluguel ainda é mais barato e a mobilidade urbana é mais fácil. Onde é possível se retroalimentar. “A escolha do bairro tem muito a ver com lifestyle. Aqui a galera se consome. Um curte o trabalho do outro, é uma reunião de amigos”, afirma o artista visual e muralista Celestino Dimas, que montou seu ateliê em cima do 351, espaço do amigo Thago Yamada, DJ e produtor de festas famosas nas redondezas como a I Love CW Beats e a bimestral Ths is Afrobeat. E já que o assunto é balada, vale lembrar  do Empório São Francisco, onde 9 entre 10 bandas curitibanas já subiram ao palco.

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Mas não é só a vida noturna que faz a fama do Baixo São Francisco. Os cafés e restaurantes completam a rotina do pessoal que mora ou trabalha por lá. Alguns dos preferidos são os vegetarianos Natural da Ordem, o Semente de Girassol (vegano) e o Missê Maria, na 13 de Maio. E tem o Brooklyn também, com um cardápio completo do café da manhã ao jantar.

Para fechar o nosso tour gastronômico, que tal uma parada na centenária Padaria América? Em 1914* ela instalou-se ali mesmo, no cruzamento da Paula Gomes com a Trajano Reis, onde começamos esta matéria. Visionários mesmo eram estes caras da família Engelhard, que não só foram alguns dos primeiros a vender comida na região como abriram a primeira cervejaria a vapor da cidade (as cervejas artesanais, inclusive, estão em todos os cantos por ali também: do boteco mais furreba ao restaurante mais bacana). Vida longa ao bairro!

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* 24 anos depois, a Padaria América subiu uma quadra e se instalou na Carlos Cavalcanti com a Trajano Reis, onde permanece até hoje.

Os personagens

A galera que nos ajudou a fazer esta matéria

Cyla Costa

Designer e ilustradora
Melhor dia: dia de festa na rua!
Lugar preferido: O Torto e Brooklyn
Melhor prato: hambúrguer do Rock’a Burger
Trilha sonora do bairro: Arcade Fire

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Celestino Dimas

Artista visual e muralista
Melhor dia: gosto dos sábados, quando tem a maior diversidade de público nas ruas
Lugar preferido: 351
Melhor bebida: Hazedrink, servida na festa Hazedub do 351
Trilha sonora do bairro: Afrobeat

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Thiago Yamada

DJ e produtor musical
Melhor dia: sexta
Lugar preferido: 351
Melhor bebida: Jack Cola, do 351
Trilha sonora do bairro: Tropkillaz – Hideho

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Michelle Micheletto

Produtora cultural e fotógrafa
Melhor dia: de terça a quinta
Lugar preferido: Sorveteria do Gaúcho
Melhor prato: eggs benedict, do Brooklyn Coffe Shop
Melhor bebida: suco de frutas vermelhas do Natural da Ordem
Trilha sonora do bairro: Yeah Yeah Yeahs, Cheated Hearts

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Christopher Kelly

Sócio do Lolitas
Melhor dia: de terça a sábado enquanto o salão está aberto
Lugar preferido: Villa Bambu
Melhor prato: Burritos do La Santa
Melhor bebida: White Russian, do Brooklyn
Trilha sonora do bairro: Gal Costa (Tureg), War (Why can´t we be friends) e Jorge Ben Jor (Fio maravilha)

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Gabi Garcez Duarte

Estilista e proprietária da Album Design Hits (a loja atualmente está em novo endereço: Brigadeiro Franco
Melhor dia: pra quem quer encontrar gente legal quando o dia ainda está claro é domingo. Já à noite é quinta ou sexta
Lugar preferido: gosto de ficar aqui na frente da loja curtindo um som na calçada ou no ateliê Garage, adoro almoçar no Missê Mariá. Pra tomar uma cervejinha, gosto do O Torto e do Old’s
Melhor prato: PF com panqueca de champignon do Missê Mariá acompanhado de suco de laranja, deu até fome agora
Melhor bebida: caipira do Outro Bar, boteco estilo carioca na Jaime Reis
Trilha sonora do bairro: Um Bom Lugar, do mestre Sabotage.

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Acácio Duarte Guedes

Baixista e gerente do Lolitas
Melhor dia: domingo, que é mais tranquilo e também é o meu primeiro dia de folga!
Lugar preferido: Villa Bambu
Melhor prato: BBQ Burger do Rock’a Burger e a pizza do Villa Bambu
Melhor bebida: pinga com mel do Villa Bambu
Trilha sonora do bairro: O Contrário de Nada É Nada – Os Mutantes Cheated Hearts.

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Amanda Longo

Barista
Melhor dia: quinta e sexta quando o movimento está começando, mas a rua ainda não está tão cheia
Lugar preferido: costumo transitar pelos bares. Chicken House, La Santa, Cu de Fora, Rock’a Burger, Lado B… gosto mesmo é de ficar na rua
Melhor bebida: cerveja, às vezes do La Santa, às vezes do frango
Trilha sonora do bairro: garage rock, o estilo de música que combina com o Baixo São Francisco, como a banda curitibana Cavernoso Viñon

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Os preferidos

As escolhas do pessoal que nos ajudou a fazer esta matéria

Brooklyn Coffee Shop
Trajano Reis, 389
Burger R$ 18,00
Cervejas Especiais

351
Trajano Reis,351
Peito de frango frito R$ 15,90
Festas com djs

Rock’a’burger
Trajano Reis, 310
Rock’a Burger R$ 14,00
Esquenta

Chicken House
Paula Gomes, 481
Peito De Frango Frito R$ 15,90
Agito na calçada

La Santa
Paula Gomes, 485
Burritos – R$ 11,00
Mais agito na calçada

 Old’s
Paula Gomes, 481
Old’s Burger – R$ 9,00
Mesa de pebolim

O Torto
Rua Paula Gomes, 354
Bolinho De Carne R$ 3,00
Pai de todos

Villa Bambu
Trajano Reis, 100
Sanduíches – R$ 6,50
Cachaça Artesanal

Fidel
Jaime Reis, 320
Sanduíche Copan R$ 13,00
Para Hacer La Revolución

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