Carla Gualano, por André Bezerra

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Carla. Foto: André Bezerra

O nome é longo como o caminho percorrido pelos imigrantes italianos. Tome nota: Carla Helena Guerra Carvalho Gualano. Ela deixou o curso superior de fisioterapia para fazer curso de aeromoça. Curiosa e inquieta, Carla queria criar asas e conhecer o mundo para torná-lo melhor. Nunca se transformou em aeromoça, mas ganhou asas e vem trabalhando para melhorar o mundo.

Natural de Campo Mourão, mudou-se com os pais para Curitiba ainda criança, aos 5 anos. O pai, Luiz Carlos, levava a menina a passeios que ficariam na memória afetiva dela. Um dos favoritos era pelas vinícolas no Caminho do Vinho, em São José dos Pinhais. Lá a Carla viu, ainda cedo, a produção de vinhos e dos queijos artesanais das colônias vizinhas. Não que fosse totalmente novidade para a menina que frequentava o sítio onde a avó, Nona Tereza, cuidou de 8 irmãos enquanto tratava da casa, cozinhava e produzia queijo artesanal.

Itália

Mas foi na Itália, para onde decidiu se transferir, que o mundo da gastronomia começou a se descortinar para a jovem Carla. “Foi na Itália que descobri o mundo da gastronomia, aprendi sobre o respeito à sazonalidade dos alimentos frescos e compreendi o respeito pela alimentação. Um novo mundo se abriu para mim”, contou.

Começou trabalhando com agriturismo em uma das regiões mais belas do mundo onde, inclusive, se encontram as raríssimas trufas. Em Torino, trabalhou por 2 anos em um café tradicional. Ali passou por todas as etapas entre a cozinha e o salão, lidou com os cafés, aprendeu a montar os famosos panini — que são os sanduíches típicos do país da bota — e aprendeu sobre queijos e salumeria. Também acompanhou a produção e aprendeu a servir os sorvetes. Gostou tanto que passou um tempo em Bolonha para estudar gelateria em um dos templos mundiais do assunto, a escola Carpigiani.

Antonio

Em 2012 conheceu o construtor italiano Antonio Gualano, com quem se mudaria de volta para o Brasil. A família dele é de Puglia, no sul da Itália, onde são produtores de queijo artesanal há quase 50 anos. Já vivendo como casal, acabaram optando por voltarem para Curitiba em 2013. Antonio foi trabalhar com acabamentos finos e a Carla como corretora de imóveis.

Em 2015 viajaram a passeio para a Puglia, para um encontro da família Gualano. Naquela ocasião, um primo do Antonio perguntou por que eles não produziam queijo no Brasil. Foi a deixa para trazerem um produtor de lá, o Angelo, para introduzi-los no ofício da família Gualano. “A primeira preocupação foi selecionar um leite de qualidade”, recordou Carla. Encontraram uma criadora de vacas Jersey, cujo leite é o mais parecido com aquele usado na Itália. O Antonio foi fazer um curso com os Gualano de volta ao país dele e aprendeu os segredos da produção de ótimos queijos artesanais: Caciocavallo, Scamorza, parmesão rústico e ricota italiana. De volta ao Brasil e junto com a Carla, fizeram alguns pilotos usando matéria-prima local em São José dos Pinhais.

Colônia Mergulhão

Atualmente eles direcionam esforços e seus conhecimentos trazidos do outro lado do oceano para mobilizarem os vizinhos e desenvolverem ainda mais o turismo na região do Caminho do Vinho e na Colônia Mergulhão. Com a Lei do Queijo aprovada este ano, um mundo de oportunidades deve se abrir, uma vez que começarão as regulações e autorizações para comercialização do queijo artesanal a partir do leite não pasteurizado.

A Carla se envolveu com o grupo de trabalho criado para fazer a lei tramitar, junto ao governo e órgãos como Emater, IAPAR e Vigilância Sanitária. Perguntada sobre o futuro, ela vislumbra 3 pilares para desenvolver todo o potencial que já existe na região:

  • O trabalho social junto às escolas;
  • O viés social-gastronômico contido nas ações. “Aprendi que a tradição aliada à qualidade fazem os hábitos alimentares mais saudáveis”, explica;
  • Desenvolvimento do potencial turístico local.

Esta leonina apaixonada pelos vinhos das regiões de São José dos Pinhais e de Torino gosta da cor vermelha, do cantor italiano Lucio Batistte, de comer lasanha ao pesto e de preparar canelone de ricota. Ela também está otimista com o momento atual para as famílias de 28 pequenos produtores de queijo cadastrados na Colônia Mergulhão. A Carla se encanta por orquídeas e torce pelos dias quando tudo serão flores na região que ela escolheu para viver, trabalhar e desenvolver.

Quer agendar um passeio e conhecer o Caminho do Vinho?

Agende na Linha Turismo Caminho do Vinho (20 reais). Procure a Rosana, que é a guia, no telefone 41 99193-2708.

Saída da rua Mendes Leitão, lateral da porta principal do Shopping São José, em São José dos Pinhais.

Sábados e feriados saída 13h30, retorno às 18h30, encerrando em um dos 3 cafés coloniais: Casarão, Casa Bela ou Vanille. Valor estimado entre 32 reais e 37 reais.

Domingos saída 11h15, retorno às 16h30. Passa para almoçar num dos 5 restaurantes: Frutos da Terra, Dulce, Bela Vitte, Recanto Inspiração e Vô João. Valor estimado do almoço entre 40 reais e 45 reais.

Dicas:

Procurar 1 hora antes do embarque o ônibus Curitiba – São José no Terminal Guadalupe (4,50 reais). De Uber, saindo do centro, sairá em torno de 35 reais. De táxi, entre 50 e 70 reais. Se for de carro, estacione nas ruas próximas ou nos estacionamentos ao redor. No shopping o período custa 26 reais.

Vá com fome para aproveitar as delícias do nosso turismo rural.

rodape_andreAndré Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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6 COMENTÁRIOS

  1. Faltou o nome do estabelecimento da Carla e o endereço na Colônia Mergulhāo com indicações para localizar e visitar.

    • Olá, Clarijane 🙂 eles estão passando por uma fase de reestruturação, em breve divulgarão o novo lugar 🙂

  2. Que história linda. Sou consumidora dos queijos feitos por eles. Agora respeito ainda mais o trabalho deles por conhecer essa história.

  3. Como tia, tenho acompanhado, apoiado e venho degustando esse crescimento gastronomico maravilhoso e posso afirmar: sao maravilhosos!!! O meu preferido e o cachiocavalo, de sabor forte e marcante, armoniza muito bem com vinho tinto seco; a tábua de frios com ele, fica maravilhoso, combinando com os demais, como nenhum outro! Recomendo que experimentem!

  4. Primeiramente queremos agradecer a Equipe Tutano pelo foco na valorização dos pequenos produtores que fazem a base da nossa cadeia Alimentar! Roça que não planta Cidade que não mangia!&
    Ao Andre Bezerra que teve muita sensibilidade e veracidade nos fatos!
    Esperamos dar nossa pequena contribuição para a Comunidade e para uma dieta saudavel!!

  5. Respondendo a leitora, estamos em fase de reestruturação
    Ano novo, casa nova ! Estaremos divulgando! MUITO OBRIGADA

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