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Cervejas Belgas para os aspirantes a cervejeiros

25 de abril de 2018

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A Bélgica é o lugar das melhores e mais complexas cervejas do mundo

Localizada entre a França, Holanda, Alemanha e o mar do Norte, a Bélgica é um minúsculo país com aproximadamente 10 milhões de habitantes, que fala três línguas e possui as melhores e mais complexas cervejas do mundo. Um lugar abençoado por St. Arnould, onde a cultura cervejeira se manteve firme e viva mesmo durante a era das cervejas industriais.

Os belgas têm uma relação forte com a cerveja. Assim como os franceses têm com o vinho, é motivo de orgulho nacional. A cerveja está presente no bar, em casa, acompanhando refeições, enfim. Existem cervejas para todos os gostos e todas as ocasiões. Diferente dos alemães, a Bélgica não tem uma lei de pureza, o que permitiu que cada cervejaria pudesse criar livremente suas cervejas, trazendo soluções interessantes e adaptadas a necessidade de cada microrregião. Hoje existem mais de 1.500 cervejas produzidas nesse país que é mais ou menos do tamanho do Alagoas.

Cervejas trapistas e de abadia

Entre tantos estilos, podemos dividir por características mais comuns. Para começar, não podemos deixar de falar das clássicas cervejas Trapistas e cervejas de abadia, ícones da escola belga. A principal diferença entre elas é que as cervejas trapistas são produzidas por monges da Ordem Cisterciense da Estrita Observância congregação que tem como conceito de vida Ora et Labora, ou seja, orar e trabalhar para manter uma vida autossuficiente dentro dos monastérios. Para uma vida autossuficiente, obviamente que não pode faltar cerveja. Hoje existem 18 monastérios trapistas, dos quais 11 produzem cerveja.

As cervejas produzidas por outras ordens de monges são consideradas cervejas de abadia. Estas cervejas costumam apresentar perfil aromático frutado, alto teor alcoólico, alta carbonatação devido a refermentação em garrafa e paladar seco. Os principais estilos são: Blonde, com aromas remetendo a frutas amarelas como pêssego e damasco; Dubbel, com aromas remetendo a chocolate e frutas secas como figos e ameixa; a Tripel, que também traz aromas remetendo a frutas amarelas, porém com maior potência alcoólica e maior presença de lúpulos florais; e a Belgian Dark Strong Ale, versão mais potente das trapistas, com alto teor alcoólico e aromas complexos remetendo a tosta, frutas passas e licor.

Cervejas Farmhouse Ale

As Farmhouse Ale, ou Saisons, são um outro estilo de cerveja belga que merece atenção. Representando a parte francesa da bélgica, o nome desta cerveja diz tudo – Saison do francês Estação. Uma cerveja que era feita de acordo com os insumos disponíveis em determinadas estações do ano, normalmente feitas por fazendeiros para matar a sede após o árduo trabalha na lavoura. Esse estilo tem por característica principal uma fermentação seca, deixando a cerveja com corpo leve e muitas vezes um elevado teor alcoólico. Existem muitas versões com adição de frutas e ervas, trazendo um paladar mais frutado e condimentado para a cerveja.

Cervejas Lambics

As Lambics são outro estilo de cerveja que só os Belgas têm. Feitas com um técnica de fermentação espontânea (micro-organismos presentes no ar), com características rústicas e perfil ácido, esse estilo tem crescido cada vez mais e influenciado o mundo cervejeiro, principalmente as escolas mais modernas.

Esse estilo pode ser subdividido em:

Straight Lambic: estilo puro da cerveja, sem blendagem nem adição de adjuntos

Geuze: um blend de uma lambic jovem, com até um ano de maturação, e uma lambic mais velha, com mais de 3 anos de maturação.

Faro: uma lambic com blend de cerveja de baixo teor alcoólico e adição de melaço, caramelo ou candy sugar.  O resultado é uma cerveja adocicada, com uma leve acidez de fundo.

Kriek e Fruit Lambics: as Kriek são lambics com adição de cerejas ácidas, conhecidas como amarena ou ginja. A adição de outras frutas na cerveja,como amoras, cassis, pêssegos é denominada de fruit lambic.

Cervejas Red Flanders

Pra finalizar não podemos deixar de falar das Red Flanders e Oud Bruin, estilo que ganhou muita força nos últimos anos. Representando a parte holandesa da Bélgica, essas cervejas são extremamente complexas, passando por um envelhecimento em barris de carvalho que podem ultrapassar 24 meses. Esse processo traz uma característica avinagrada para cerveja, lembrando muitas vezes vinagre balsâmico, com notas de vinho do porto. Um estilo muito interessante, perfeito para trabalhar com harmonizações.

É possível escrever páginas e páginas sobre essas maravilhosas cervejas, mas por hora fica por aqui. Espero ter instigado a curiosidade para experimentar novas cervejas e se aventurar pela escola Belga.

Esta publicação é uma parceria com a Bodebrown.

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