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Ile de France por Elaine Minhoca

12 de maio de 2016

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Nossa colunista  Minhoca  fala sobre um lugar que quem nunca foi não entende como pode existir há tanto tempo, e quem já foi sempre tem vontade de voltar!

Em 1953 era inaugurada a Praça 19 de Dezembro, na Curitiba do prefeito Erasto Gaertner, popularmente conhecida como a Praça do Homem Nu (a mulher só veio anos depois). Nesse mesmo ano nascia o restaurante Ile de France, que em 1957 foi ser vizinho do Homem Nu na Rua Riachuelo, onde está até hoje. Seu cardápio, que se mantém o mesmo há anos, privilegia a cozinha da Normandia, região de origem do pai de Jean Paul Decock, proprietário do restaurante.

A equipe, que hoje varia entre 6 e 36 anos de casa, foi treinada pela Clara Chao Decock, chinesa criada nos Estados Unidos, que se casou com Jean Paul em Curitiba e  aprendeu os truques e temperos da cozinha normanda com o sogro. Na casa das máquinas, o chef Mauro, Emilia e Nila sabem todos os segredos da cozinha que ainda usa fogão a lenha.

No Île, todos os garçons passam com louvor no teste da colherinha, aquele de servir o arroz com duas colheres de sopa sem desperdiçar um grão que seja. São eles que atendem as mesas que já viram governos serem criados e namoros virarem instituições (ou não, como diria Caetano).

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Instituição mesmo é o strogonoff bem servido, o Camarão no Champagne, o Crèpe Suzette preparado na mesa pelo seu Godinho, o Dry Martini do Sílvio. Instituição é o seu João e seu cabelo acaju, que já ganhou o Oscar de Melhor Maître de Curitiba algumas vezes – e se não existe essa categoria no Oscar, pior para o Oscar.

Sim, é caro. Sim, um prato custa quase uma parcela do Minha Casa, Minha Vida. Acho que sou a única frequentadora que chega sozinha e a pé, dispensando o ritual da abertura da porta do carro pelos recepcionistas de libré.

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Sua Torre Eiffel, depois de tantos anos, precisou de uns consertos, mas voltou rápido, para continuar fazendo companhia ao casal peladão, ao painel do Poty e ao obelisco. Sem se deixar levar por modismos e passando ao largo das mudanças vividas por Curitiba, que viu sua região ao redor passar a ser uma das mais degradadas do centro da cidade, o “Ildefonso”(apelido carinhoso) continua ali, do ladinho do Passeio Público. Encravado no centrão da cidade, desde que o Homem Nu pôs o dedão do pé na praça. Fino? Certamente. Novo rico, jamais.

Sugestões de iniciados para esganifados

  • Peça em casa via táxi.
  • O prato mais farto de longe é o strogonoff de carne. Não dando conta, a turma embala pra você terminar na frente da TV.
  • Não está no cardápio, mas você pode pedir como acompanhamento de qualquer prato de carne o purê de batata mais cremoso de Curitiba. O preço é o mesmo, o agrado gastronômico é maior!

Ile de France

Praça 19 de Dezembro, 538, Centro
(41) 3223-9962
Segunda a sábado, das 19h até o último cliente

Elaine Minhoca de Lemos é produtora de eventos e cerimonialista, mas também é cozinheira e cronista diletante. Texto publicado originalmente no blog Curitiba Baixa Gastronomia – Gazeta do Povo.

 

 

Artigo de: Elaine Minhoca de Lemos

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