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Aliche no país das maravilhas

17 de maio de 2016

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Aliche, para mim, definitivamente, é um gosto adquirido. Na verdade, tudo que vem da Itália me interessa. Com as ditas acciughe não foi diferente.

A origem (inception de aliche)

O aliche, por aqui conhecido como anchova, existe em abundância na costa italiana e é adorado por eles que, em tempos ancestrais, já adoravam umas gororobas como o garum – um molho superluxo composto por sangue, vísceras de atum, peixes pequenos, moluscos esmagados, deixado na salmoura e no sol por pelo menos dois meses, que talvez seja (fato não comprovado, vejam bem) o tataratataravô da pasta d’aciughe, esta sim comprovadamente italiana, da Ligúria. Muitos consideram anchova não o peixe, mas o processo de salgamento pelo qual o aliche passa. Eu não considero nada.

De um gosto salgado muito particular, vai da pasta à sardella, passando pela pizza (os franceses têm a pissaladiére, uma espécie de torta salgada com aliche e azeitonas-pretas), a bagna cauda (um fondue quente e gordurento à base de azeite, alho e aliche, característico do Piemonte) e, claro, o spaghetti alla putanesca, ou…

O macarrão da boa mãe

Então, imaginem a Itália dos anos 50, do Fellini de Noites de Cabiria e da Sophia Loren da Mortadela. Agora imaginem que nessa época os bordéis eram controlados pelo Estado. As donas de casa iam à feira quase diariamente à procura de produtos frescos para alimentar a família. Já as moças de vida nada fácil não dispunham desse tempo, tendo que recorrer ao que estivesse na despensa para cozinhar: e em que casa italiana vai faltar aliche, azeitona, tomate e alcaparras? Outra versão do surgimento desse prato é da buonna donna de família, que passava as tardes traindo o marido, voltava correndo pra casa e fazia o spaghetti rapidinho com o que tinha na despensa. Eita, mulherada animada, as italianas!

Quando em Roma, oops, Curitiba…

Falar em aliche em Curitiba é falar do Baviera. Lá eles têm a entrada de provolone ao forno com aliche, o putanesca (óbvio) e a indefectível pizza de aliche importado, essa custa R$ 65 o show, e vale a pena. Outra opção legal é o Maia Box, no Mercado Municipal, onde existe o sanduíche de mortadela com pasta de aliche, alcaparras e azeitonas, por 17 mangos e mais uns centavinhos, uma experiência inesquecível! Então é isso, turma: remédio pra pressão alta e força no aliche!

Maia Box
Av. Sete de Setembro, 1865, Box 7, Mercado Municipal de Curitiba
(41) 3362-9065

Restaurante Baviera
Al. Augusto Stelfeld, 18, Centro. Curitiba-PR
(41) 3232-1995

Tente fazer em casa: espaguete à putanesca

Para a massa:

Vá nas lojas do Pedro e compre uma maquininha Atlas de abrir massa, que vem com corte para espaguete e talharim. Depois disso vá ao Senac e faça o curso de massas com a professora Cristiane (e não falte nenhuma aula). Daí pegue 1kg de farinha de trigo da boa, uma colher de sopa de sal e 10 ovos, misture bem, passe na máquina até o número 5 e passe no rolo de espaguete. Espalhe numa bancada para secar. No caso de você ter preguiça disso tudo, compre dois pacotes de espaguete De Cecco ou Paganini.

Para o putanesca:
  • 1,5 kg de tomates italianos pelados e processados
  • 1 cebola bem grande picada
  • 3 dentes de alho
  • 6 a 8 aliches desmanchados (vai do gosto, freguesia)
  • 4 colheres de sopa de alcaparras
  • 4 colheres de sopa de azeitona tipo azapa sem caroço
  • 4 folhas de louro
  • 1 colher de chá de açúcar
  • pimenta-calabresa a gosto
Como fazer:

Refogue a cebola, o alho e os tomates em azeite de oliva. Acrescente o açúcar, o louro, os aliches desmanchados, alcaparras e azeitonas, corrija a pimenta. Sal só mesmo se você for maluco. Rende 8 porções generosíssimas.

Prefere ver o passo a passo dessa receita? Clique aqui.

Elaine Minhoca é produtora de eventos e cerimonialista. Mas pra falar de comida ela não faz cerimônia nenhuma!

Artigo de: Elaine Minhoca de Lemos

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