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Aos políticos da minha querida cidade

7 de agosto de 2017

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Beto Madalosso pede melhorias

Em 2.004, quando fui presidente da Associação Comercial de Santa Felicidade, um dos nossos (especialmente meu) objetivos era promover a integração turística do bairro com os municípios vizinhos de Campo Magro, Bateias, Campo Largo, Conceição da Meia Lua e outros. Essa região é destino perfeito para apaixonados por Ecoturismo. Montanhas, trilhas fechadas, lagos e cachoeiras proporcionam ambiente ideal para a prática de mountain bike, trilhas de moto e jipe, cavalgadas, voo livre, corridas de aventura e pesca de entretenimento.

A ideia, então, era que Santa Felicidade fosse uma espécie de portal de entrada, aproveitando o movimento de seus restaurantes e lojas de artesanato para propaganda, confeccionando cartazes e distribuindo fôlder aos seus clientes. Fazendo com que as pessoas prolongassem seus dias e não apenas almoçassem e voltassem para casa por “falta de opção”.

Sou um desses apaixonados. Nasci ali, me criei ali, no meio daquele mato.

Comecei com trilhas de bicicleta, passei para trilhas de moto e jipe, pratiquei dois anos de voo livre no Morro da Palha. Nadei muito no lago da Pedreira e participei de luaus com fogueiras no Alto do Morro da Cerrinha, mais conhecido como Firefox. Mesmo com todas essas maravilhas muitos dos meus amigos desconheciam a existência desse lugar. “Verdade que tem isso aqui perto de Curitiba? Não acredito!”, ouvi muitas vezes. Aquilo não poderia ser um privilegio só meu, aquilo deveria ser um presente pra todo mundo, eu pensava.

Então, em nome da Associação, comecei a visitar a prefeitura na tentativa de mudar esse cenário. Fui uma, duas, três, dez, vinte… centenas de vezes. Fiz reuniões com diferentes secretários, vereadores e deputados para convence-los com meus argumentos. Foi o Rui Hara, na época Secretário de Assuntos Metropolitanos do Prefeito Cássio Tanigushi, que estendeu a primeira mão: “Beto, que tal promover uma corrida que passe pelas nascentes da região metropolitana? Assim a gente promove o esporte e os municípios vizinhos. Vamos batizá-la de Corrida das Nascentes, e sua chegada será em Santa Felicidade, no Bosque São Cristóvão, com um grande almoço italiano.” Dito e feito. O lançamento, inclusive, foi no salão do Mezza Notte, um evento para aproximadamente 70 pessoas.

Falo em melhorar as estradas de acesso, instalar iluminação de qualidade, placas de comunicação turística, e claro, aquilo que nunca pode faltar: SEGURANÇA! Policiamento constante! O visitante PRECISA se sentir seguro. Não pode ser que alguém deixe de fazer o que sente prazer por medo de ter uma bicicleta roubada

Perfeito! Demos o primeiro passo. A competição aconteceu, foi bem sucedida e cresceu, e esse ano comemorou sua 13ª edição. Mas eu esperava mais, um pouco mais. Eu esperava que as Prefeituras, junto com o Governo do Estado, se unissem pra trazer infraestrutura, não só um evento. A corrida faz o papel de promoção, de colocar a região aos olhos de cidadãos que buscam atividade ao ar livre, o que é ótimo. Mas existe um segundo passo que é o desenvolvimento estrutural, que ergue o pilar da transformação, que solidifica e faz avançar.

Falo em melhorar as estradas de acesso, instalar iluminação de qualidade, placas de comunicação turística, e claro, aquilo que nunca pode faltar: SEGURANÇA! Policiamento constante! O visitante PRECISA se sentir seguro. Não pode ser que alguém deixe de fazer o que sente prazer por medo de ter uma bicicleta roubada.

Estou na Itália nesse momento. A atividade ao ar livre aqui é intensa.

Grupos de ciclistas saem todos os dias em direção às cidades vizinhas. Eventos pipocam por todos os cantos: festa do pêssego, da colheita da uva, do pimentão, das trufas, das estrelas cadentes, festival de jazz, da arte, etc. Todos os dias tem alguma coisa acontecendo e famílias inteiras se reúnem para se divertir. Vivem ao ar livre, sem medo de serem roubados e sem dificuldades de acesso.

Nós temos atrativos também, muitos. Nisso a Itália não ganha da gente. Campo Magro e Bateias, inclusive, oferecem excelentes restaurantes de comida caseira com atividades na natureza, como cavalgadas, pesque-pague, arvorismo, tirolesa e redes para descansar. A diferença esta na infraestrutura. Nós não damos acesso de qualidade e não damos segurança de qualidade. Uma infinidade de pessoas prefere seguir pro Shopping Center por questão de segurança e por saber que sempre vai ter uma vaga pra estacionar. Mas se esses dois fatores – segurança e acessibilidade – fossem garantidos também nos destinos ao ar livre, muita gente mudaria de rumo. Nada contra shoppings. O que não dá é ter o Shopping Center como o único destino para entretenimento.

Não se pode falar em sustentabilidade, em promoção de saúde, em desenvolvimento de pequenos comércios e valorização da agricultura regional quando não se oferece a base pra isso. Debater turismo sem oferecer infraestrutura é, no mínimo, uma grande incoerência. Os destinos já estão aí. Pequenos comércios sobrevivem aos trancos e barrancos, oferecendo serviços e produtos que encantam quem por lá aparece. A natureza abençoada também faz a sua parte. Mas tem uma parte que só vocês, vereadores, deputados, prefeitos e governadores podem fazer: dar melhores condições pra que possamos chegar ate eles.

Leia mais:

Borboletas da Madrugada
Eu não participo

Artigo de: Beto Madalosso

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COMENTÁRIOS
  • Pensar sobre o bom senso , das pessoas que detêm a chamada representatividade, nos dá uma sensação de Poliana total. Essa nossa Câmara Federal, Assembléia estadual, com hereditáriedade implícita. Será que o cachorro, cuidará da linguiça? Isso sem falar na casta do judiciário! Que desânimo!

  • Nossa! Bravo! Queria eu ter escrito isso.

  • Muito longo, vou esperar virar filme

  • Texto inteligente e visionário. É sempre bacana saber que, em outros lugares, ações consistentes são realizadas em prol da população, dos seus anseios e necessidades. Não perco a esperança de que, mesmo que no futuro distante, nossa transviada classe política vai sair desse estado de catatonia egocentrista no qual chafurda e, enfim, começará a honrar o terno que veste. Nesse futuro teremos projetos visionários sendo executados e investimentos direcionados para onde deveriam: infraestrutura, segurança, educação, cultura e qualidade de vida. Em poucas palavras, o Brasil ainda vai ser mais Tutano.

  • Orrraaaaa que texto agressivo! Coisa de quem está vivendo num exílio