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Armazém Califórnia, por André Bezerra

9 de junho de 2017

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Nosso colunista conta a história do armazém que serve uma das melhores refeições árabes de Curitiba

Era uma vez uma Panificadora que virou Casa de Frutas e, então, Armazém. Aliás, o Armazém Califórnia vem transformando a Saldanha Marinho desde 2006. Mas a história remonta à década de sessenta.

Em 1965, o Maged el Omairi chegou a Curitiba, vindo do Líbano. Trabalhou no centro com um tio. Depois foi para o Mercado Municipal, onde fazia “de tudo” numa banca de frutas. Também trabalhou perto do terminal do Guadalupe, em sociedade com um amigo libanês. Em 1967, abriu a Panificadora Califórnia, que se transformou na Casa de Frutas Califórnia, na rua José Bonifácio, na Praça Tiradentes.

 

E foi com essa loja, onde vendia frutas e bebidas, que o Seu Maged se estabeleceu e constituiu família. Passaram os anos até que um dos quatro filhos, o Khalil, decidiu que era hora de se juntar ao pai nos negócios. Corria 2006 quando ele resolveu abandonar o restauro e locação de carros antigos, em Porto Alegre, e voltar a Curitiba. O Seu Maged havia fechado a casa de frutas e estava em casa. O Khalil decidiu reabrir em outro endereço, na rua Saldanha Marinho. Nascia o Armazém Califórnia.

No início foi duro. Os clientes da casa de frutas não dobravam a esquina para irem ao Armazém. A frequência da rua não ajudava, a violência comprometia a região. O Khalil, aos poucos, foi mudando o perfil da loja. Passou a vender bebidas mais bacanas, as frutas e artigos de mercado deram lugar a temperos secos, chancliche, especiarias e doces árabes. Um dia, resolveram servir vinte esfirras, receita da família el Omairi, preparadas na cozinha do Armazém. No preparo, Maged e a esposa, Maria do Carmo. O Khalil improvisou uma exposição com um tule sobre um escorredor de louças. No princípio, quase não conseguiram vender.

Uma vez que os vizinhos começaram a provar a receita, a notícia espalhou e as pessoas passaram a entrar no Armazém para comer esfirras e levar os produtos para casa. Ainda assim, os tempos seguiam difíceis e a conta não fechava. Em um golpe do acaso, a família almoçava arroz com lentilha dentro da loja, quando uma amiga entrou. Seu Maged ofereceu, ela provou e já pediu uma encomenda do arroz, para dez pessoas. Em uma semana o Khalil providenciou insumos, mesas e cadeiras para o primeiro almoço vendido e servido dentro do Armazém. Deu tão certo que passaram a servir toda sexta-feira, quando a loja ficava lotada de clientes que vinham almoçar o arroz com lentilha.

Um dia, resolveram servir vinte esfirras, receita da família el Omairi, preparadas na cozinha do Armazém. No preparo, Maged e a esposa, Maria do Carmo. O Khalil improvisou uma exposição com um tule sobre um escorredor de louças. No princípio, quase não conseguiram vender.

Outra vez o destino, e a dona Maria do Carmo adoeceu, em 2009. Entre internamentos dela, da necessidade de remédios e de cuidados especiais, o Khalil decidiu que era hora de investir na loja e atrair clientela fiel. Para adiante da porta, tratou de envolver vizinhos comerciantes para melhorarem a região. Acionaram prefeitura, lavaram calçadas, conseguiram melhorar a iluminação e realizaram pequenos eventos. Dentro do armazém, filho e pai passaram a servir o arroz com lentilhas e salada às quintas e sextas. Na quarta-feira, havia o “mix de pastas”, kibes e esfirras. Com a boa aceitação, incluíram o mix na terça e, então, também na segunda-feira. Nada aconteceu da noite para o dia, mas, sob o olho atento do Khalil e muita força de vontade dele e do Seu Maged, o Armazém Califórnia encontrou a sua aspiração natural: além de ser um rico armazém, servir algumas das melhores refeições árabes no centro de Curitiba.

Ali, hoje, come-se o tradicional arroz com lentilha às sextas. Nos outros dias, kafta ao forno, arroz marroquino, tabule, charutos, entre outros pratos árabes. Há, ainda, as maravilhosas esfirras, kibe cru ou frito e mix de pastas, estes todos os dias. Difícil é sair do Armazém Califórnia sem carregar uma sacola com pão árabe, chancliche, um doce e uma garrafa de vinho ou cerveja artesanal. As esfirras, assim como os kibes, seguem sendo preparados na cozinha do Armazém, à partir das receitas da família el Omairi, aromáticas e apetitosas. A diferença é que agora elas são expostas em uma das estufas mais disputadas do centro de Curitiba.

Armazém Califórnia
Rua Saldanha Marinho, 68, Centro
(41) 3224-5629
Segunda a sexta-feira, 9h às 20h
Sábados das 9h às 17h

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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  • Sou freguês há tempos, pra mim não tem pra bater o babaganush e a esfiha de frango e carne. Recomendo!!