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Baba Salim, por André Bezerra

6 de janeiro de 2017

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O proprietário, Jamal Chiah, contou sua trajetória com o tradicional restaurante libanês no centro de Curitiba

Era uma vez um casal de estudantes. Eram namorados. Ao começarem, já eram primos. Apaixonaram-se, acontece. Chamam-se Jamal e Naszha. Descendentes de libaneses, estão casados há alguns anos. Mas essa história remete ao tempo em que o Jamal ainda fazia faculdade. Na época, cursava Engenharia. Foram cinco anos tentando tornar-se engenheiro. Cinco anos levando a namorada Naszha para almoçar e jantar. Todos os dias no mesmo local, o Restaurante Universitário, conhecido no mundo acadêmico como RU. Vida de estudante.

O Jamal Chiah chegou a Curitiba vindo de Matinhos-PR, aos 13 anos. Durante a faculdade, viajou muito ao Paraguai. De lá, trazia calculadoras HP e acabava vendendo para colegas. Ganhava bem, pois quem faz exatas precisa de uma HP. A Naszha preparava maravilhosas esfihas e vendia.

Foto: arquivo pessoal do Jamal Chiah

A cultura da cozinha sempre esteve na família, mas eles não conheciam do negócio de ter restaurante.

Até que a irmã da Naszha, prima-cunhada do Jamal, ficou sabendo que um pequeno Café havia sido colocado à venda. No final de 1997, com a ajuda da família Chiah, conseguiram assumir o ponto e adaptá-lo para restaurante. Nascia o Baba Salim, um restaurante bem ao lado do Teatro Guaíra.

Com a Naszha na cozinha e o Jamal no salão, passaram a servir almoço e jantar de domingo a domingo. Serviam um PF que ficou famoso no centro, com feijão, arroz, bife e batatas. Com ingredientes frescos e uma cozinha aromática, o PF atraiu muitos clientes. Depois passaram a atender apenas à noite, com pratos libaneses. A Casa era pequena. Havia um banheiro para o lado de fora e, para usá-lo, era preciso pedir a chave no balcão e sair do bar. Nas noites chuvosas, o cliente voltava do banheiro pingando.

A Casa era pequena. Havia um banheiro para o lado de fora e, para usá-lo, era preciso pedir a chave no balcão e sair do bar. Nas noites chuvosas, o cliente voltava do banheiro pingando.

Foto: arquivo pessoal do Jamal Chiah

Começaram as sextas-feiras com dança do ventre. Um cliente tinha levado para a festa de aniversário dele e a atração fez sucesso, virou evento semanal. O Baba Salim ficou pequeno para tanta gente. Todos assistiam à dança enquanto tragavam dos narguile sobre as mesas. Era início dos anos 2000, quando a fumaça ainda era permitida.

Até 2002, o casal contava com a ajuda de mais dois funcionários. O negócio prosperou e, no final de 2005, Jamal fechou o Baba para reformar e reabrir no início de 2006, com a cozinha maior e dois inacreditáveis banheiros dentro do bar. Tão inacreditáveis que em 2008 ainda havia cliente encostando no balcão e pedindo as chaves. Uma matéria sobre os narguile do Baba Salim, veiculada em uma revista nacional, levou ainda mais clientes à Casa.

No ano seguinte veio a lei antitabagismo. Contra todas as expectativas, o movimento cresceu. As pessoas passaram a sentir o aroma que vinha da cozinha, e a venda dos pratos disparou. Em 2012, o Jamal levou o Prêmio Bom Gourmet na categoria Melhor Pizza, com a pizza libanesa. Não estava no evento para receber. “Quem ia cuidar da lojinha?”. Em 2015 tirou terceiro lugar no Comida di Buteco, com o falafel. Por causa desse concurso, passou a atender cerca de 80 pessoas por hora, quando a média boa era de 70 a noite toda.

Foto: Facebook Baba Salim

Tudo nesse pequeno templo são explosões de cores, aromas e sabores. Os ingredientes são comprados diariamente. A massa, receita de família, é preparada na hora.

Hoje a Naszha se dedica quase exclusivamente a criar as filhas do casal, de 10 e 17 anos, no apartamento próprio deles. O Jamal se orgulha de ter atingido essa maturidade. O Edinho, irmão dele, fica na cozinha com mais dois cozinheiros. Ele, como sempre, entre o balcão e o salão, tratando os garçons por “filho do rei” e saudando cada cliente de “Habib”. Em troca, todos entram no boteco chamando-o pelo nome. A gente sabe que o lugar se chama Baba Salim, mas só os “forasteiros” endereçam desse jeito, pelo nome e sobrenome. Os frequentadores assíduos chamam de Baba, esse é o nome do lugar. Todo boêmio de Curitiba sabe. Mas quando buscamos algumas das melhores receitas libanesas da cidade, a preço justo e regadas a cerveja gelada, um vinho ou um bom Arak, a gente vai ao Jamal.

Foto: Facebook Baba Salim

Baba Salim
Rua Amintas Barros, 45, Centro
(41) 3222-7672

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André Bezerra é diretor da Monstro Animal, produtora de eventos.

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Artigo de: André Bezerra

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COMENTÁRIOS
  • Ô! Podia ter feito um merchand do arquiteto que pôs os bwcs pra dentro e reviu a cozinha. Abraço André!

  • belo texto! faz tempo que não vou ao baba, deu saudade e fome! abraço.