ENTRAR Bem-vindo! Faça login para ter
uma experiência completa.

Bar do Alemão, por André Bezerra

20 de dezembro de 2017

(1018)
A história por trás do bar e de um dos drinques mais famosos de Curitiba

Eram meados de 1979 quando Rene Strobel decidiu que gostaria de ter um lugar para reunir os amigos. O pai dele tinha essa loja de tintas e louças sanitárias. Ficava no Largo da Ordem, em Curitiba, muito próximo do antigo bebedouro. A solução foi utilizar o depósito da loja. Com o aval do pai, o Rene montou uma pequena cozinha, trouxe os barris de madeira, onde se armazenava o chope na época, e chamou o marceneiro Azevedo para fazer as primeiras mesas, cadeiras e bancos que se tornariam uma das marcas registradas dessa casa.

Quando os amigos começaram a frequentar o espaço, Strobel decidiu que precisava servir comida. Convidou a senhora Rust, esposa de um diplomata alemão, para assumir a cozinha. Foi ela quem criou quase todos os pratos que seguem no cardápio até hoje, praticamente 40 anos depois. Além da cozinha, a senhora alemã teve papel decisivo na escolha do nome de batismo daquela que se tornaria uma das casas mais emblemáticas de Curitiba. Segundo nos contou Jorge Tonatto, gerente há 16 anos, na Alemanha o quarto dela tinha vista para a Floresta Negra, ou Schwarzwald, que é a famosa cordilheira no sudoeste alemão.

Em alusão a ela, batizaram o bar que já foi apelidado de Floresta e hoje é largamente conhecido como Bar do Alemão. A senhora Rust permaneceu por alguns meses, suficiente para ensinar suas receitas ao casal de cozinheiros que esteve à frente da cozinha da casa ao longo de 35 anos. Depois, cruzou a rua para abrir o restaurante dela, o Hummel Hummel. Por uma ironia do destino, seguiu tendo vista para o Schwarzwald, mas dessa vez bem aqui em Curitiba.

Em 1983 o filatelista e comerciante, Andersen Prado, se juntou ao Strobel e tornou-se arrendatário do Schwarzwald. Em um ano, virou sócio. A sociedade duraria até 1999, quando Strobel vendeu a parte dele ao amigo Andersen e saiu para navegar a costa brasileira de escuna. Ali mesmo, Andersen Prado conheceu a Selma Tonatto, irmã do Jorge, e casou-se com ela. Hoje é a Selma quem supervisiona a cozinha e cuida da sua menina dos olhos: a loja de souvenires dentro do empreendimento. É ela também a autora das receitas das sobremesas, como o apfelstrudel com creme e o bolo Floresta Negra. Dentre os pratos e petiscos, destacam-se o eisbein – no Bar do Alemão o prato é cozido – a carne de onça e a porção de batatas fritas da casa.

A história do Submarino

E para beber? Há o chope, naturalmente. Mas há também marcas de cervejas artesanais. E existe essa bebida que, ainda de acordo com Jorge Tonatto, nasceu de um brinde na famosa mesa 1, onde antigamente ficavam expostos os pratos do Bar do Alemão: o Submarino.

Consta que um grupo de amigos brindava com seus canecos de chope gelado quando o garçom, acidentalmente, derrubou um copinho de Steinhaeger dentro de uma das canecas. Constrangido, ele mencionou trocar a caneca com o copinho dentro, que havia afundado feito um submarino. O cliente, porém, pediu para deixar como estava e seguiu bebendo daquele jeito mesmo. Gostou muito da mistura e o resto da mesa pediu para o garçom trazer para todos. Nascia o famoso Submarino do Bar do Alemão. Com o tempo, o próprio Jorge criou as canequinhas que são usadas hoje para colocar o Steinhaeger. Primeiro de cerâmica e com logomarcas de outras casas de Curitiba, ao longo dos anos já foram criadas várias séries comemorativas.

O apego dos clientes foi tão grande que alguns, mais altos com a alquimia da bebida, escorregavam o simpático canequinho para dentro do bolso ou da bolsa. Em mais um olhar de marqueteiro, Jorge Tonatto encomendou uma gravação especial para a base do canequinho querido. Ela lê: esse caneco foi roubado honestamente no Bar do Alemão. Por isso, ao longo dos anos, curitibanos e turistas seguem despertando aliviados ao descobrirem, na manhã seguinte a uma rodada de submarinos e boa gastronomia, que o seu pecadinho já foi expiado na antevéspera.

E assim o Bar do Alemão segue fazendo história em Curitiba, como um dos pontos mais queridos da cidade. Porto seguro para famílias, casais de namorados – tem até uma ponte dos desejos na parte externa do bar – e maridos que gostam de levar os filhos para fazer um aperitivo enquanto a esposa percorre a feirinha de domingo.

Dicas Tutano:

  • Se escolher o eisbein, prove com a vina branca, empanada e temperada.
  • Nos almoços durante a semana têm pratos executivos, receitas alemãs. De segunda a sexta, das 11h às 15h. O preço único é R$21,90.
  • A casa recebe eventos corporativos, aniversários e casamentos no histórico salão grande, onde era a Casa Vermelha Ferragens.
  • O Bar do Alemão abriga um espaço privativo que é o fã clube do Bayern de Munique. Ali tem até lugar para o cliente deixar a própria caneca trancada e utilizá-la cada vez que for ao bar. Em dias de jogos de futebol, seja da Alemanha ou não, o Bar do Alemão é disputado por causa dos monitores espalhados pelos ambientes.

Serviço

Schwazwald – “Bar do Alemão”
(41) 3223-2585
Dr. Claudino dos Santos, 63, São Francisco, Curitiba
Abre diariamente, das 11h às 2h

Leia mais:

Whatafuck, por André Bezerra
Pizzicatto, por André Bezerra

rodape_andre

André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

Artigo de: André Bezerra

COMPARTILHE ESTA MATÉRIA
AVALIAÇÕES
(1018)
  • Excelente
    560
  • Muito bom
    9
  • Normal
    9
  • Ruim
    18
  • Horrível
    422
DÊ SUA NOTA:
COMENTÁRIOS
  • Foi se o tempo que esse bar era bom e barato,hoje em dia virou bar pra turista,pois os valores são abusivos.

  • Submarino mais bosta um bar chamado bar do alemao usa uma cerveja que nao segue a lei da pureza alemã de 1516 (REINHEITSGEBOT) servindo cerveja de milho

  • Levei parentes meus a conhecer o lugar fomos praticamente asaltados cobraram chop a mais,muitos a mais ,prática está comum depois, que entrei na avaliação no facebook vi varias reclamações iguais,nunca mais piso lá !!!
    NÃO RECOMENDO !!!!!!