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Bar do Edmundo, por André Bezerra

13 de janeiro de 2017

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Nosso colunista conta as histórias por trás de um dos botecos mais tradicionais da capital paranaense

Era uma vez um pipoqueiro. Seu nome: Edmundo Stromberg. Nascido na Suécia e vivendo em Curitiba, ele cruzava com o carrinho de pipocas da Av. João Gualberto até a Erasto Gaertner. Vinha parando diante de hospitais, escolas e residências para vender as pipocas. Tornou-se conhecido pela simpatia e gentileza – as crianças que não tinham dinheiro para comprar um pacote de pipoca, mesmo assim ganhavam “um punhado” de cortesia.

O ponto final do senhor Edmundo era um pequeno Café na Erasto.

Ali paravam muitos caminhoneiros, a caminho de São Paulo. Eis que o pipoqueiro fez amizade com alguns motoristas. Eles topavam embarcar o carrinho e mais dois sacos com 60 kg de milho de pipoca sobre a carroceria. De carona na boleia, o senhor Edmundo seguia até a Festa do Iguape, onde vendia suas pipocas e voltava com os dois sacos repletos. Dessa vez não era de milho, mas de dinheiro trocado. Em casa, os filhos, pequenos, ajudavam a separar as notas. Como ainda não sabiam ler números, separavam pelas figuras sobre elas, feito álbum de figurinhas. A mãe, dona Maria Mendes, vendia chinelos para ajudar nas despesas da casa, uma vez que a família Stromberg é numerosa.

Seu Edmundo tornou-se amigo do senhor idoso que era dono do Café na Erasto. Um dia, ele, cansado, fez uma proposta para o amigo sueco: que ele assumisse o imóvel. Desse jeito. No “fio do bigode”, como se dizia. Seu Edmundo topou e abandonou o carrinho pelo ponto. Nascia ali o Bar do Edmundo.

Foto: arquivo Pessoal do José Edmundo Stromberg

Seguiu servindo café, mas dona Maria começou a preparar alguns tira-gostos para acompanhar.

Tudo trivial, mas as receitas eram próprias: quibe recheado com ovo e bife à milanesa, feitos com bucho. O café ficou com cara de bar e, como só tinha duas mesas, a calçada diante dele lotava de gente. As pessoas passaram a pedir para comer o bife de bucho dentro do pão. Isso entre 1965 e 1970. Trata-se, muito provavelmente, do primeiro “pão com bife” servido em Curitiba.

As pessoas passaram a pedir para comer o bife de bucho dentro do pão. Isso entre 1965 e 1970. Trata-se, muito provavelmente, do primeiro “pão com bife” servido em Curitiba.

Com o sucesso e a família crescendo – hoje são dez os filhos do casal Stromberg – o seu Edmundo resolveu comprar a casa do outro lado da rua, na mesma avenida, onde até hoje se situa o bar. Mudou-se com esposa e filhos e, no mesmo imóvel, foi realizando reformas para instalar o estabelecimento, que crescia a olhos vistos. O bife saiu de dentro do pão e passou a ser servido em pedaços. Eis como surgiu o consagrado “buchinho a milanesa”, servido até hoje com picles e molhos especiais.

Irmãos Stromberg – filhos do casal Edmundo e Maria Mendes Stromberg. Foto: arquivo pessoal José Edmundo Stromberg

Em 1983, chegou a vez do seu Edmundo pensar em arrendar o bar.

Eis que o filho “número cinco”, José Edmundo, resolveu abandonar a faculdade de economia e assumir. Dos 14 aos 20 anos, o Zé Edmundo já havia desempenhado todas as funções nas diversas áreas do bar, assim como seus irmãos, mas foi ele quem decidiu que queria seguir com a Casa. Por isso comprou aquela que seria a parte dos demais, que seguiram com suas carreiras em outras áreas.

Ganhou suporte do irmão caçula, o Jarbas, que comanda atrás do balcão enquanto o Zé percorre o salão, de olho em tudo e falando com a clientela. Hoje, os dois tocam um dos bares mais frequentados de Curitiba. Atualmente a Casa serve porções de frutos do mar, o buchinho, etc. Contam também com uma segunda unidade, na rua México, com a Sigreth – filha do Zé – à frente. Recentemente foi lançado o rótulo Edmundo de cerveja artesanal. Ainda com atmosfera de bar de comunidade, no Bacacheri, a cidade inteira acaba se encontrando em volta das mesas do tradicional Bar do Edmundo.

Foto: arquivo Pessoal do José Edmundo Stromberg

Bar e Petiscaria do Edmundo
Av. Pref. Erasto Gaertner, 1764, Bacacheri
(41) 3257-2407

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André Bezerra é diretor da Monstro Animal, produtora de eventos.

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Artigo de: André Bezerra

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