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Bar do Pachá, por André Bezerra

27 de outubro de 2017

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A história da casa que tem um dos cardápios mais variados da cidade

Era uma vez um boteco no Batel, em Curitiba. Seu nome: Bar do Paxá. O ano era 1972 e uma grande turma de amigos frequentava o lugar. A maioria tinha entre 16 e 17 anos, quase todos sócios do Clube Curitibano. Eis que o clube promoveu uma gincana, e uma turma de amigos se mobilizou para participar. Foi criada a equipe Les Paxá 74, uma homenagem à “segunda casa” deles. Levaram o primeiro prêmio: um carro novo. No auge da adolescência, os cerca de quarenta integrantes da equipe venderam o automóvel e reverteram o dinheiro em churrascadas e festas. Então, veio a Gincana do Canal 12. Deu Les Paxá novamente, de ponta a ponta. Ganharam um Opala novo. Venderam. A vida na época era faculdade, gincanas, churrascos, festas e muitos encontros no Bar do Paxá.

Panelas Le Creuset e facas Iris

Com o passar dos anos um dos integrantes do Les Paxá, o Zico Garcez, abriu uma loja de artigos de cozinha, a Metro Quadrado Cozinhas, também no Batel.  Ele foi pioneiro ao trazer as panelas Le Creuset a Curitiba. O negócio era chique e prosperou, até que a cotação do dólar disparou. Visionário e muito bem relacionado, Zico passou a promover módulos de aulas de gastronomia dentro da loja, tudo voltado a cozinheiros amadores. Corria o ano de 1996 quando Celso Freire, na época dono do Boulevard, começou a dar aulas semanais no espaço. “Claude Troisgros veio duas vezes, o chef Laurent e uma jovem revelação na época: um tal de Alex Atalla, contou o Zico para a Tutano.

Um garoto na cozinha da Dine

Quando era ainda um garoto, o Zico Garcez gostava de passar muitas horas observando a babá e amiga, Dine, cozinhando. “Ela fazia buchada, dobradinha, miolo e por aí vai. Na casa dos meus pais, ai de quem não comesse de tudo”, recordou Zico. E o menino observava, ajudava sempre que podia, vivia em volta do fogão.

Décadas mais tarde e depois de assumir cargos nos governos do Lerner e do Requião, Zico procurou o amigo Claudio Couto, na época dono do Atrazione d´Italia, e pediu para trabalhar na cozinha do restaurante, por experiência. Durante um mês fez quase tudo ali dentro. Um dia cruzou outro amigo, o Rodrigo Bozzi, então dono do Crabits. Juntos, abriram o Poivre Vert, perto da Praça Espanha. Em 45 dias a casa já era um grande sucesso, com Zico nas compras e fazendo relações públicas, trazendo os amigos para dentro do restaurante. “Tudo isso foi um grande aprendizado. Passei por todas as etapas, até entrar na cozinha”, disse Garcez.

Um aspirante a cozinheiro na “Cidade Maravilhosa”

Em 2008, após sair do Poivre Vert, Zico se transferiu para o Rio de Janeiro. Queria ficar perto da filha, que morava na cidade, e estudar gastronomia no Senac. “Lá o curso era mais rápido e eu precisava perder o medo de cozinhar para muita gente, já vislumbrava abrir minha própria casa”, disse-nos ele. Após quase um ano e meio, voltou para Curitiba e, depois de muito esforço, abriu o bar, no Bom Retiro. “Os amigos criaram o blog do Les Paxá. Eu acessava, via as fotos da turma e pensei: vou abrir um bar chamado Pachá. Foi assim que surgiu o Bar do Pachá”, revelou seu fundador.

Bar do Pachá

Com petiscos e refeições incríveis – “Na verdade aprendi a cozinhar por osmose, observando a Dine” – o bar com cara de restaurante passou a servir desde buchada e dobradinha, até versões do Zico para grandes clássicos curitibanos: o Steak Diana do Matterhorn, o estrogonofe do Restaurante do Nino e o mignon Osvaldo Aranha do Frau Leo, entre outros pratos deliciosos, como o camarão no champanhe e o steak poivre. Tudo com a ajuda da Ivonete Zamborski, muito experiente e na cozinha ao lado do Pachá desde os tempos do Poivre Vert, e do Rodrigo Pereira, que atende maravilhosamente clientes e fornecedores desde quando a casa abriu, em 2010.

E assim, a cozinha da Dine se refinou, mas segue cheia de personalidade pelas mãos do Zico Garcez, pai da Paula, da Fernanda e da Appolonia, avô dos pequenos Henrique e Olivia, e parceiro do Irmão – o bulldog mais bacana de todo o Bom Retiro. Um visionário que praticamente inventou o sushi em Curitiba – trazendo chefs de São Paulo quando nossa capital mal conhecia essa delícia oriental. Eis a história de uma casa que pode ser bar e pode ser restaurante, depende da disposição do cliente. Eis a trajetória do Pachá.

Dicas Tutano:

  • Peça o delivery do Bar do Pachá pelo iFood, Spoon Rocket ou pelo telefone 3044-4480.
  • Conheça a página Prato do Dia, que o Zico criou no Facebook, para dar visibilidade a bares, restaurantes e profissionais da gastronomia.
  • Leve livros para trocar na biblioteca do Bar do Pachá.
  • Entre em contato com o pessoal do bar se quiser se desfazer de equipamentos eletrônicos, que não têm mais uso. De celulares a TV e máquina de lavar, o Pachá encaminha e providencia o descarte.
  • Para conhecer mais sobre a história do Les Paxá 74, acesse o blog deles.

Serviço:

Rua Cláudio Manoel da Costa, 548, Bom Retiro
Segunda a sexta, 18h às 23h, e aos sábados, das 12h às 17h, quando tem também a feijoada.

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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  • Amo o mignon ao poivre vert, a salada de polvo e a dobradinha ♡♡♡