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Bar Mignon, por André Bezerra

28 de julho de 2017

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A trajetória da casa que já está na terceira geração, dentro da mesma família

1ª Geração

Era uma vez dois irmãos calabreses. Eles deixaram a Itália, em direção à Argentina, ainda no final do século XIX. Um deles, porém, resolveu desembarcar no porto de Paranaguá e vir para Curitiba, onde exerceu a profissão de alfaiate. Seu sobrenome: Amatuzzi. Por aqui, ele estabeleceu residência e formou família, tendo um filho chamado Heitor que, em 1925, abriu um Café na rua XV de Novembro. O primeiro endereço ficava na altura do número 80. O Café era tão pequeno que Heitor Amatuzzi batizou-o de Café Mignon, numa referência à pequena peça da carne de boi. Ali, servia salgados preparados pela esposa e, naturalmente, café.

Na década de 40, o prédio que abrigava o estabelecimento pegou fogo. A destruição não foi completa, mas marcou a necessidade de um novo ponto. E foi assim que, em 1946, o Café Mignon mudou para o número 42 da mesma rua XV de Novembro, onde está até hoje, rebatizado como Bar Mignon. Com o passar do tempo, o cardápio mudou. Passaram a servir o “cachorro”, como era chamado o cachorro-quente, que ainda vinha com linguiça, já que não havia a vina. Surgiram o pão com bife e, aquele que se tornaria um clássico, o pão com pernil e verde. Trata-se do sanduíche de fatias de pernil com molho, servidas no pão d’água, com cebolinha verde. Sem medo de trabalhar, Amatuzzi não fechava mais as portas do Bar Mignon, que se tornou um dos primeiros a abrir 24 horas por dia na capital paranaense.

2ª Geração

Às custas do negócio, Heitor Amatuzzi e a esposa tiveram quatro filhos. Entre as décadas de 50 e 60, dois deles começaram a assumir o negócio: Heitor Junior e Benedito. Aos poucos, permitiram que o pai pudesse se aposentar. A casa conquistou uma frequência composta, principalmente, por boêmios. Saindo dos bailes da Sociedade Operária e do Clube Curitibano, os homens seguiam direto e varavam a madrugada nas mesas do Bar Mignon. Muitos jogadores de futebol brindavam ali, amigos do jornalista esportivo, Albenir Amatuzzi, outro filho de Heitor. Casais que saíam do cinema também rumavam para lá, mas apenas o homem entrava no bar, pegava um sanduíche e levava para a sua pequena comer no carro. Ainda não havia calçadão e os carros enfileiravam ao longo da calçada. Segundo Paulo Cordeiro, que conversou conosco, “o Bar Mignon, com sua natureza boêmia, não era lugar para mulheres durante as madrugadas da década de 60”.

Uma coisa, todavia, permanece inalterada, e a história está aí para provar: o sabor das receitas da família Amatuzzi, que arregimentam fãs e desafiam o tempo.

No início dos anos 70 chegou o calçadão da Rua XV e, com ele, as mesas fixas sob os quiosques de acrílico, como estão até hoje. Assim, o Mignon foi perdendo sua característica de bar de noite e passou a vender mais refeições durante o dia, além dos tradicionais sanduíches: as “meia saladas” de pernil, frango, bife, chorizo, picanha, mignon e um extenso cardápio. Acompanhados de um chopp gelado, a visão das pessoas comendo esses pratos nas mesas, em pleno calçadão da Rua Das Flores, faz parte da paisagem curitibana. A Tutano reuniu um circuito onde damos a dica aos nossos leitores.

3ª Geração

Em 1994 chegou a hora da terceira geração assumir o tradicional negócio de família. Paulo Cordeiro, casado com Silvia Amatuzzi Cordeiro e genro do Heitor Amatuzzi Junior, passou para trás do balcão. No princípio, sob o olhar atento do sogro, foi um aprendizado, pois vendia computadores. Com o passar do tempo, Heitor pôde se aposentar e, atualmente, o Paulo administra o Bar Mignon. À frente de um time de garçons, atendentes e chapeiros muito bem afinados, ele conta com muitos profissionais experientes, com mais de 20 anos de profissão. O garçom Teixeira, por exemplo, trabalha na função há 40 anos, atuando há 20 com Paulo Cordeiro. A década de 90 foi também a da reforma física do Bar que, internamente, ganhou um novo salão, além do mezanino. Mudanças culturais e físicas fazem parte da trajetória dessa Casa emblemática. Gerações se intercalam entre suas mesas, refestelam-se com os sanduíches e refeições, debatem sobre a Curitiba e o Brasil de ontem, de hoje e do amanhã. Algumas decisões políticas e muitas estratégias esportivas, provavelmente, foram desenhadas nesse Bar, entre canecos de chopp e um pernilzinho bem feito. Uma coisa, todavia, permanece inalterada, e a história está aí para provar: o sabor das receitas da família Amatuzzi, que arregimentam fãs e desafiam o tempo.

Bar Mignon

Rua XV de Novembro, 42, Centro
Todos os dias, 10h às 23h

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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COMENTÁRIOS
  • Parabéns Pela Bela Reportagem....EU TIVE O PRRAZER DE TRABALÇHAR COM ESTA NFAMILIA mravilhosa..AMATUZZI..por 36 anos....Aprendi muito com eles..na profissão e na vida..Pois o SR HEITOR X E O SEU IRMÃO DITINHO...alem de boms patrões....éram amigos e orientadores da gente.....Sou Grato sempre á eles e as suas empresas...TRABALHEI na inauguração do POTE CHOPP.... e algumas vezes no BAR MIGNON....onde fiz muitas boas amizades que perduram até a DATA DE HOJE....e sempre desjo SUCESSO Á ESTAS casas...foi onde eu construi a MINHA VIDA....ABRAÇOS Á TODOS.............PEDRINHO...EX GARÇON DO POTE CHOPP....