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Cantina do Délio, por André Bezerra

16 de fevereiro de 2017

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Nosso colunista conta a trajetória da Cantina do Délio

Era uma vez uma sobremesa. Ela se chama Banoffi. Feita à base de banana, essa torta desembarcou no Brasil vinda de Londres. É lá que está a rede de restaurantes Balance, onde o Délio Cezar Canabrava encontrou a Renata Ferian pela primeira vez. Há quase vinte anos os dois trabalhavam lá. Ele havia acabado de chegar na Europa – egresso de Curitiba – para fazer um mestrado em Design. Precisava ganhar em moeda local para pagar a universidade.

Começou lavando louça, esfregando o chão e evoluiu rapidamente na hierarquia da cozinha. Passou a atender as mesas, montar sanduíches e pizza. Trabalhava durante a noite porque, de dia, frequentava as aulas do mestrado. Aprendeu inglês e, ao longo de três anos conciliando design e o trabalho no restaurante, despontou para tornar-se um mestre também na cozinha.

Seguramente ajudaram os anos frequentando as mesas da mãe e dos tios, desde pequeno, no sítio da família, em Paraíso do Norte-PR, e, depois, na casa dos pais, já em Curitiba, na rua Itupava. As refeições consistiam em pratos “simples, quase caipiras”, como miúdo, mocotó, taióba, couve, chuchu e ora-pro-nobis. Além dos tradicionais lasanha e nhoque de domingo da dona Severiana Canabrava, mãe do Délio.

Anos transcorridos, voltamos a Londres. Ali o Délio e a Renata se tornaram um casal. Ambos trabalhando no Balance e com tino empreendedor, a Renata teve a ideia de trazer a receita da Banoffi para o Brasil, onde a registraram. Com mão para sobremesas, foi a elas que Renata se dedicou, entre bolos e a própria Banoffi. O Délio ainda partiu para um estágio no Peru, em um portal de Turismo. Acabou direcionando o trabalho, como já havia feito durante o mestrado em Londres, para a gastronomia. Ele queria ser designer, mas sua atual profissão não o deixava seguir sozinho. De volta ao Brasil, trabalhou no Beto Batata – Alto da XV. Uma vez desligado de lá, a Banoffi e os bolos da Renata prosperaram entre frequentadores do Beto, para quem forneciam, e para os clientes próprios. Abriram uma Casa com outros sócios.

Ali são servidos pratos criados à partir da releitura ao longo de toda essa experiência do casal: do ossobuco ao nhoque, passando pela lasanha e, naturalmente, pelos  ingredientes e forma de preparo caseiros.

O Délio manteve os olhos atentos para oportunidades na região da rua Itupava, onde morou durante quarenta anos. Um dia viu um caminhão de mudança em frente a essa belíssima casa de madeira, na esquina com o Jardim Ambiental. Foi quando a antiga floricultura, que se mudava do imóvel, deu lugar para uma tradicional Cantina de “cucina casalinga” – termo que o Délio conheceu durante uma viagem de um mês pela Itália. Significa cozinha caseira. Feitas as devidas adaptações na casa, a Cantina trocou de nome, para Cantina do Délio.

Ali são servidos pratos criados à partir da releitura ao longo de toda essa experiência do casal: do ossobuco ao nhoque, passando pela lasanha e, naturalmente, pelos  ingredientes e forma de preparo caseiros. A Cantina, tipicamente decorada, oferece uma bela carta de vinhos. A refeição perfeita, naturalmente, precisa ser encerrada nas sobremesas, especialmente a torta Banoffi, tradicionalíssima nesse capítulo charmoso da história da “famiglia” Délio e Renata Canabrava.

Atualmente, além de comandar – junto com a Renata – a Cantina e mais três Casas, o chef Délio participa de eventos, dá receitas na televisão e é diretor da Associação da Boa Lembrança, no Paraná. O Selo reúne Casas onde, além da qualidade comprovada da cozinha, a identidade do dono se confunde com a do estabelecimento. É uma boa descrição para a Cantina do Délio. Foi nela que levamos nosso bate-papo diante do nhoque de batata com molho de frango desfiado. Receita da dona Severiana Canabrava, preparada pessoalmente pelo filho dela, batizado com nome igual ao do pai dele, senhor Délio Canabrava.

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby.
Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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