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Chalet Suisse, por André Bezerra

25 de maio de 2018

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O endereço onde o Brasil faz fronteira com Suíça, França e Peru

Essa história remonta à cidade de Lucerna, na Suíça. Foi lá que nasceu Arthur Saredi. No final da década de 40, ainda menino, mudou-se com os pais para Lima. Em 1961 voltou para a Suíça – onde morou por mais 8 anos – e estudou gastronomia e hotelaria em um hotel-escola do país que é referência nestes segmentos. Exerceu diversas funções, trabalhando inclusive como cozinheiro, garçom e camareiro. Já formado, entre 1969 e 1973 morou no Peru, Equador e na Colômbia, sempre trabalhando em hotéis e restaurantes. Em 1974, Arthur desembarcou no Rio de Janeiro, onde foi gerente dos restaurantes da rede hoteleira Othon. Em 1976, finalmente, veio morar em Curitiba, a convite do Hotel Mabu, na praça Santos Andrade, onde assumiu como gerente.

Café Paris

Vivendo há dois anos em Curitiba, corria 1978 quando Saredi abriu um café com a amiga Julia, também suíça e, posteriormente, proprietária do restaurante Matterhorn. Batizaram de Café Paris. O endereço se tornou referencia de boa gastronomia e música entre os curitibanos. Dentre os frequentadores, um grande amigo dos donos do Café Paris: o músico Markus Sigrist, na época dono do restaurante Velha Adega. Os três amigos, em comum a nacionalidade, se frequentaram desde os primeiros anos em Curitiba. Também foi no Café que Arthur conheceu Sonia Regina. Eles se casaram e, em 1982, mudaram-se com Alexandre, o primogênito ainda bebê, para Zurique.

Chalet Suisse – Manoel Ribas

Enquanto a família Saredi morava na suíça, Markus Sigrist abriu um novo restaurante na avenida Manoel Ribas. Era 1983 e ele batizou como Chalet Suisse. Em 1986, Arthur, Sonia e Alexandre voltaram para o Brasil, dessa vez com um novo integrante na família: Eduardo nasceu suíço, enquanto os pais e o irmão mais velho ainda moravam no país europeu. Naquele mesmo ano, o patriarca foi trabalhar no elegante Hotel Duomo, na Visconde do Rio Branco. Reuniu o time de colaboradores do hotel e montou o cardápio do restaurante, com pratos da clássica culinária europeia. Tudo ia bem no Duomo, no Matterhorn e no Chalet Suisse. Além disso, os três amigos – Arthur, Julia e Markus – seguiam se frequentando. O alto valor do aluguel da casa onde funcionava o Chalet, porém, incomodava seu proprietário, músico e boêmio que recebia a clientela como se fosse na sala de estar da casa dele. Muitos, portanto, não entenderam por que ele resolveu, em 1987, comprar uma casa dentro de um terreno que era uma chácara com mais de 3.000 m², na área rural de Santa Felicidade. Reclamaram – como assim, Markus? – mas continuaram frequentando o Chalet Suisse.

Chez Arthur

Em 1990, depois de um período gerenciando o antigo Hotel Iguaçu, que já se chamava Bourbon – da família Vezozzo – Arthur Saredi inaugura mais um estabelecimento próprio, numa casa que ele reformou da família Schaffer, na Hugo Simas, e batizou de Chez Arthur. Ali, a dona Sonia foi para o salão do restaurante enquanto o marido vestiu a doma, literalmente, e assumiu a cozinha.

Um golpe e o novo Chalet

Ao longo de muitos anos, os amigos Arthur e Markus se frequentaram. Ambos mantinham duas casas disputadas na capital curitibana quando o assunto era cozinha europeia, teoricamente concorriam nos negócios mas, na prática, a relação de amizade atravessava os anos. Em 1996, porém, um acidente dentro de casa abreviou a vida do Markus, para consternação das legiões de amigos que ele tinha. O Chalet ficou fechado por 15 dias. Heinz, um dos irmãos de Markus, veio da Suíça e convidou o Arthur e a Sonia para arrendarem o estabelecimento.

Três anos se passaram com o casal tocando os dois negócios: Chez Arthur e Chalet Suisse. Em 1999 eles baixaram as portas do Chez e assumiram o Chalet Suisse em tempo integral, incorporando cardápios das duas casas e reunindo o time de cozinha e salão que, em boa parte, segue trabalhando no restaurante. A cozinheira Marli, por exemplo, veio da cozinha do Chez Arthur. O garçom Luiz Natal está no salão do Chalet desde os tempos do Markus. “Duas premissas são importantes no momento de contratarmos: morar perto e aprender do zero” – revelou-nos Arthur durante a entrevista com ele e com o Alexandre Saredi.

Outra peculiaridade que notamos foi a nítida divisão dentro do estabelecimento: mulheres na cozinha, homens no salão. A receita parece funcionar porque o atendimento é pontual e a cozinha é sincronizada como o tique-taque de um relógio. Coisa de suíço.

Finalmente, em 2010, mais um profissional de ponta assume lugar de destaque na operação: o engenheiro Alexandre, primogênito dos Saredi. Egresso do mercado financeiro, onde trabalhou por cinco anos, o restaurante não chegou a ser uma primeira experiência no setor. Ele e o irmão, Eduardo – hoje vivendo e trabalhando no Rio – já assumiram o caixa da casa diversas vezes. Atualmente, porém, é oficial. O Alexandre toca os setores administrativo, financeiro e comercial do Chalet Suisse. Ele também é casado e tem um casal de filhos com a Marília. A Dona Sonia partiu, após anos lutando contra um câncer, em 2013. O Arthur continua atendendo entre a cozinha e o salão do restaurante. Além disso, ele realiza viagens frequentes para o Peru e para a Europa, de onde segue trazendo novidades diretamente para o endereço que mais parece um autêntico território suíço em Curitiba.

Foi o Beto Madalosso quem tentou nos preparar antes de irmos para um dos jantares mais marcantes que já tivemos: “Esqueça o Brasil. Você vai achar que viajou para os Alpes Suíços. A casa é linda, o jardim é belíssimo, a luz é aconchegante, a música é elegante, os pratos são extraordinários e a adega é impressionante. Tem lareira, fondues e o Filet Mignon Café Paris. Além disso, tem o Arthur e o Alexandre, dois suíços de verdade que irão te receber. Vista uma roupa decente, escove os dentes, penteie esse cabelo e demonstre educação. Finja que tem alguma cultura. E não se atrase!”

Dicas Tutano

  • Ligue e faça reservas, especialmente nos dias frios e nos finais de semana.
  • Segunda-feira, dia 11 de junho, abrirá para a véspera do Dia dos Namorados, servindo somente os fondues (carne chinoise, queijo, chocolate e doce de leite).
  • Dia 12 de junho haverá menu fechado, R$350,00 por casal.

Chalet Suisse
Rua Francisco Dallalibera, 1428, Santa Felicidade
(41) 3364-7889
Terça-feira a sábado, 19h30 às 23h
Domingo, 12h às 15h30

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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