ENTRAR Bem-vindo! Faça login para ter
uma experiência completa.

Churrascaria Amantino, por André Bezerra

27 de setembro de 2018

(19)
O antigo “galpão” que serve um dos melhores churrascos da cidade

“(…) coração está disparado, mas eu ando com cuidado, não me arrisco na banguela (…)”

A vida de caminhoneiro não era fácil para o seu Amantino Tulio. Mais difícil era passar dias longe da esposa, Roswitha, e do filho, o pequeno Edson Luiz Tulio. Percebendo a situação, o senhor Antonio Vila Nova Tulio – italiano do Vêneto – pai de Amantino e avô do Edson, ajudou a construir um paiol junto à casa do filho. Isso permitiu que o rapaz trocasse a boleia do caminhão pela churrasqueira e fogão. No início, serviam pombo recheado, salada de radici, polenta mole e maionese. A clientela era de amigos. Então vieram a costela e o frango ensopado com macarrão.

Foi o Edson quem resgatou as recordações da infância na casa dos pais: “Primeiramente o galpão foi batizado como Churrascaria Vila Nova, em homenagem ao meu avô. O piso era de chão batido e havia aquelas mesas de pranchão e bancos rústicos. Serviam de 15 a 20 pessoas, três vezes por semana. Meus pais faziam comida de italiano. Os pombos eram criados em viveiro e havia também carne de caça, como paca, porco e tatu.”

A segunda geração

O Edson começou a trabalhar no restaurante aos nove anos. Dos 11 aos 22 foi garçom nos restaurantes San Remo e Veneza, ambos em Santa Felicidade. Aos 22, começou a namorar a Sueli, que se tornaria sua esposa. Dora, irmã de Sueli, é casada com Zulmar, que era cliente no restaurante Veneza. Por intermédio do Edson, foi conhecer a Vila Nova, que posteriormente passaria a chamar Costelão do Amantino. Na época a costela de ripa já era conhecida. Os investimentos direcionados pelo Zulmar, então, vieram em ótima hora. Melhorias foram feitas e o restaurante – que chegou a ficar quatro meses fechado e em obras – ficou com o aspecto muito semelhante a como ainda é hoje.

Em 1983, Edson e Sueli se casaram e foram trabalhar na churrascaria, junto com o casal Amantino e a Roswitha. Ainda naquele ano, por iniciativa do Edson, passaram a servir espeto corrido de terça a domingo. Assim foram até 1996, ano quando um enfarto levou o senhor Amantino, que trabalhou diariamente no restaurante da família Tulio até seu último dia de vida. Também em 86, Edson interrompeu o serviço de espeto corrido e voltou a servir a la carte, mantendo-se sempre entre a churrasqueira e o salão do restaurante. “A clientela que frequenta segue sendo, em boa parte, de amigos, vizinhos, eles querem me ver aqui” – revelou Edson para a Tutano. Ele conta com um assador que o auxilia nas tarefas, mas segue firme na “boleia” da grande churrasqueira de onde saem, além da disputada costela de ripa, servida somente nos jantares, outras carnes tradicionais, como o xixo de mignon. Os cubos de carne chegam à mesa macios, fora do espeto, acompanhados de saladas de tomate e alface, cebolas, feijão cavala, maionese caseira, farofa e a deliciosa cebola na conserva de vinho. Tudo é delicioso, com aquele inconfundível toque caseiro.

A terceira geração

Em 2012 a administradora de empresas e filha do Edson, Larissa Tulio, começou trabalhando na contabilidade e com compras. Foi o ano em que o “costelão” se tornou a Churrascaria Amantino. Dois anos depois o irmão, Yuri –  formado engenheiro químico –, também se juntou à terceira geração da família a comandar o negócio. Ainda em 2014 ele introduziu os pratos executivos*. A receita deu tão certo que são servidos até hoje como uma opção a mais nos almoços.

Casa de Birra

A última novidade desta família empreendedora é mais um “rebento” ainda jovem. Em comum: nasceu também com fome e no mesmíssimo terreno onde brotam e crescem os negócios dos Tulio. Em dezembro de 2017, a Larissa e o marido dela, Anderson, inauguraram a Casa de Birra, ao lado da Churrascaria Amantino. São cerca de 160 rótulos de cervejas artesanais disponíveis para levar para casa ou para consumo ali mesmo, na loja que já começa a ter aparência de barzinho, com mesas bistrô lá dentro e para fora, diante da calçada agradável daquele trecho da Manoel Ribas.

Com uma boleia de caminhão no princípio de sua história, a churrascaria que começou no galpão de chão batido consolidou-se como referência de endereço para se comer ótimo churrasco. A família Tulio vem demonstrando que a qualidade nos produtos e cordialidade no atendimento são os ingredientes fundamentais desde quando as famílias italianas chegaram a Santa Felicidade e mudaram o jeito da cidade se relacionar com a gastronomia.

Churrascaria Amantino

Av. Manoel Ribas, 6047, Santa Felicidade
(41) 3272-4165
Segunda a sexta-feira, 11h30 às 14h30
Terça a sábado, 19h às 22h30
Sábados e domingos, 11h30 às 15h

*Os pratos executivos são de filé de peito de frango, bisteca, fraldinha ou contra-filé e variam de R$15,90 a 19,90.

**A costela é servida somente no jantar e aos domingos (almoço).

rodape_andre

André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

Leia mais:

Churrasco sem frescura
Churrascaria Arco Íris recebe o Selo Tutano Gastronomia
Churrasco e uísque à vontade em evento da Jack Daniel’s em Curitiba
Lugares para comer Churrasco de Igreja, segundo leitores Tutano

Artigo de: André Bezerra

COMPARTILHE ESTA MATÉRIA
AVALIAÇÕES
(19)
  • Excelente
    19
  • Muito bom
    0
  • Normal
    0
  • Ruim
    0
  • Horrível
    0
DÊ SUA NOTA: