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5 restaurantes orientais para diferentes gostos e bolsos em Curitiba

28 de outubro de 2016

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André Bezerra fez um roteiro oriental, passando pelas cozinhas da Índia, Tailândia, Coreia, do Nepal e Japão

Fixando o olhar um pouco mais atentamente sobre a gastronomia disponível em Curitiba e, novamente, a constatação: a capital paranaense guarda o mundo em si.

Dessa vez nossa missão junto à Tutano era descobrir um pouco mais sobre a cena oriental. Queríamos visitar algumas Casas que representassem, com muita originalidade, o que as pessoas encontram quando saem para comer lá do outro lado do mundo. E eis que realmente tem lugares fazendo bonito. Não apenas nos pratos que chegam à mesa, mas também no ambiente e no serviço, que aproximam o curitibano – nato ou de passagem – da experiência de estar em uma Casa oriental. Sem deixar nossa cidade, fizemos agradáveis incursões pelo Nepal, Índia, Tailândia, Coreia e até um “Izakaya”, que é o típico boteco japonês onde as pessoas vão para beber sake enquanto degustam porções e tiragostos.

Dá para dizer que Curitiba faz parte do caminho das Índias. Aqui se encontram as coloridas masalas indianas, nepalesas e tailandesas. Casas cheias de personalidade usam os temperos mais aromáticos ao prepararem pratos com apresentações irresistíveis. A cultura japonesa salta aos olhos através de louças, arte, ambientes e até por meio do senso de humor. A cordialidade e paciência coreanas brotam de um balcão onde nos debruçamos. Os botequeiros brasileiros se sentem em casa entre um gole de “maracujazinho” e uma garfada de yakisoba. Encontramos o forno “tandoor”, de onde saem os naan mais saborosos. E o melhor de tudo: tem programa para todos os gostos e bolsos.

Izakaya Hyotan

Ao lado da porta, entre outras coisas, a placa avisa: “Já comeu, já bebeu, favor liberar o lugar”. É que são apenas 20 assentos ao longo do disputado balcão. Entrando, outra placa anuncia que “não tem sushi, sashimi, temaki, yakisoba”, “não tem shoyu”, “todos já moramos no Japão” e “é proibido encher o saco”. Ao tomar o meu lugar, fiquei imaginando uma gangue de samurais tatuados irrompendo bar adentro e me atirando para fora. Não aconteceu. O trio adiante é tatuado e já morou no Japão, mas tudo o que eles farão contigo é servir petiscos, espetos e porções japonesas como você não encontrará em nenhum outro lugar em Curitiba. As opções de menu estão entalhadas na madeira acima do balcão. Em japonês, naturalmente. Fixe os olhos e vai encontrar a tradução para o português. O Keiji Mitsunari está no ramo de bares há mais de dez anos e abriu esse bar há cerca de um ano, com seu sócio Horihana. Mal sentei e ele colocou um copo bem servido de Haku Tsuru na minha frente, mas tem chopp muito bem tirado se você não for do sake. E tem uma boa carta de whisky japonês. Há excelentes opções de drinques, todos preparados com “Shochu”, que é um tradicional destilado. Trilha sonora brotando com canções japonesas, resolvi pedir a comida: nirá, folhas de nabo, sunomono, nasubi, daikon e kimpira gobo. Esse foi o petisco. Segui com um espeto de polvo. O tentáculo chega assado na grelha e o Keiji disse que o de língua de boi também é um dos mais pedidos. Finalmente passei para a porção. Bolinhos de polvo encimados por Katsuo Bboshi – casca de peixe que ficou defumando por três meses, raspada e usada em molhos, caldos e temperos japoneses. O chef Sato ama o que faz, tenho certeza. Assim como o próprio Keiji e o Will, que fecham o trio atendendo o balcão. Grande pequena Casa!

Al. Augusto Stellfeld, 1281, Bigorrilho
(41) 3224-1910
Terça a sábado, 18h às 23h

Foto: Izakaya Hyotan

Everest Inn

Aberto em fevereiro de 2016 pelo casal de nepaleses Min e Indra Gurung. Ela fica no caixa e administração enquanto ele vai para a cozinha, junto com o Diego de Souza. Os dois se conheceram na cozinha do Swadisht e, hoje, servem pratos executivos com receitas indo nepalesas bem no centro de Curitiba, na Galeria Osório. Todos os dias há duas opções a R$17,90 ou R$20,90, sempre acompanhados do delicioso bolinho “samosa”. Às sextas tem também o puri, que é uma receita de pão nepales à base de trigo e batata. Para almoçar, escolhi um Navaratan Korma vegano – mix de nove vegetais, creme de caju e leite de coco fresco, tudo maravilhosamente temperado com masala. Para acompanhar e equilibrar a pimenta, pedi um lassi de manga, que é uma tradicional bebida à base de iogurte natural. A Min recomendou que eu voltasse numa sexta-feira para provar o Malai Chicken, que é uma espécie de estrogonofe de frango, só que com receita indiana.

Galeria General Osório. Praça Osório, 333, loja 27, Centro
(41) 9566-4949
Segunda a sexta-feira, 11h às 15h

Oriental – “Dona Chung”

Uma pequena garagem com tenda na frente. Lá dentro, um balcão onde se debruçam os frequentadores de longa data. É que quem conhece o Oriental e a coreana, Dona Chung, quer voltar algumas vezes. Não se sabe exatamente há quantos anos essa senhora chegou ao Brasil, assim como também é um mistério a idade dela. Consegui descobrir que inaugurou esse espaço em 2007. Na cozinha, aberta atrás do balcão, ela se alterna entre o preparo dos pratos de yakisoba – conhecido na região do Bigorrilho –, dos rolinhos primavera e, quando tem o peixe disponível, das porções de lambari. Tudo muito caseiro – os legumes saem das tupperware –, acompanhado por cerveja bem gelada a preço justo. Além da cerveja, tem “maracujazinho” e “escurinho”. Saindo do rádio da Dona Chung, ouvi de Caubi Peixoto a Jon Bon Jovi enquanto aguardava o meu prato e escutava a conversa animada dos habitués em volta do balcão. Tudo o que eles dizem ou pedem para a Dona Chung, ela concorda animadamente. As pessoas também ligam e passam apanhar seus pratos na hora marcada para levarem e comerem em casa. O prato individual de yakisoba, muito bem servido, vale mais do que os R$11,00 que ela cobra. Para duas pessoas sai a R$16,00. O rolinho primavera custa R$3,50, mas esse não cheguei a experimentar.

Rua Bruno Filgueira, 2296, Bigorrilho
(41) 3335-8425
Diariamente, 11h30 às 15h e 18h às 21h30

Tuk Tuk

Tudo nesse restaurante é criativo, vanguarda, original. Tipo a Tutano Gastronomia. Talvez essa uma das razões por que nos identificamos logo de cara: a casa que o abriga, no Hugo Lange, é bonita, com um jardim gramado e paredes coloridíssimas, cobertas pela arte vibrante do artista plástico local, André Mendes. Pertence ao casal Yuri e Giovana, que morava lá quando resolveu abrir o restaurante, e foi adaptando ao sabor do próprio empreendimento. Ele, descendente de russos; ela, de família italiana. Ele é cozinheiro, ela é diretora de teatro. O Yuri se encarrega da cozinha; a Giovana, da administração e tudo mais. Ele já trabalhou em Casa italiana, preparando massas. Ambos já tiveram um carrinho de hotdog. Tempos idos. Quando ainda preparava comida italiana, o Yuri foi convidado por um cliente assíduo para ir cobrir férias no restaurante dele. Era o indiano Rohi Khemani, dono do Swadisht. Não adiantou o Yuri dizer que pouco conhecia da culinária daquele país, o Rohi disse que ele aprenderia na prática, ofereceu cursos e ainda mandou o Yuri estudar na Blue Elephant Cooking School, na Tailândia. Yuri aprendeu. No dia quando estive no Tuk Tuk, eram cinco opções de refeições – todas a R$25,00 – além das salmosas e sobremesas. Apenas a receita com carneiro custa um pouco mais, R$35,00. Optei pelo Chicken Biryani – prato indiano de arroz cozido com frango e especiarias, alho e noz-moscada. Uma explosão de sabores. Para acompanhar, lassi. O brasileiro precisa incorporar essa bebida. O Yuri me apresentou o forno “tandoor”, original do Afeganistão. Uma das coisas incríveis que sai desse forno é o naan, hoje o meu pão favorito. Chegou ainda quente e poderia ter fechado a refeição por ali. Mas fiz questão da sobremesa. Escolhi uma receita do próprio Yuri: banana com creme de curry e ganache de chocolate e coco. Percebendo o meu interesse nos contrastes dos sabores, cores e texturas, o Yuri e a Giovana enveredaram em uma breve explicação para esse tremendo leque gastronômico. Tem a ver com a diversidade religiosa reinante entre os países asiáticos: tem gente que não come boi, há quem não coma porco, alguns fiéis evitam ingerir qualquer bicho que vá embaixo da terra, outra vertente não ingere bicho que voe, e por aí vai. Em meio a tamanha diversidade, ainda existem todos os temperos, pós e especiarias que dão origem a algumas das mais ricas, aromáticas, saborosas e multicoloridas masalas – os temperos característicos da gastronomia de alguns países.

Rua Camões, 1888, Hugo Lange
(41) 3354-5125
Terça a sexta-feira, 11h30 às 14h30, sábado, 12h às 15h30

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Swadisht

Alguém uma vez me contou sobre Bollywood, a indústria de cinema de língua hindi, maior da Índia. Na época, fiquei impressionado com sua riqueza estética e cultural. Também me impressionei com o restaurante Swadisht, dos irmãos Rohi e Jeeto, ambos indianos. Do projeto de iluminação, arquitetura e decoração até o cuidado com louças, uniformes, serviço, adega, áudio e vídeo, tudo foi minuciosamente pensado para alinhar à cultura indiana e harmonizar com o que vem da cozinha. O chef Raví se esmera na criação e no preparo dos pratos. Quando minha refeição chegou à mesa, estava imerso em aromas, música indiana, ambiente suntuoso, agradável e até nos vídeos nas telas das paredes. Clipes indianos, naturalmente. Eu estava olhando para Bollywood enquanto lia sobre a importância do pavão na cultura indiana. Minha intenção era garantir-me boa comida a um preço que coubesse na média dos bolsos. Por isso pulei o prato principal e optei por abrir com a Raita – salada à base de iogurte e molho indiano. Fui então de meia-entrada, com o Vegetable Manchurian – bolinho de legumes e pimentão com gengibre e condimentos à moda indo chinesa. Muito bem servido para alguém sozinho, como eu. Imagino que o prato inteiro deve dar para quase três pessoas. Para acompanhar, pedi o Garlic Naan – pão indiano preparado com alho e assado na hora no forno “tandoor”. E ainda optei por tomar um Sweet Lassi e equilibrar os sabores mais picantes. A pimenta vem para o próprio cliente aplicar a gosto sobre os pratos. Se quiser ter contato com a culinária e cultura indianas, o Swadisht faz história na cidade.

Rua Vicente Machado, 2036, Batel
(41) 3015-1056
Segunda a quinta-feira, 19 às 23h30, sexta e sábado, 19h à meia-noite.

Foto: Swadisht

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André Bezerra é diretor da Monstro Animal, produtora de eventos. Quer seguir? @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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