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Circuito 20tão, por André Bezerra

9 de novembro de 2018

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Seis botecos que vão caber no seu bolso

Em tempos de vacas magras, a primeira coisa que pensamos ao planejarmos um circuito bem econômico é: o que define barateza? O termo é relativo se considerarmos que comer barateza para uns não quer dizer que seja assim para outros. Vai do tamanho do bolso de cada um, certo? Na verdade, sim e não. Por isso resolvemos garimpar alguns lugares que têm opções realmente em conta para todo e qualquer bolso. Mais do que isso, concluímos que as pessoas quando vão para um rolê raramente saem sozinhas para comer e beber, somos seres sociais. Queríamos visitar botecos que fossem capazes de oferecer opções de petiscos ou pequenas refeições que servissem até duas pessoas no valor aproximado de R$ 20. E tinha que ter uma bebidinha inclusa porque, afinal, no boteco a gente quer tomar daquela água que passarinho não bebe.

Eis que encontramos alguns lugares que fazem bonito a partir de uma merréquinha, a partir de 20tão.

Bar do Durva

Em 1997 o Dorvalino Soethe abriu uma padaria na Vicente Machado. Na década de 90 não havia tantas opções de botecos na região onde hoje está a Prainha da Vicente. Por isso, a padaria passou a servir cerveja e as pessoas paravam ali para fazer um happy hour. Notando que a cerveja gelada girava bem mais do que o próprio pãozinho quente, o Durva, apelido do Dorvalino, resolveu investir no DNA do estabelecimento. Nascia o Bar do Durva.

De 2015 pra cá, quem toca o negócio é o Marcelo Begamasco, sobrinho do Durva. Em meio à profusão de botecos com comida de rua e chope artesanal, o Bar do Durva segue apostando no atendimento nas mesas pelo salão e na varanda para a calçada, televisão para ver os jogos, cerveja trincando e petiscos variados, tudo a preços honestos. Tem cerveja de 600ml a partir de R$ 7 (Lokal). Skol, Brahma e Devassa custam R$ 10. Comemos uma porção de polenta frita com queijo e verde por R$ 12. E ainda há ótimas opções de salgados a R$ 5.

Av. Vicente Machado, 783, Batel
Terça a quinta-feira, 15h à meia-noite
Sexta-feira a sábado, 15h às 2h
Domingo, 16h à meia-noite

Bar do Toninho

Não dá para fazer um circuito barateza sem encostar no balcão do Bar do Toninho. Aliás, ali a gente entra e vai, pessoalmente, direto para uma das geladeiras e apanha uma garrafa de cerveja estupidamente gelada. Daí é só colocar sobre o balcão que o próprio Toninho, a Dona Vilma (esposa), o Juba (filho) ou a Ina (nora) vão destampar e marcar no caderninho para você pagar na saída. Mas, atenção: leve dinheiro em espécie porque o bar não passa nenhum tipo de cartão. Ele é pequeno, tem mesas no pequeno salão com paredes cobertas por pôsteres de futebol e com os amigos do Bar do Toninho. As cervejas 600ml custam a partir de R$ 7 (Kaiser), e tem Amstel a R$ 10. Se gostar de algo mais quente, prove o “maracujazinho” que custa R$ 6. Os salgados — deliciosos preparados pela Dona Vilma — custam R$ 5, os pastéis fritos na hora são gigantes e custam R$ 6 (carne ou queijo) e R$ 7 o especial (com carne, queijo, azeitonas e ovo) que provamos e achamos delicioso.

Rua Alferes Ângelo Sampaio, 1776, Batel

*Diariamente, 11h às 23h
*Ou, como lê o quadro sobre a parede, um presente de um freguês amigo para o Toninho: “Das zóra cô quéro até as zóra coquizé”.

Dona Chung

A famosa senhora coreana que serve o yakisoba numa portinha para a rua na Bruno Filgueira também oferece outras opções de comidinhas feitas na hora. Dessa vez fomos experimentar os rolinhos primavera (R$ 4 a unidade) e os bolinhos guioza (R$ 2 a unidade). Uma delícia de petisco. Já o baita prato de yakisoba com produtos fresquinhos sai por R$ 14. Embora haja um balcão, o charme é escolher uma das poucas mesas sob o toldo para a calçada. Para beber, tem cerveja a partir de R$ 4,50 (Brahma “gordinha”) ou as batidas. Recomendamos a de maracujá que custa R$ 3,50. Tudo merréquinha mesmo, mas tem que ser no dinheiro, a Dona Chung não aceita cartões.

Bruno Filgueira, 2296, Bigorrilho
Diariamente, 11h às 15h e 18h às 22h

Nakarocha

João Nakarocha é o nome do proprietário, mas os fregueses também chamam de “Bar do Japonês”, “Bar do João” ou simplesmente Naka. Trata-se de um botecasso com um longo balcão de fórmica e mesas em plena São Francisco. Os PFs são famosos ali, mas nós fomos em busca de mais uma grande estrela, comentada nos quatro cantos de Curitiba: o Bolovo. Por R$ 4 você degusta esse quibe frito delicioso, super bem temperadinho, recheado com um ovo cozinho inteiro. Uma especiaria. Há outras opções de salgados, além dos tradicionais acepipes de boteco, mas nós nos abraçamos ao bolovo, jogamos um molhinho de pimenta em cima e fomos muito felizes. Para beber, tem Skol e Antarctica 600ml por R$ 7, Brahma por R$ 7,50, Brahma Extra a R$ 8 e, se você é da Serra Malte, custa R$ 11. Nem precisamos dizer que elas chegam trincando na mesa ou no balcão.

Rua São Francisco, 225, Centro
Segunda a sexta-feira, 9h às 22h
Sábado, 9h às 17h

Super Bom Lanchonete

Vá à rua São Francisco e pergunte pela Super Bom Lanchonete. Se alguém te responder, na lata, onde fica, por favor nos apresente essa pessoa. Vamos querer saber se “é verdade esse bilhete”. Ninguém, ou muito pouca gente, conhece a Super Bom. Agora, se você perguntar pelo “Bar da Inês” ou “Bar do Casemiro”, dificilmente haverá alguém que não conheça. É que o estabelecimento foi fundado em 1983 pelo Casemiro que atendia no balcão enquanto a esposa dele, Dona Inês, cuidava da cozinha. O resto você já pode imaginar, é uma história de família. Com o falecimento do senhor Casemiro, a Dona Inês assumiu o bar. Hoje o Leandro, filho do casal, toca junto com a mãe: “eu trabalho aqui desde quando nasci”, contou-nos ele detrás do longo e charmoso balcão de fórmica, um dos balcões favoritos da pessoa que escreve este texto.

E o que tem para comer com uma merréquinha? Bem, pergunte o que não tem, porque são muitas opções. Nós fomos de vina com molho (R$ 1 a unidade), linguiça no prato com farinha (R$ 2,50) e também o delicioso pastel de carne (R$ 2,50 a unidade). E tem pedaço de frango frito (peito ou sobrecoxa) a R$ 3,50, porção de bucho a milanesa a R$ 10 para 2 pessoas e dobradinha ao molho, também para 2, a R$ 13. Bebemos o delicioso maracujazinho (R$ 4) e finalizamos com uma cerveja bem gelada: as de 600 ml custam R$ 7 (Skol e Antarctica), R$ 7,50 (Brahma) e R$ 11 (Heineken, Original e Serramalte).

São Francisco, 184, Centro
Segunda a sexta-feira, 9h às 21h30

Villa Bambu

O Villa Bambu é um tradicional reduto da Trajano e que arrendou a cozinha para o Jubiaba — restaurante com nome de um polêmico personagem do Jorge Amado — que funciona no andar de cima com uma pegada mais gourmetizada. Embaixo, no pequeno e disputado salão do Villa, a chef Anna Carolina Fogaça prepara opções conforme o dia. Nós fomos de fatias de pizza portuguesa e de brócolis com milho e cream cheese. A massa, delícia, é artesanal e 100% vegana, feita da levedura na fermentação lenta. Custa R$4 a fatia. Também matamos uma esfiha de PTS (R$ 5). Ouvimos falar maravilhas do bolovo deles, que também custa R$5, e do sanduíche de pernil com vinagrete, que custa R$ 7, mas é servido apenas às sextas-feiras. Para beber tem cervas a partir de R$ 5 (Lokal) e R$ 6 (Bavaria). Também tem chope Xamã de 400ml a R$ 10, pinga com mel a R$6 e Ypioca com mel a R$ 7. Novamente, o colunista que vos escreve saiu do boteco chamando urubu de Meu Loiro, postando sobre as conversas imaginárias dele com a Dana, trançando as pernas e mandando zaps super amorosos para o Beto Madalosso, que está ralando e colhendo muita novidade no MESA SP lá em São Paulo.

Trajano Reis, 56, São Francisco
Diariamente, 12h à meia-noite (exceto sábado que vai até 1h da manhã)

rodape_andre

André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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COMENTÁRIOS
  • André Bezerra , meu parabéns pela reportagem....Adorei , sensacional ...
    Muito bem feita e com os melhores lugares de Curitiba para comer e beber barato...Adorei.
    Estou morando na Nova Zelandia , mas confesso , estou morrendo de saudades da nossa Curitiba....Grande abraço.

  • Somente faltou comentar que na Dona Inês tem o melhor pão com bife e carne de onça. Parabéns pela matéria, falta conhecer alguns deles.

  • A chef Anna Carolina Fogaça manda muito bem. Parabéns villa bambu pela parceria com o Jubiaba. Comida feita com amor e de melhor qualidade. Parabéns jubiaba