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Dersou Paris, onde o Japão encontra a França

25 de agosto de 2017

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Vicente Frare conta sua experiência no restaurante japonês do chef Taku Sekine, em Paris

Paris, Cidade Luz. Capital do romance, terra de luxúria, castelos e queijos. Existe a Paris do Arco do Triunfo e das vitrines grifadas da Avenue Montaigne. Chanel e Louis Vuitton. Existe a Paris abarrotada de turistas ao longo da avenida Champs-Elysées e das filas quilométricas do Museu do Louvre. Made in China, Monalisa, Rue de Rivoli. Tem também a tradicionalíssima Paris dos restaurantes La Tour d’Argent, dos cafés do Boulevard Saint-Germain e das livrarias do Quartier Latin. Aznavour, Piaf, Belmondo. Mas a Paris de que eu mais gosto não está em nenhum desses lugares. Ela fica mais para o leste, entre a Place de la République, o Canal Saint-Martin, a Place de la Bastille e o Boulevard Oberkampf. Ali Paris é mais jovem, mais cosmopolita, mais inovadora e, ao meu ver, mais autêntica. A Paris do rap, do verlan, do franglais. E por essas zonas estão abrindo bares, cafés e restaurantes comandados por chefs e empreendedores estrangeiros, onde se fala inglês com tanta fluência como o francês e ninguém faz cara feia.

Um desses restaurantes chama-se Dersou

comandado pelo japonês Taku Sekine, que trabalhou para Alain Ducasse em Tóquio. Ali, Sekine pôde aprender as técnicas da culinária francesa para depois revolucioná-la. Na verdade, existem mais de 32 restaurantes bacanas com chefs japas no comando, mas esse é, sem dúvidas, o mais cool. Junto com seu amigo mixologista premiado Amaury Guyot abriram o Dersou em 2014 para servirem nova gastronomia franco-nipônica harmonizada com coquetéis criativos. Como eu adoro novidades e estou sempre “namorando” lugares assim pelo Instagram para colocar no meu site TravelVince, reservei uma mesa para quatro e levei uma brigada de três críticos, meus amigos gourmands de Paris. Eles são amigos legais, mas comensais muito chatos, pois são daqueles que só comem camembert do tal mercado, vinho de tal produtor. Tipo bicha fresca, mas corri o risco, afinal, adoro ser a primeira vez das pessoas, para o que for.

As combinações são diferentes, os gostos não tão óbvios e os drinques são preparados com vodca, uísque, gim e outras delícias alcoólicas, mas nenhum se parece a um gin-tonic ou a um whisky-sour.

O bom do Dersou é que você não tem muita opção. Dá para escolher apenas o tamanho do menu degustação (seis ou nove pequenos pratos), se vai querer fazer a harmonização (ou tomar cerveja) e se tem restrições alimentares (tipo não como vaca preta nem pato marrom). Pronto, c’est tout. Gente fresca melhor não ir. Não que a comida seja ruim ou que sirvam coisas estranhas como rins, cérebros e fígados (algo bem comum na França). Mas as combinações são diferentes, os gostos não tão óbvios e os drinques são preparados com vodca, uísque, gim e outras delícias alcoólicas, mas nenhum se parece a um gin-tonic ou a um whisky-sour. E está aí o barato do Dersou (que não é barato infelizmente). Você sai da tua zona de conforto.

Alguns pratos que me marcaram: salada verde com sorvete de wasabi e o pato com purê de ameixa e vinagrete de morangos. Os drinques eu já esqueci. Preferiria ter tomado uma garrafa de Pinot Noir, mas o vinho do cardápio não me apeteceu. Poderia ter pedido uma cerveja artesanal, mas optei pelos drinques por serem diferentes e pelo mixologista ser fodão. Todos estavam uma delícia e subiram à cabeça, tanto que na saída consegui levantar meu amigo Alan no colo. E todos ficaram felizes e satisfeitos. Foi um grande ménage parisiense. Recomendo!

21 rue Saint Nicolas – Paris
+33 9 70 38 52 86
Terça a sexta, 19h30 às 23h
Sábado, meio-dia às 15h e 19h30 às 23h
Domingo, 12h às 15h

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Artigo de: Vicente Frare

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