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Don Max, por André Bezerra

16 de março de 2017

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Nosso colunista conta a trajetória do Don Max

Era uma vez um jovem ator, Paulo Zanatta. Em meados da década de oitenta, quando já havia cursado arquitetura, ele resolveu estudar teatro na Inglaterra. Seria ator profissional.

Já na terra de Hamlet, precisou reunir dinheiro para pagar os estudos. Por isso, enquanto frequentava as aulas, começou a trabalhar em restaurantes. Vivendo em um dos lugares mais cosmopolitas do planeta, circulou entre salões e cozinhas de casas de várias nacionalidades. Além das artes cênicas, aprendeu muito sobre o negócio de ter um restaurante e lidar com gastronomia. Ainda na Inglaterra, nasceu o Pietro. Quando o menino havia completado três anos, o Paulinho decidiu que era hora de retornar, com esposa e filho, ao Brasil. Era 1994, e a experiência internacional havia durado oito anos.

De volta a Curitiba, mais dois anos se passaram entre as atividades de ator e outras investidas profissionais. Não estava fácil se estabelecer profissionalmente. Pietro crescia e o Paulinho decidiu se dedicar, “temporariamente”, a outra atividade que havia aprendido lá fora. Corria 1996 quando, em troca de uma linha telefônica “e mais alguns trocados”, o ator Paulo Zanatta comprou um pequeno restaurante em uma rua arborizada do Água Verde: O Don Max.

Era um pequeno imóvel com poucas mesas dentro, além de uma “televisão de cachorro” na calçada, para a rua. No início, abria para almoço e jantar. Passaram a servir rodízios de massas e de petiscos. Os amigos começaram a chegar e se encontrar ali. A maioria, gente do meio cultural – entre atores, músicos, artistas, fotógrafos e jornalistas. No princípio, todos eram amigos do Paulinho e do irmão dele – o ator, produtor e diretor de teatro – Mauro Zanatta. Um amigo chamava outro e o público fiel começou a crescer. Sempre buscando inovar também fora da cozinha, o Paulinho promovia segundas-feiras repletas de leituras de textos e poesias dentro do Don. O apoio à cultura atraiu mais artistas: músicos que passaram a tocar ali dentro, enquanto o público já se aglomerava na rua, igual ainda acontece.

No intuito de evitar que os amigos fossem embora para comer em outros lugares, da cozinha começaram a sair pratos mais elaborados. O primeiro tradicional foi o macarrão com molho sugo, mignon e champignon. Um belo dia alguém viu um amigo, o Ernesto – cliente até hoje – comendo esse macarrão. Não pensou duas vezes e gritou para o Paulinho: “eu quero o macarrão do Ernesto!”. E assim esse prato foi batizado. Atualmente, outros pratos muito pedidos são a berinjela gratinada e o mignon com shitake e gengibre.

O Don Max, por sua atmosfera cosmopolita e decoração original, é o tipo de lugar onde você pensa que poderia estar em qualquer parte do mundo. A vantagem é que, olhando ao redor, enxergamos muitos amigos.

Os anos passaram e, o que era para ter sido uma “atividade temporária”, tornou-se uma história de sucesso. Vinte e um anos completados essa semana, a atmosfera do Don Max continua sendo a mesma: um pequeno e aconchegante templo onde seguem se reunindo os amigos dos primeiros tempos, além de novos frequentadores. Ali se come maravilhosamente bem, entre goles de cerveja gelada, vinho e bicadas na cachaça artesanal. Em meio aos alegres encontros – todo mundo se esbarra no Don – memoráveis apresentações musicais e artísticas são executadas dentro do pequeno salão.

O Paulinho costuma saudar os artistas que ali se apresentam com a cachacinha própria, criando inclusive o rótulo exclusivo do artista ou da banda. Engarrafada também na de um litro, a Cachaça Don Max já conta mais de vinte sabores. Festas temáticas, como Halloween – quando os espaços invadem a rua – também já são tradicionais e muito aguardadas. O Don Max, por sua atmosfera cosmopolita e decoração original, é o tipo de lugar onde você pensa que poderia estar em qualquer parte do mundo. A vantagem é que, olhando ao redor, enxergamos muitos amigos.

E se você ficou curioso para saber sobre o que aconteceu com o Pietro Zanatta: hoje ele é músico e se apresenta semanalmente no Don Max.

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby.
Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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