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Essa é a Thamy Poli

10 de março de 2017

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Um texto inspiração para quem quer entrar para o mundo da gastronomia

Em outubro de 2016, recebi o currículo mais sincero de toda a minha vida, da Thamy Poli. Todo mundo ficou emocionado na Forneria Copacabana. Volta e meia me perguntam “onde anda a moça do currículo, ainda está com vocês?”. Eis a resposta: sim. Mais do que isso, ela acaba de ser efetivada, de estagiária para cozinheira. A Thamy não é só uma profissional corajosa (como muitos que aqui trabalham), ela é uma PESSOA corajosa, que, mesmo com pouca idade e jeitinho inocente, dá a cara a tapa, expõe sua alma em seus textos, e, ao mesmo tempo que vai aprendendo, vai ensinando a gente a viver intensamente!

O texto que vou colar aqui embaixo é dela. Escreveu hoje. Pode servir de inspiração pra muitos que querem entrar pro mundo da gastronomia, sejam estudantes ou não.

“Eu demorei um pouco para me dar conta de que eu era completamente responsável pelas energias que o universo trocava comigo, e que essa história de sorte é só mais uma forma de dizer à si mesmo que nós não merecemos genuinamente nada de bom que acontece com a gente, e não é bem assim, ou você faz acontecer, ou então nada realmente vai acontecer.

Em algum momento da minha vida, lá atrás, eu decidi ser cozinheira, isso eu já contei, mas eu não decidi ser mulher, ter 1,58 e ter um biotipo que faz com que as pessoas queiram me abraçar antes qualquer coisa – quando você escolhe seguir uma carreira de dominância masculina, tanto dentro da cozinha quanto no salão, isso te traz motivos de sobra para resistir o tempo todo, antes mesmo de enfrentar algo, nunca vai ser tão simples.

Dia 29 de outubro eu mandei um currículo dando minha cara à tapa, dizendo o quanto eu queria um estágio e o quanto eu me garantia como profissional – onde 10% era experiência e 90% era vontade de fazer acontecer. Dia 31 eu tive uma resposta intrigada do Beto por e-mail e, no mesmo dia recebi uma ligação entusiasmada da Juliana logo na manhã: “Adivinha quem é?! É a Juliana do RH do Forneria Copacabana, o Beto encaminhou seu currículo para mim e acabou de abrir uma vaga para estágio no turno da noite, você consegue começar hoje?”. Algumas horas depois eu já estava sendo apresentada ao Wellington como a nova estagiária – eu quase chorei nessa hora, o chef me zoa até hoje com o fato de chorar fácil quando fico emocionada . Bom, por mais que a vontade seja muita, a gente nunca sabe muito o que esperar de situações tão novas, e eu não sabia o que esperar de uma cozinha, nem das pessoas com quem eu ia compartilhar ela, ou da sinergia que já acontecia lá dentro todas as noites. Foi lindo, desde o primeiro dia!

Fiquei acabada quando vi um primeiro colega ser demitido logo no primeiro mês, e quando comentei meio triste sobre isso com o Lucas ele me olhou rindo e disse: Thamyzinha, dentro de uma cozinha ninguém é insubstituível, você ainda vai ver muito disso, ou você mete as caras, ou vai pra rua.

E sim, a cozinha é um ambiente caótico, mas é um daqueles caos organizados, e essa organização em constante movimento se parece quase como uma dança no fim das contas. É excepcional! Em fevereiro eu completei 4 meses de cozinha, colecionei cortes, queimaduras, bagagem, conversas, risadas, dores nos pés, zoações, histórias de vida, gentileza, correções, parabenizações, confiança, músicas novas que aprendi a cantar, abraços, histórias novas, agilidade, força física e mental, resistência e muito amor, não só pelo que eu faço, mas pelas pessoas que me ajudam a fazer isso acontecer todas as noites.

Eu nunca gostei de relações superficiais, sou dessas que movo o mundo se gosto de você, e fiquei acabada quando vi um primeiro colega ser demitido logo no primeiro mês, e quando comentei meio triste sobre isso com o Lucas ele me olhou rindo e disse: “Thamyzinha, dentro de uma cozinha ninguém é insubstituível, você ainda vai ver muito disso, ou você mete as caras, ou vai pra rua”. E é verdade, não só aconteceu mais uma vez como eu também percebi que se não tem algo forte dentro de você que te mova todos os dias à estar lá, você não consegue.

Um pouco antes de completar esses exatos quatro meses, eu fui chamada para conversar em particular com meu chef e a Juliana. A primeira coisa que eu ouvi foi: “Thamy, esse mês você completa quatro meses e nós queremos cancelar o seu contrato… Para te efetivar, é claro, se você quiser… Você vai assumir o Gard Manger e as sobremesas, mas logo menos a Josy está voltando, vai ficar mais tranquilo. Você quer?”. Depois do susto – que não foi pequeno – eu demorei um pouco para me dar conta do que aquilo realmente significava. Não era só minha vontade ou meu trabalho sendo reconhecido em pouco tempo, mas tinha confiança ali, e tem, todas as noites antes do chef começar o serviço dizendo “foco e agilidade, equipe”.

Todas as pessoas que fizeram parte disso sabem o quanto eu sou grata, e não seria justo nomear apenas alguns aqui, então deixo essa mensagem como um abraço coletivo gigante com muito afeto e gratidão, principalmente da minha parte. Cada um de vocês sabe a diferença que faz pra mim!”.

Leia mais:

Borboletas na madrugada
Um filho de dono de restaurante (parte 9)

Artigo de: Beto Madalosso

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  • Amei o texto, inspirador!