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Expresso Classique, por André Bezerra

7 de julho de 2017

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Nosso colunista conhece o trem de luxo da Serra Verde Express

Tocou o meu telefone. Era a Marian Guimarães chamando. Gosto muito quando a Marian me liga, normalmente convida para jantar em algum lugar bacana, acompanhá-la a um evento charmoso. Dessa vez o convite reunia as duas coisas, mas de forma totalmente original. Era para jantarmos no Expresso Classiqueúnico trem de luxo do Brasil. Três dias depois, apanhei a Marian e lá fomos nós ao jantar que vinha nos deixando ansiosos. A Marian é uma das jornalistas de gastronomia mais experientes do Paraná e eu estou começando a me descolar nesse ofício, mas posso dizer que já estive em alguns eventos do gênero, não sou propriamente um calouro. Mesmo assim, estávamos ambos ansiosos, afinal, não é todo dia que podemos jantar dentro de um trem de luxo. Já no caminho, a Marian foi me contando sobre o Adonai de Arruda Filho, amigo dela e nosso anfitrião: um dos empresários mais empreendedores do país, ele é o presidente da Serra Verde Express, empresa que detém a concessão federal da ferrovia Paranaguá – Curitiba desde 1997. Em vinte anos de trabalho, a Serra Verde incrementou o turismo ferroviário do Paraná e se tornou uma das mais importantes operadoras de trens turísticos do Brasil.

Em vinte anos de trabalho, a Serra Verde incrementou o turismo ferroviário do Paraná e se tornou uma das mais importantes operadoras de trens turísticos do Brasil.

Chegando ao nosso ponto de encontro, diante de uma grande garagem da Serra Verde, entreguei meu carro ao manobrista e caminhamos para a formação de seis vagões. Um promotor caracterizado de conferente nos indicou, à partir dos nomes na lista, o nosso vagão e número da mesa. Já havíamos escolhido, antecipadamente, o menu do jantar e o tipo de harmonização que gostaríamos: vinhos da Casa da França. Também poderíamos ter optado por hamornizar os pratos com cervejas da Bodebrown. Cada empresa destacou um sommelier. Dentro do vagão, fomos recepcionados pelo Adonai e pela Mariana, da Serra Verde Express. O Adonai falou sobre o projeto de revitalização que a empresa vem desenvolvendo para receber o Expresso Classique justamente em local de degradação natural e social: onde os rios Ivo e Belém se encontram, sob o viaduto do Capanema. Ali foi instalada iluminação cenográfica, o que permite um reconhecimento quase “surreal” daquele importante logradouro. O projeto também dá espaço a artistas locais, convidados para exporem suas obras ao longo do trecho por onde o trem circula. Na agenda de inverno, estão expostas obras de Maria Ines di Bella,  Alfi Vivern e Rubens Guenaro.

Ao sentarmos à mesa, o couvert estava servido e o maitre chegou para a primeira harmonização, com espumante. Soou o apito e partimos, em meio a obras de arte, pães, patês, bolhinhas de espumante e a vista noturna para o encontro dos rios. O trajeto levou cerca de dez minutos e paramos na estação. Toda caracterizada de Anos 30 – a década de ouro das ferrovias brasileiras – desembarcamos para uma apresentação musical, entre ambientes refinados, com charutaria, espaço café e lounge de dança. A parada dura aproximadamente uma hora. Esse o tempo para circular pela estação, encontrar os convidados dos demais vagões – cada carro é diferente do outro – observar os ambientes, fotografar e, no meu caso, como agente infiltrado da Tutano Gastronomia no Trem de Luxo, conhecer o primeiro vagão-cozinha do país. Sensacional observar a coreografia daqueles cozinheiros, comandados pelos chefs Alexandre Korman e Alessandro Berezoski. E o desafio não é dos menores: servir até 120 refeições, em cinco “atos”, entre couvert e sobremesa.

Às 23h, pontualmente, ao som de Trem das Onze, clássico de Adoniran Barbosa, o apito toca novamente e todos reembarcam para o jantar. Tanto a Marian quanto eu optamos pelo Menu com a opção peixe: um robalo com crosta de castanhas, arroz negro com shimeji e panache de legumes. Gostamos de todos os pratos, a harmonização com os vinhos foi muito bacana e o serviço, de primeira classe. Nada comparável, porém, ao programa como um todo. Estar dentro de um trem de alto luxo, com serviço de primeira, entre pessoas bacanas, comendo e bebendo bem, é um programa único. Ainda mais extraordinário se o trem estiver em movimento, circulando entre obras de arte e claros sinais do esforço de uma empresa no sentido de melhorar o mundo onde se comprometeu a atuar. O que fica da experiência com o Expresso Classique é que “luxo”, “gastronomia”, “arte” e “desenvolvimento social e ecológico” podem, sim, andar de mãos dadas. Isso desde os tempos da Maria Fumaça.

Sobre o Expresso Classique

Datas: 07 e 21 de julho/ 11 e 25 de agosto/15 e 29 de setembro
Local: Estação Ferroviária de Curitiba
Horário: 19h30
Valor: R$279 por pessoa. Crianças de até 10 anos tem 50% de desconto.
Inclui jantar completo, atendimento personalizado e estacionamento com manobrista. Não inclui bebidas.
Reservas e compras: (41) 3888-3488/ www.serraverdeexpress.com.br

 

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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  • Pena que o empresário responsável por este projeto e que recebeu a concessão federal não se preocupe com o estado dopatrimônio histórico e cultural ao longo da ferrovia que está aos pedaços. As antigas estações estão sendo depredadas e a ferroviária de morretes está quase caindo na cabeça das pessoas.