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Feira Especial de Inverno, por André Bezerra

13 de julho de 2018

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A Feirinha de Inverno da Praça Osório é o espelho de Curitiba

Eis um fato: a gastronomia curitibana traz o mundo em si. Seguindo o mesmo raciocínio, a Feira Especial de Inverno, instalada na praça Osório até 22h deste sábado, 14/07, reflete Curitiba, seus modos e manias. A iniciativa, mantida pelo Instituto Municipal Curitiba de Turismo e pela prefeitura, oferece artesanato e gastronomia. A Tutano investiu três tardes visitando as barracas e conversando com os feirantes.

Encontramos dezenas de barracas com farta gastronomia e receitas de famílias daqui e de várias partes do mundo. Para beber há de quase tudo, mas o quentão é a grande estrela e tem nas versões puro, com gemada, marshmallow e até sem álcool. Para comer as opções são inúmeras, entre doces e salgados. O pinhão, porém, está ao lado do quentão no coração dos frequentadores da feira. Assim como acontece com a bebida de vinho, ele é servido em diversas barracas diferentes.

É importante destacar que a feirinha é frequentada por todos, de turistas e estudantes, passando por casais de namorados, a famílias inteiras de curitibanos com crianças e bebês. Com relação a alguns cuidados indispensáveis, os donos de barracas participam de curso de manipulação de alimentos oferecido pela SMAB (Secretaria Municipal de Abastecimento) em parceria com o SEBRAE. Ao longo do período da feira são constantemente fiscalizados pelas autoridades públicas do setor de alimentação. Além disso, as barracas são avaliadas e recebem notas. Só pode renovar a licença quem se mantiver dentro da média mínima estabelecida. Encontramos tudo fresquinho e de boa qualidade.

Barraca Indígena

Se você gosta de milho e seus derivados, esta barraca é o seu destino. É ali que estão as pamonhas, bolo de milho, curau, torta salgada e as garrafas com o suco artesanal de milho, que é sensacional. As receitas, de família, são da Dona Derci, filha de mineiros. Mas, adivinhe quem é o campeão de vendas: milho verde que, assim como a pamonha, é servido bem quentinho. O milho custa R$ 5 , a pamonha doce custa R$ 8 e o suco sai a R$ 7 ou 12 , conforme o tamanho da garrafa.

Barraca do Chile

E que tal uma empanada chilena? Para quem confunde com as empanadas argentinas, saiba: a chilena é assada e leva uvas-passas no recheio. A Dona Raquel e o filho dela, Ulisses, oferecem a receita que ela trouxe do Chile há cerca de 45 anos. Essa delícia custa R$ 9 e tem de carne, frango, camarão, palmito, etc. Difícil não querer repetir.

Barraca da Amazônia

Esta barraca tem opções de receitas um pouco mais exóticas para o paladar menos habituado aos pratos do norte e nordeste do país, como a maniçoba, que é um prato de origem africana. Consiste numa espécie de feijoada, só que preparada com a folha da mandioca, além das carnes suínas. Tem tacacá, receita típica do Pará. Trata-se de um caldo feito com a goma da mandioca, camarões e tucupi. Leva também jambu, erva que pode provocar a sensação de formigamento na boca. Não é o caso da receita da Dora, paraense de Marabá e dona da barraca. Provamos com a pimenta caseira e saímos boquiabertos com o sabor, mas sem formigamento. Se você não é fã de provar novos sabores, vá de tapioca. A Araci vai preparar uma deliciosa com o seu recheio favorito. O tacacá custa R$ 17. As tapiocas doces e salgadas custam R$ 8, com até dois recheios.

Barraca do México

Aqui a gente foi feliz. Muito bem orientados pela dupla afinada de atendentes, escolhemos um taco de carne. A diferença entre o taco é o burrito é que a massa deste é de trigo, enquanto a do taco é de milho. Mas tanto as massas quanto os recheios da Elena, da província de Yucatán no México, são diferenciadas. E ainda tem a pimenta jalapeña dela, que aprimorou o sabor sem queimar a nossa boca. Quanto aos recheios, ainda tem frango e vegan, com PTS. E tem nachos. Os tacos custam R$ 14 e não tem glúten. Os burritos custam R$ 13 e os nachos R$ 12 ou R$ 18, conforme o tamanho da porção.

Barraca da Fogazza

Há mais de 20 anos a Dona Cida prepara as fogazzas nesta barraca. Ela é neta de italianos da região da Calábria. Não é de se estranhar que um dos recheios mais prestigiados é o de calabresa. Como dá para escolher até três opções de recheios, fomos de calabresa, mussarela e vinagrete. Este último bem fresquinho, caseiro, recomendamos. O mesmo sobre a massa, leve, caseira, segundo a Dona Cida “a receita tem uns segredinhos”. Como boa mamma italiana, enquanto comíamos a fogazza no balcão diante dela, ela contava sobre o chef Paulo, filho dela: ele tem um food truck, o Massa Macia, faz feiras e eventos e prepara “as melhores massas da cidade”. Nesta barraca a fogazza – doce ou salgada – custa R$ 15 e o quentão R$ 5.

Barraca do Lar Infantil Sol Amigo

Há quem vá até a feirinha simplesmente para comer pinhão tomando um copo de quentão. Nesse caso recomendamos a barraca do Lar Infantil Sol Amigo. Há quatro anos a instituição vem comercializando pinhão, além de quentão de vinho que pode vir com marshmallow, gemada ou sem álcool. Para qualquer um o valor é R$ 6 o pequeno e 10 R$ o grande. Também pode optar por colocar chantili, mas aí sobe para R$ 8 e R$ 12. A porção de pinhão custa R$ 5  e chega fumegando. E tem caldinho de feijão a R$ 10. As atendentes são voluntárias do lar e a Ane nos contou que toda a renda, exceto pelas despesas, vai para a instituição.

Barraca do Japão

Não há como ir à feirinha e não dar uma paradinha no Japão, ou melhor, na Barraca do Japão. Pedimos tempura de legumes, que é uma seleção de legumes empanados na hora e fritos. Delicioso, um dos melhores que já comemos e custa apenas R$ 8 por uma bela porção. Como a atendente e cozinheira Cida é muito simpática, acabamos engatando uma conversa e pedimos um yakissoba de legumes que ela preparou na chapa, bem ali na nossa frente. Mais uma receita deliciosa. Custa R$ 21 (500 g) e R$ 27 (800 g). Se quiser com carne, acrescente por R$ 3. Também pode pedir para viagem. A Cida contou que os proprietários da barraca são o casal Daniela e o Andreas. Ela é neta de japoneses e ele descende de poloneses.

Barraca do X-Picanha

Para preparar esse sanduíche no pão de hambúrguer bem macio, o casal Alecssandro e Cris resgatou um tempero de família e adaptou na carne. A picanha é picada na ponta da faca e leva tomates frescos, um toque de queijo e especiarias. A carne então é finalizada na chapa, na frente do freguês e vai direto para dentro do pão. Baita sanduba por R$ 13, não é à toa que esta barraca está nas mãos da mesma família de mineiros há cerca de 30 anos.

Barraca Gui – Polpetta

Aqui você vai comer as receitas de panini da família Luci. Eles são da cidade de Lucca, na Itália. Conversamos com o próprio Guile, que é um ótimo papo. Mas o atendimento na barraca é muito cordial e atencioso, seja de quem for. Além disso, os panini são realmente diferenciados. A polpetta que os recheia é caseira, a receita é da nonna, dona Ruth, mãe da Dona Nidia, que também trabalha na feira. A preocupação com a higiene e qualidade dos produtos salta aos olhos. O Guile ainda nos revelou que a polpetta não leva farinha nem gordura na liga. Optamos pelo panini polpetta formaggio que, além do queijo, leva bacon, azeitonas e batata palha. Custa R$ 15, mas há opções de outros panini a R$ 8. Também recomendamos o quentão caseiro de vinho colonial, um dos mais aromáticos da feira. Custa R$ 8, R$ 10 ou R$ 12, conforme o tamanho.

Barraca de Biscoitos e Chocolates

Se você não pode passar por uma feira de rua sem levar biscoitos e chocolates para casa,  para dar de presente ou distribuir na firma, a Barraca da Adriana e da Rosana tem chocolates, doces, pães de mel, bolachas e biscoitos de polvilho. Tudo caseirinho, fresquinho, uma gracinha.

Barraca da Associação Fenix

Outra instituição representada na feirinha é a Associação Fenix. Eles oferecem pinhão a R$ 5  a porção, e quentão, a R$ 5 ou 8, para 300 ou 180 ml. Falamos com a Ane, atendente, que explicou que os voluntários da associação atendem ali.

Barraca da Bahia

Foi com o sorriso caloroso da baiana Danila que fomos acolhidos na barraca Pedacinho da Bahia. Diante do balcão multicolorido ficamos em dúvida entre o acarajé, o abará (acarajé cozido na folha de bananeira), caruru, vatapá ou as cocadas e doces caseiros. Enquanto praticamente nos derretíamos com o cheiro do dendê, a Danila disse que foi a Dona Maria do Carmo, mãe dela e da Erica, quem abriu a barraca em 1989. A Dona Maria do Carmo voltou para sua terra natal, deixando a barraca e suas delícias ao cargo das duas filhas. Mesmo assim, ela vem a Curitiba uma vez por ano, em dezembro. É o mês de Santa Barbara ou Iansã. A Dona Carmem levanta uma barraca gigante na entrada da praça Osório onde realiza a tradicional Festa de Iansã, por onde passam cerca de 2.500 pessoas para provarem a receita de caruru, que é servida de graça. Ainda tem muita dança típica, batucada e cultura baiana e africana. Voltando ao Pedacinho da Bahia, fomos de abará, delicioso. Custa R$ 15 o tradicional e R$ 22 se for no prato (com o dobro da porção).

Pierogi do Miro

Em se tratando de Curitiba, como não prestigiar a colônia polonesa? Por isso fomos até o Pierogi do Miro. Os donos são o casal Miroslaw Borek e Romana. Ali no balcão conhecemos a Valéria, agente municipal de educação que programa as idas dela até o centro da cidade para poder aproveitar e ir comer o pierogi na feirinha. “O melhor pierogi de Curitiba, amo!”, declarou a Valéria. A empolgação dela era tanta que não nos fizemos de rogados, e pedimos um idêntico ao dela: pierogi de ricota com batata e molho de calabresa e champignon. Maravilhoso. As porções vão de três a 30 pierogis e custam entre R$ 6 e R$ 60. E ainda tem combos e pratos poloneses.

Pastel do Fofo

Estávamos quase encerrando nossa viagem pela feirinha e nos despedindo quando sentimos um aroma muito familiar pairando no ar: pastel. Não pensamos duas vezes e entramos na fila da Barraca Pastel do Fofo. Aquela massa sendo frita na hora, crocante e com cheiro bem gostoso não poderia ficar fora desse circuito. Chegando ao caixa da barraca optamos pelo de carne, R$ 5, e recebemos uma senha. Em cinco minutos o pastel estava na mão. Descobrimos que o Fofo é o Ronaldo Cavichiolo, descendente de italianos e as receitas da massa e dos recheios são dele.

Barraca da Bélgica

Mais uma bela opção para quem busca doces e sobremesas, a barraca pertence ao casal Leandro e Katia. Ali eles oferecem os tradicionais waffles, mas há também os panachés (morangos ou uvas no copo com cobertura de chocolate ao leite), espetinhos de frutas, doces e maçãs do amor. Quanto aos waffles, ficamos sabendo que a receita é dos antigos donos da barraca, um casal de belgas.

A Feira Especial de Inverno acontece na praça Osório, centro de Curitiba. Ainda tem hoje e amanhã, das 10h às 22h, com muita gastronomia e artesanato.

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rodape_andreAndré Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

Artigo de: André Bezerra

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