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Feirinha do Largo: do pré-hippie ao pós-hipster

15 de julho de 2016

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Elaine Minhoca e as tradições da Feirinha do Largo da Ordem

“Curitiba, cidade tão decantada e autorreferenciada, num inusitado arroubo de humildade, chama uma feira de artesanato com mais de 4 km de extensão de Feirinha…” Era mais ou menos isso que dizia um artigo da Folha de São Paulo sobre a nossa Feirinha do Largo da Ordem nos anos 1990. Frequento a dita desde o tempo em que era uma acanhada mocinha, tanto a feira quanto eu. O Relógio das Flores funcionava, Nireu Teixeira era em carne e osso, não em escultura, o Plá ainda não havia composto seu grande hit sobre ciclomobilidade (pra andar de bicicleta tem que ter moral, tem que ter moral, tem que ter moral…) e Junior Durski provavelmente estava cursando o colegial em Prudentópolis.

Sair de casa pra ir pra lá, passando pelo TUC, pela loja de discos Música Viva na Galeria Júlio Moreira e ir dançando atrás dos Hare Krishnas era o mais perto que eu conseguia chegar do Hair, o filme. Eu comprava minhas roupas lá (para desespero da minha mãe), vivia e respirava aquele ambiente. Meu ponto de referência sempre foi e continua sendo até hoje a barraca da Edna Pinsag e Pancho, artistas inigualáveis na arte do tear étnico que só melhoraram com o tempo. A gente tocava zampoña, muito mal por sinal. Mais perto da Casa Romário Martins, na barraca do Álvaro, que vende roupas e instrumentos musicais andinos, tem uma turma que toca de verdade. Tínhamos toda uma fé na contracultura curitibana. Essa fé, com o tempo, arrefeceu. Mas minha devoção para com a Feirinha vai bem, obrigada. Até porque a diversão gastronômica é garantida!

Chova ou faça sol estou lá. Inicio a minha jornada comendo o bom e velho acarajé das baianas antipáticas. Acarajé, como todos sabem, é igual a sexo: mesmo quando é ruim, é bom. Passo pelo Quintal do Monge para tomar uma Ipa/Apa/Opa/Whatever Ale, ou, eventualmente, o clássico dos anos 1980 do Scharzwald: submarino com provolone à milanesa. Outro clássico dos 80 é o Sal Grosso e seu alcatrão de polaco que serve três, no mínimo.

Pausa para comprar as balas de coco (também conhecidas como alfenins, para quem é chique) das tias que ficam perto da mesquita. E daí já é hora de levar falafel e charutinhos de parreira (os melhores do universo) do Oriente Árabe para um brunch improvisado na barraca dos amigos. Semana passada descobri que há 20 anos ganho desconto toda vez que compro lá e não sabia… Ainda fazem parte da minha lista gastronômica da feira: Tadeu, o Rei do Pierogue, com direito a pôster autografado do Karol Wojtyla; tacos mexicanos com pimenta bem fraquinha da Elena do Imix; salteñas bolivianas de responsa e o clássico caldo de cana com pastel. Enfim, dá pra passar um domingo bem bom, bem bicho grilo e bem gordo por lá. Vida longa e próspera à Feirinha do Largo da Ordem!

Elaine Minhoca de Lemos é colaboradora da Tutano, do Curitiba Baixa Gastronomia e autora do blog Cozinha de Minhoca.

Artigo de: Elaine Minhoca de Lemos

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