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Igor Marquesini, por André Bezerra

10 de setembro de 2018

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Nosso colunista foi até o Restaurante Igor investigar a história por trás daquela cozinha

No Restaurante Igor você será recebido amavelmente na porta pela Aline — noiva do chef — ou pelo garçom Sidnei. O salão é clean, móveis e louças são sóbrios, a iluminação é ambiente e a música brota suavemente da playlist do chef Igor Marquesini. Entre um gole de espumante, vinho ou cerveja artesanal e em meio aos pôsteres com imagens da flora do litoral paranaense, quando a refeição chega, você vê que tudo conversa nessa pequena casa.

Arroz, Coca Cola e Queijo Ralado

Embora o restaurante seja jovem como o chef Igor — 27 anos de idade e 6 meses de restaurante próprio —, os primeiros passos dele na culinária remontam de quando ainda era criança e frequentava três cozinhas: a da mãe, Rosângela, e as das avós.

“Eu ficava perto observando a minha mãe e minhas avós cozinharem. Minha avó Zoraide sempre cozinhou muito. A minha avó Lidovina tem um sítio em São Luiz do Purunã e ainda cultiva a maior parte dos ingredientes que vão para a panela (…) uma vez a minha mãe saiu de perto e coloquei Coca-Cola e queijo ralado no arroz enquanto cozinhava. Foi uma brincadeira, mas eu também queria testar e provar como ficava”.

Austrália

Felizmente a curiosidade do menino passou a ser melhor direcionada. Aos 12 se mudou com os pais para a Austrália, onde moraram por 4 anos. Na escola tinha aulas de pescaria, cozinha, marcenaria e artes. Tudo isso passou a influenciá-lo. Durante as pescarias promovidas pela escola, observava a Golden Coast e seu ecossistema marinho, fez as primeiras incursões oficiais na cozinha ajudando o jardineiro a preparar os sanduíches nos acampamentos. E foi na cantina da escola australiana que Igor provou, pela primeira vez, uma iguaria que viria a reler no restaurante dele: a torta de carne. Aos 13 ele ajudava o pai, Jorge, no churrasco e a mãe na cozinha. Em pouco tempo era ele quem cozinhava para ambos e, não demorou, para a família: “Eu preparava as refeições de dia dos pais, das mães, Natal e Réveillon”.

Brasil – Nova York – Itália

De volta ao Brasil, Igor fez faculdade de administração e, então, pós-graduou no curso de Gestão em Gastronomia. Também cursou um semestre de gastronomia e realizou estágios em alguns restaurantes curitibanos. A vida era levada entre a faculdade, a escola de gastronomia e os estágios nas cozinhas. No pouco tempo livre, Igor cozinhava informalmente. Durante o estágio de administração no Madero, ele decidiu: “Não nasci para ficar diante de um computador”. Por esta época começou a namorar a Aline Vendruscolo. Os dois viajaram para Nova York, onde Igor fez um estágio de curta duração no Anissa, que tem uma estrela Michelin. Depois ele seguiu para a Itália, onde morou por um ano estudando gastronomia e fazendo estágio em um restaurante na região do Piemonte, no norte. “A vida era estudar nos primeiros 4 meses. Nos 6 meses seguintes fui morar no hotel que abrigava o restaurante Piccolo Lago, onde eu trabalhava na cozinha. Lá a gente acorda cedo e vai para a cozinha, onde trabalhamos até o fim do dia, 7 dias por semana”.

De cozinheiro a chef e dono de restaurante

Em dezembro de 2014 o jovem cozinheiro regressou a Curitiba com bagagem. Em fevereiro de 2015 assumiu a praça de peixes no Manu, restaurante da chef Manu Buffara. “Foram 2 anos de muito aprendizado com a Manu e com o time do restaurante. Quando me desliguei, queria viajar e passar por outras cozinhas. Aí pensei o que faria no retorno. Financeiramente seria inviável viajar e depois abrir o meu restaurante. Por isso me dediquei a montar um plano de negócios e ter a minha casa”, resumiu o chef Igor.

Uma etapa fundamental para concretizar o planejamento era encontrar o imóvel. Em 12 de junho de 2017 reservou uma suíte no Hotel Nomaa. Era um presente de dia dos namorados para ele e para a noiva. “Se não fosse pelos conselhos da Aline, eu provavelmente teria aberto uma hamburgueria”, confessou Igor para a Tutano. E foi da janela da suíte do Nomaa que ele enxergou a casa do outro lado da rua Gutemberg que, após uma reforma caprichada, hoje abriga o belo Restaurante Igor. Por mais um desses acasos, foi o chef Lênin Palhano, do Nomade, restaurante dentro do Nomaa, quem primeiro nos deu a dica durante um jantar: “Vocês já foram ao Restaurante Igor, do outro lado da rua? O chef ali manda bem”.

O restaurante

Desde a inauguração, o Restaurante Igor vem primando por uma cozinha que trabalha produtos frescos, orgânicos, feitos artesanalmente e curados internamente, dos pães de fermentação natural, o bacon, passando pelas infusões nos vinagres, massas, até os embutidos. O Igor improvisou o primeiro defumador com uma “churrasqueira aposentada que veio da Austrália”. A cozinha, autoral, serve massas, peixes, aves e carnes à la carte ou no banquete com entradas, prato principal e sobremesa.

É público e notório que o chef do outro lado da rua, Lênin, também sabe das coisas. Aliás, ele, a Manu e o próprio Igor são parte de uma geração de jovens chefs que se engajam na gastronomia e se articulam entre eles e seus pares. Com isso ganhamos nós, que encontramos em Curitiba uma gastronomia vanguarda, original, com sua característica de terroir, de proximidade com o produtor e de altíssima qualidade.

Restaurante Igor
Rua Gutemberg, 151, Batel
(41) 3014-0906
Terça-feira a sábado, 20h às 23h30

Recomendamos verificar sobre reservas e atendimento nos feriados.

 

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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