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Lima, a cidade com mais de um Sol

31 de outubro de 2018

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Lima é estranha para um curitibano. Lima é um deserto, é úmido e – preste atenção – não chove nunca! E eu já lhe adianto que eu não sei o porquê

Toda vez que pensava em responder essa minha dúvida, no Google, desviava-me para o Maps para procurar uma rua na qual estava perdido ou esquecia o celular em cima da mesa ao dar a primeira garfada nos pratos deliciosos que se pode comer por aqui. Mas, enfim, o que interessa é que em Lima não chove!

E quando me dei conta dessa interessante característica da cidade, me deparei com a quantidade de sobrevida que um peruano tem comparado a nós, os chatos de galocha.

Lima é a região metropolitana mais populosa do Peru e a terceira maior cidade da América Latina, com aproximadamente 12 milhões de pessoas. Localiza-se nos vales dos rios Chillón, Rímac e Lurín, na parte central do litoral peruano, com vista para o Oceano Pacífico

E no tempo de sobra eu só pensava em visitar lugares para comer. Neste ponto do texto, eu me dei conta, na verdade, que seria incapaz de indicar um roteiro turístico que não seja tomar café da manhã no El Pan de la Chola, almoçar em qualquer lugar que tenha escrito ceviche na porta e jantar em algum restaurante em Miraflores ou San Isidro. Ah, e que em Lima não chove!

El Pan de la Chola: padaria de fermentação natural (em espanhol é mais comum ouvir a expressão massa madre) com serviço de café e sanduíches, além dos deliciosos doces e bolos. Abriu originalmente na Av. Mariscal La Mar 918, em Miraflores. Hoje também na Calle Miguel Dasso 113-115 em San Isidro, com diferentes opções.

O Beto Madalosso é nosso chato de galocha favorito. 

“Minha irmã reservou o Maido para hoje à noite”, disse a minha esposa que despertou o meu sonho quase lisérgico ao comer pela primeira vez a famosa galleta doble chocolate do El Pan de la Chola. Como um curto-circuito, inúmeros pensamentos brilharam em minha cabeça: o Maido não é o melhor Nikkei da América Latina? Que está no top 10 do mundo? Como ela me diz uma coisa dessas assim? Eu trouxe roupa para isso? Meu Deus que galleta foda! Mas tudo que saiu foi um “tesão”.

Degustamos nove pratos. Incrível. Memorável. Só esquecemos de perguntar o preço da diversão. Um erro que você não deveria fazer com um restaurante que é o 7º melhor restaurante do mundo! Foram 600 soles o casal. Uma conta que te faz questionar filosoficamente se é justo pagar 75 reais de gorjeta de serviço – claro que é, sempre é!

Maido: a casa do chef Mitsuharu Micha é hoje considerada a melhor cozinha da América Latina e a 7ª melhor do mundo segundo o ranking theworlds50best.com, trazendo para a mesa uma experiência Nikkei que mistura as influências da culinária japonesa com a peruana. Fica na Calle San Martin, 399, em Miraflores.

Minutos antes da dolorosa chegar, perguntei ao garçom se ele conhecia algum restaurante mais popular para que eu pudesse conhecer. Quando percebi que o garçom fez uma cara de “ferrou não vou ganhar meus 10%” já me adiantei e disse para ele que queria saber pois escreveria para uma revista de gastronomia de Curitiba. Minha primeira carteirada.

“Claro, vá no Al Toke Pez”. Pegamos o Uber ainda tontos, não sei se pelos Piscos Sours ou pela porrada da conta. Nos perguntamos se o garçom realmente sabia que queríamos um restaurante do outro lado do circuito.

Soles, ou novo soles, é a moeda corrente no Peru. A tradução literal é sol ou, no plural, sóis. Dez reais equivalem a 9 soles. O dólar também é uma moeda corrente no país.

Longe da arborizada Miraflores, as buzinas que não paravam e o ar um pouco mais seco já davam uma pista que estávamos encontrando o que procurávamos.

O restaurante era do tamanho do banheiro do Maido. Apenas seis lugares no balcão e um menu combinado por 17 soles. O garçom do Maido, Jerson, entendeu bem o que queríamos.

Entramos acotovelando todo mundo e depois de um olhar “mais estrangeiros, aff” estávamos com um ceviche, um chicharron de peixe, arroz de mariscos e uma chicha morada em nossa frente. Aquele peixe fresco me fez perguntar se os jurados destes prêmios gastronômicos sabem mesmo o que estão fazendo. Rodei Lima inteira e não comi um ceviche tão gostoso! Se o Al Toke Pez vendesse bebida alcoólica eu cogitaria me mudar para aquele quarteirão.

Tomas é o dono do restaurante e é o cara mais feliz que eu conheci no Peru. Entre um sorriso e outro, ele me contava que o lugar estava completando sete anos, que serviam em média 60 refeições por dia e que não pretendia mudar sua filosofia de democratizar o ceviche. Comemos maravilhados outro menu combinado, uma verdadeira gula, enquanto dividíamos a bancada com uma dupla de gringos, trabalhadores de uma obra ao lado, um engravatado e um casal de peruanos. Uma experiência que não consigo imaginar em nossa República.

Em Lima não chove e além de não chover tem muitos sóis (ou soles, na verdade). E independente de quantos Sóis você tem no bolso, sua experiência gastronômica será incrível, memorável, digna de colocá-la em seu próximo destino de férias.


Um rapaz Latino-Americano que estudou engenharia e design, mas que se dedica a explorar o universo alimentar em abordagens de colaboração e empreendedorismo, levando a criatividade curitibana além dos limites do prato.

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Artigo de: Luiz Mileck

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COMENTÁRIOS
  • Amo Lima e sua culinária!

  • Lima é mara!

  • Gostei da maneira que abordou os prazeres que sentimos quando saboreamos pratos deliciosos.