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Nem sempre consigo ser a mesma, diz a cerveja

19 de fevereiro de 2017

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Diogo Adams fala sobre a falta de padrão na produção de cervejas

Padrão é algo extremamente importante para qualquer produtor, seja de comida, de bebida ou outro item. Por exemplo: você vai a um restaurante e pede qualquer prato do menu e, então, se apaixona por aquela comida. Aí, resolve chamar toda a galera para comer aquele prato novamente e, quando retorna ao restaurante, a comida simplesmente não é mais a mesma. Como você se sentiria?

Pois bem, isso é o que vem acontecendo com muitas cervejarias.

Por mais que o mercado cervejeiro no país esteja crescendo, enfrentamos um grande problema com a padronização dos produtos produzidos. Muitas cervejarias têm crescido de maneira honrada, fazendo cervejas de ótima qualidade, e quando decidem dar um passo à frente para aumentar sua produção e levar o líquido precioso para mais pessoas – CABUM – explode o problema da falta de padrão.

Mas vamos mais a fundo. Imagina uma cervejaria de pequeno porte, com uma produção limitada, que não consegue produzir a mesma cerveja duas vezes por falta de cuidado no processo ou por não conseguir manter os mesmos insumos. Essa falta de padrão pode se dar pelos seguintes motivos, entre outros tantos:

  • falta de padronização de processos dentro da cervejaria
  • mudança de insumos
  • qualidade e safra dos insumos
  • rotatividade (gigantesca) de pessoal nas cervejarias

Mas a mudança é tão perceptível? Sim!

Hoje em dia são poucas as cervejarias no país  que conseguem manter um padrão definido de suas cervejas. Digo isso como consumidor, que trabalha e vive da cerveja, e também por estar muito próximo do público final. Muitas pessoas me falam: “Não tomo mais essa cerveja faz tempo, não é mais a mesma”.

Por muitas vezes isso pode ser uma falsa verdade, pelo fato de a pessoa estar refinando seu paladar, e a mesma cerveja, que antes considerava boa, não é mais. Mas com o tempo você percebe que as cervejarias, na maioria das vezes, se preocupam mais com a quantidade em relação à qualidade.

Hoje em dia são poucas as cervejarias no país  que conseguem manter um padrão definido de suas cervejas. Digo isso como consumidor, que trabalha e vive da cerveja, e também por estar muito próximo do público final.

Sempre comentamos: o Brasil ainda tem um mercado cervejeiro “Junior” principalmente se comparado a grandes mercados cervejeiros. Estamos apenas ‘’engatinhando’’ para um mercado promissor e com grande espaço para expansão. Mas, enquanto os ditos “cervejeiros” não aceitarem ouvir que sua cerveja não é mais a mesma, não sentarem e baixarem a cabeça para escrever e implementar padrões, muito difícil será o crescimento e a manutenção de sua produção. Pois para um produto que não é barato, não manter suas características a cada lote produzido, fica difícil se manter, literalmente, ‘’na boca do povo’’.

rodape_diogo
Iniciou a paixão por cervejas especiais em 2008, em Dublin – Irlanda. De lá pra cá se passaram muitos litros para ganhar experiência. É sócio-gerente de duas lojas especializadas da rede Mestre-Cervejeiro.com. Sommelier de cervejas, gosta de boa música e um bom dia de surf!

Leia mais:

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Artigo de: Diogo Adams

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  • Tá bebendo pouco o rapaz, além do Jaba da sua própria loja