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Old West, por André Bezerra

23 de fevereiro de 2018

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Fomos conhecer a história do restaurante curitibano que tem gastronomia de cinema

Ainda menino, o catarinense descendente de alemães, Eric Hilgenstieller, gostava muito dos filmes de faroeste, especialmente os estrelados por John Wayne. Observava cowboys e índios cruzando o Colorado e o Arizona e sonhava com aquele estilo de vida meio cigano, sem muitas fronteiras. Além dos filmes, arte e gastronomia prendiam a atenção do menino. Quando jovem, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. Trabalhando com comércio exterior, passou a viajar. Foram tantos anos na terra do Tio Sam que acabou conseguindo a cidadania americana. O gosto pelas diversas manifestações artísticas e boa mesa foram se refinando. Durante suas andanças mundo afora, chegou a conhecer John Wayne, para quem trabalhou como tradutor. Mas foi no México que Eric conheceu a mexicana Graciela Ortega, quando ela era oficial da marinha americana. Apaixonaram-se e se casaram.

De volta ao Brasil e o Old West

Mas Eric tinha um sonho: queria ter um restaurante onde pudesse receber os amigos e servir pratos da cozinha internacional. Por isso, acabou trazendo a Graciela para o Brasil, dessa vez a Curitiba, no início da década de 80.

Mais do que a cozinha, ele queria que o ambiente da casa remetesse ao velho oeste, com direito a receitas de pratos e bebidas inspiradas no tema, além de decoração igualmente temática. Visionário, trouxe de fora muitos itens de decoração que passariam a ambientar o estabelecimento. Encontrou o imóvel no Rebouças e, em 1983, finalmente, inaugurou o Old West Restaurant, à época com um apart-hotel em cima “para receber os viajantes e estrangeiros”, segundo contou o filho caçula, Johann, à Tutano.

Pioneiro em quase tudo a que se propôs realizar, o Old West foi o primeiro restaurante na capital curitibana a servir, dentre suas opções da cozinha internacional, pratos mexicanos. A Graciela preparava a receita secreta, de família, das tortillas que seguem fazendo sucesso na casa, passados 35 anos. Também já começaram servindo steak tartare, ostras gratinadas, steak au poivre flambado no conhaque e os camarões Marta Rocha, pratos que seguem surpreendendo curitibanos e visitantes.

A segunda geração

Em meados dos anos 90 um câncer levou o gênio criativo, Eric Hilgenstieler, embora. Com a Graciela, ele deixou 3 filhos: Eric, Egon e Johann, este chamado pela família e pelos amigos de Johnny. “Nossa casa era uma extensão do restaurante e vice-versa. Boa parte da decoração que você está vendo já morou na residência dos meus pais. As toalhas de mesa do Old West eram lavadas lá, assim como uma parte das receitas eram testadas e preparadas na cozinha residencial deles e finalizadas no restaurante. Meu pai fabricava, ele mesmo, a vina e as velas.”

Crescendo em meio a esse ambiente, cada filho seguiu uma carreira profissional. O Johnny, com a ausência do pai, aproximou-se da mãe e do restaurante, assumindo toda a dor e a delícia de tocar o negócio de família. Estudioso – “eu sou um pensador”, declarou-nos ele – fez faculdade de Educação Artística e foi dar aula. Estudou agnose e se interessou pela literatura. Paralelamente, aprendeu a fazer drinques e começou atendendo no bar do Old West. Aliado a uma consultoria financeira do irmão Egon e com a Graciela ainda na cozinha e na operação, algumas coisas começaram a mudar no Old West.

A primeira carta de cervejas de Curitiba e o Old West repaginado

Resultado de um processo natural, houve uma evolução conceitual dentro dos negócios da família Hilgenstieller. Acontece que o conceito, dentro de um restaurante, é como um velho cacique: você sabe que precisa falar com ele, só não sabe como e nem por onde começar. É preciso ter cuidado, respeitar a cultura que já está estabelecida e, ao mesmo tempo, tomar certas iniciativas. O Johnny passou por cada etapa. Aprendeu a lidar com equipe de garçons, barmen, chefs, cozinheiros e fornecedores de toda ordem. Estudou muito, fez cursos técnicos e também tirou o melhor proveito na lida do dia a dia, entre balcão do bar, as mesas no salão e as panelas na cozinha. Acima de tudo, a exemplo do próprio pai e sob a influência da mãe, empenhou-se para receber cada cliente da maneira mais hospitaleira. Na faculdade conheceu a Michelle, sua esposa, e ela veio, a convite dele, ajudar a administrar o Old West.

Mesmo com tudo isso, ainda havia uma carta importante a ser revelada e estabelecer o conceito do restaurante. Isso começou a acontecer a partir da amizade que Johnny fez com um cliente assíduo desde os anos 90. Na época esse cliente vinha estabelecendo uma fábrica de cervejas artesanais, a Bodebrown. Seu nome: Samuel Cavalcanti. Revolucionário, ele começou a ensinar sobre as cervejas especiais para o Johnny. Passavam longas horas degustando e harmonizando cervejas sobre as mesas do Old West. O Samuel deixava garrafas no restaurante: “Sirva para os seus clientes, apresente cada marca, promova a harmonização com os pratos”. Com a ajuda do próprio Samuel e do Iron Mendes, fundador da Maniacs Brewing Co., o Old West disponibilizou para os clientes a primeira carta de cervejas especiais da capital paranaense.

Formava-se a aliança que caracteriza o empreendimento. Cozinha diferenciada, bebida de qualidade e atendimento hospitaleiro em um ambiente sem igual. Instigado, Johann Peter Hilgenstieller seguiu buscando formação e se tornou um dos Bier Sommelier mais festejados do país – é juiz internacional do Beer Judge Certification Program – e, embasado nessa experiência, treina toda a brigada do restaurante, onde promove a cultura cervejeira. Além das mais de 60 marcas de cerveja especial, sendo mais de 30% delas do estado do Paraná, o Old West conta com uma excelente adega para os apreciadores de vinho.

Observamos, durante nosso agradável jantar, que o Johnny segue recebendo a clientela na porta e percorrendo as mesas com dicas valiosas sobre o que pedir e como harmonizar. Portanto, se você gosta de ser bem tratado, de comer e beber bem, de sair com a família, com os amigos, em casal ou sozinho, apenas para ter o prazer de sentar diante de um dos balcões mais profissionais que poderia encontrar, você é da tribo que se encontra nesse extraordinário saloon.

Old West Restaurant

São Januário, 248, Jardim Botânico
(41) 3262-9794
Segunda a sábado, a partir das 18h45.

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

Artigo de: André Bezerra

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COMENTÁRIOS
  • Conheci pessoalmente o Sr ERic. Foi parceiro comercial. Frequento o Old West desde 1988 Excelente restaurante

  • Interessante esta matéria!
    Novidade! Me prendeu a atenção até o final! Muito legal! Bjo Andre!