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Onde comer sopa em Curitiba, por André Bezerra

1 de junho de 2018

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Montamos um roteiro de respeito para apreciar o prato mais antigo do mundo em Curitiba

A sopa – originalmente em sânscrito significa bem alimentar – tem origem pré-histórica e deve ser o prato mais antigo do mundo. De acordo com pesquisadores do Institute Tutano of Food Research, as sopas precedem a descoberta do fogo. Elas podem ter surgido por acaso, em regiões com atividade vulcânica.

A adição de plantas, sementes e outros alimentos comestíveis em algumas dessas ‘poças de água quente’ terá dado origem ao nascimento espontâneo da primeira sopa ou caldo. Elas perduraram durante a Grécia Antiga, passando pelo Império Romano, até a Idade Média. Há registros arqueológicos de que eram servidas em cestos de palha vedados com betume (EUA), em potes cerâmicos (Turquia) e até em estômago de herbívoros (Escócia).

Apesar de ter perdido força durante a revolução industrial (por conta da baixa condição sócio-econômica), nos tempos modernos voltou a ganhar vigor, literalmente. Os nutricionistas indicam a ingestão diária da sopa para um regime equilibrado. Também sabemos que ela pode ser uma super refeição. Vai dos ingredientes, do modo de fazer e de servir.

Tendo tudo isso em mente, além da memória afetiva das nossas avós e das nossas mães “se virando” para nos apresentarem as receitas mais saudáveis e deliciosas, fomos procurar alguns endereços que vem levando essa cultura a sério, bem aqui, na capital mais fria do país.

Onde tomar sopa em Curitiba

Acrótona Sopas e Pizzas

Há 44 anos no centro de Curitiba, a Acrótona é um dos endereços da boemia nesta capital. Embora seja também pizzaria, o bufê de sopas é tradicional. São sempre seis a oito sabores que variam conforme o dia. Nunca falta a canjica, deliciosa, não deixe de provar. Ao escolher a mesa, o garçom traz uma cesta com focaccia temperada, bem quentinha, e uma manteiga.

No bufê há também queijo ralado, bacon torrado e cheiro verde. Recomendamos a pimenta caseira, que fica numa garrafa grande ao lado das panelas. Custa R$28,00 para comer à vontade. O vinho colonial vem na jarra e pode ser suave, seco ou rosé. Custa R$25,00, mas dá pra pedir meia jarra, a R$18,00. O ambiente, aconchegante, remete ao de uma taberna. Boa pedida para as noites mais frias.
Rua Cruz Machado, 408, Centro
(41) 3233-4690
Diariamente, 18h até meia-noite

Bendito Bentô

O udon é um tipo de macarrão grosso feito de farinha, muito popular na culinária japonesa. Normalmente é servido como sopa, no caldo quente, com dashi, shoyu e mirin, podendo ser adicionados outros ingredientes, conforme a receita. Se você quiser fazer um almoço tardio no centro da cidade, pela região da Visconde do Rio Branco e Vicente Machado, o Shimata, do Bendito Bentô, vai te servir um udon de responsabilidade. A parte ótima é que ele prepara na hora, com produtos fresquinhos. O estabelecimento é pequeno, informal e os preços são muito honestos.
Rua Visconde do Rio Branco, 1463, Centro
(41) 3205-1338
Segunda a sexta, 11h às 17h

Bistrô do Victor

A chef Eva dos Santos manda muito bem em tudo. Por isso fomos ao Bistrô do Victor, no Park Gourmet, dentro do ParkShoppingBarigüi. Queríamos provar a sopa Leão Veloso que ela prepara ao longo do ano inteiro. Além disso, também queríamos passar a refeição conversando com essa chef que tem um dos melhores papos de Curitiba.

A trajetória profissional dela é sensacional, já passou por casas iconoclastas na cidade: China Bar, Dromedário e Boulevard, antes de assumir o Bistrô – há 17 anos – a convite do grande Chico Urban. Pense que com um histórico como esse na noite curitibana, a Eva já viu e ouviu muita história. Respeite ela. Mas enfim, não era sobre a Eva que íamos falar aqui. A sopa Leão Veloso dela vem na panela de ferro, bem quentinha e serve duas pessoas. Custa R$63,00. Além da Leão, provamos o caldo de pintado. Este já chega no prato, individual, e custa R$23,00. Melhor negócio nem na beira do Rio Amazonas.
Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Mossunguê
(41) 3317-6920
Segunda a quinta, 11h às 23h
Sexta e sábado, 11h à 00h
Domingo, 11h às 22h

Caffe Dell’ Arte

Buscávamos outro lugar central para tomar uma sopa a qualquer hora do dia, em qualquer dia do ano.  Resolvemos parar no Caffe Dell’ Arte pelo charme do ambiente. Afinal de contas, uma quebra na rotina precisa ser em um lugar agradável e esse, achamos, era o mais cosmopolita da região. Pois a carioca Cristina Pires, sócia ali há 2 anos, nos recebeu cordialmente e recomendou a sopa de feijão.

Pedimos a de capeletti que, na versão do Caffe Dell´Arte, chega na cumbuca e leva legumes junto. Acompanham torradas. De fixas, ainda tem canja e caldo verde. Uma bela opção: sentar neste lindo Café, pedir uma sopa e colocar a leitura em dia ou simplesmente bater papo com a Cristina e o time atrás do longo balcão.
Galeria Glaser – Rua Visconde do Rio Branco, 1630, Centro
(41) 3222-7051
Segunda a sexta, 9h às 19h

Don Max

Esta pequena enorme casa é como uma cartola de mágico: não para de sair coisas dali de dentro. É que o Paulinho Zanatta, proprietário, não tem medo de ir para a cozinha e criar ou adaptar as próprias receitas. Eis que, em meio a tantas outras delícias, ele mantém um menu de sopas ao longo do ano inteiro, almoço e janta. Você pode escolher à la carte: Tom Kha Gai (receita tailandesa à base de gengibre, frango e cogumelos no leite de coco), canja de galinha, capeletti em brodo, Cremes de milho, aipim ou champignon, sopa de cebola ou sopa de limão. Como não temos controle, fomos logo de Tom Kha Gai.
Cada opção de sopa no Don custa R$25,00 e vem para a mesa em grandes cumbucas, acompanhadas de torradas e queijo ralado. O Paulinho diz que são individuais. Tire as suas conclusões pelas imagens. Ele é magro de ruim, só pode ser.
Rua Tenente Max Wolf Filho, 37, Água Verde
(41) 3343-7989
Segunda a sexta, 12h às 15h e 16h30 à 0h30
Sábado, 12h à 0h30
Domingo, 15h30 às 23h30

Sel et Sucre

No cardápio, ela aparece como entrada. Mesmo assim, não resistimos incluir a sopa de tomates assados com queijo de cabra cremoso do Sel et Sucre em nosso singelo roteiro. Vá até o bistrô, ali pertinho da Praça Espanha, escolha uma mesinha ao sol, na calçada, ou no lindo salão, e peça essa entrada. Ela chega quentinha na cumbuca, acompanhada pelo queijo cremoso – à parte – para você ir colocando a gosto. A gente adora essas soluções criativas, gostamos de interagir na receita. Merci, chef Kika Marder e Jean.
Alameda Pres. Taunay, 396, Batel
(41) 3077-6647
Terça a sexta, 12h às 15h
Quinta, 12h às 15 e 19h às 23h
Sábado e domingo, 12h às 16h

Tapi Occa

Ficamos sabendo deste estabelecimento que serve quitutes nordestinos. Ali, o caldo de sururu é famoso. Os donos são um casal de irmãos, Wellington e Juliana. Ela fez uma viagem de um mês pelo nordeste. Em Morro de São Paulo, conheceu e se apaixonou pelo tal caldinho de sururu. De volta a Curitiba, agregou a receita ao cardápio do Tapi Occa. Leva sururu no leite de coco, dendê e temperos típicos. O resultado é delicioso, especialmente para quem gosta da culinária do nordeste. Ainda tem o caldo de siri, com carne do crustáceo, batatas, mandioca e temperos típicos. Cada um custa R$17,00 e vem na cumbuca individual, mas muito bem servida. Pedidos podem ser feitos por telefone (a partir das 19h) ou pelo iFood.
R. Nossa Senhora de Nazaré, 1600 – Boa Vista
Tel. 3092-7158
Terça a sábado, 18h – 22h30

Trinity Gastronomia & Arte

Fazer uma refeição no Trinity é como ir passar um domingo na fazenda, com a família, em volta do fogão a lenha e em meio a receitas que só uma família apegada à culinária conhece e pode apresentar. É claro que comer no bufê de sopas servido diariamente é uma experiência extraordinária. Logo ao chegar, dá pra espiar a cozinha, que é aberta. Você também vai reparar nas carruagens/charretes que estão no jardim e pode optar por sentar e comer ali mesmo. Mas o melhor está lá dentro: um belo serviço de bufê de sopas, todas em panelas de barro.

Os sabores vão de caldo de feijão a sopa borscht, passando por abóbora com carne seca, canja e mandioquinha salsa com alho poró. Como somos muito Tutano, optamos também por uma sopa que não está no bufê, apenas no cardápio a la carte: a sopa gumbo, receita garimpada pela cozinheira e proprietária Mirele Camargo, vem da cozinha cajun criole, típica de Nova Orleans-EUA. Leva cubos de presunto, carne suína, frango, camarão e muitas especiarias. Espetacular. Finalmente, o ambiente do restaurante é maravilhoso e os cuidados são especiais. E o preço surpreende: R$23,90 ou R$28 se quiser com uma taça de vinho.
Av. Visc. de Guarapuava, 70, Alto da XV
(41) 3262-7929
Terça a sábado, 18h30 às 22h30

Tuk-Tuk

Mais uma casa que é Selo Tutano e serve sopas diferenciadas. As receitas do russo Yuri Ogurtsova são servidas como sequencia. Todas as noites são 6 opções, sendo 3 indianas e 2 tailandesas. Entre elas, a Tamatar Kashorba (tomate), Sambar (lentilha), Rassam (tamarindo); Tom Yum com cogumelos ou camarão e Tom Kha com cogumelos ou frango.
Você ainda pode escolher duas opões de acompanhamentos, entre pães naan, chapati e bolacha frita de arroz. Tudo a R$40,00 por pessoa. A gente adora e altamente recomenda o naan. Não deixe de provar também a bebida lassi (não alcoólico).
Rua Camões, 1888, Hugo Lange
(41) 3354-5125
Terça a sábado, 18h às 20h30 (período do buffet de sopas, o restaurante abre também para almoços)

 

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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