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Ana Holanda: a simplicidade em pessoa

29 de setembro de 2017

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Conversamos com a autora do livro Minha Mãe Fazia – crônicas e receitas saborosas e cheias de afeto

A Ana Holanda é filha e esposa. É, também, mãe de um casal de gêmeos de 8 anos, o Lucas e a Clara. Semana passada, tentamos estar pessoalmente com ela, em São Paulo. Ela tentou, mas não pôde sentar conosco, os gêmeos tinham prova de matemática e a Ana precisava revisar a matéria com eles. Ela é jornalista – editora da revista Vida Simples – e escritora. Criou a página Minha Mãe Fazia, no Facebook, que acabou desdobrando no livro Minha Mãe Fazia – crônicas e receitas saborosas e cheias de afeto. Além disso, Ana Holanda tem rodado o país com a oficina de Escrita Criativa e Afetuosa. Finalmente, é embaixadora da The School of Life no Brasil, onde criou e ministra o curso “Cozinha de Memória”.

Com todo esse currículo, a Ana não abre mão de ser curiosa e se encantar com a vida, nas suas nuances mais simples e sutis. Ela já se emocionou ao sentir o aroma de feijão brotando de uma panela anônima, no Itaim – bairro apinhado de prédios espelhados e pessoas apressadas em São Paulo. “Era meio-dia, o aroma vinha de um prédio mais antigo, mais simples e mais baixo do que a arquitetura atual daquela região. Foi como se tudo se rearranjasse. Eu queria parar as pessoas e perguntar se elas não estavam sentindo aquele perfume”. Para ela, “um bolo não é só um bolo, como uma receita não é só uma receita, ou, um texto não é somente um texto”.

Na escola da vida que a Ana frequenta, um cozinheiro precisa ser visceral, assim como um autor precisa ser desse jeito. O resultado final da receita está diretamente relacionado a essa relação. O “manual” dessa escola reza que as coisas têm vida. Portanto, cada ingrediente de uma receita traz contida uma história, uma recordação, uma sensação. Com o hábito de cozinhar diariamente – “faço a janta quase todos os dias, e acaba se transformando no almoço do dia seguinte” – a Ana declarou que vê os seus problemas derreterem junto com a manteiga na panela, enquanto novas idéias brotam e se misturam com a gema do ovo que vai na receita do bolo. É um momento de reflexão, introspecção e relaxamento. Não é diferente na hora de comer: “Comemos melhor quando entendemos melhor o papel da comida na nossa vida. Não só porque faz bem para o nosso corpo, mas também porque o alimento tem uma relação intrínseca com quem a gente é, com a nossa história, a maneira como a nossa alma e coração conversam. Há um papel de transformação”.

Comemos melhor quando entendemos melhor o papel da comida na nossa vida. Não só porque faz bem para o nosso corpo, mas também porque o alimento tem uma relação intrínseca com quem a gente é.

Os pequenos Lucas e Clara são parceiros constantes na cozinha. “Ele é mais curioso, se encanta ao ver que aquela massa, ao sair do forno, se transformou em um lindo bolo. A Clara já gosta de por a mão na massa, literalmente. Já sabe cortar algumas coisas, estou começando a ensiná-la a lidar com o fogo e ela reconhece aromas e temperos”. Essa relação não é estranha para a própria Ana, que frequenta a cozinha da dona Lígia, sua mãe, e das tias, desde pequena. Aliás, as receitas que estão no livro e na página do Facebook vieram dos cadernos de receitas de mãe e filha. Haja memória afetiva nesses quitutes.

Quanto à Ana escritora, sua persona não se dissocia da Ana cozinheira, esposa, mãe de família e editora flâneur, ou seja, que garimpa o conteúdo de suas histórias andando muito por aí, observando o mundo e as coisas. Depois que formou-se em jornalismo, fracassou em se adequar a qualquer tipo de linguagem técnica, formal ou rebuscada. Ela é adepta de que “o extraordinário está no ordinário”. Por isso, encontrou um ambiente ideal na revista Vida Simples, no livro e na página dela no Facebook, onde usa uma linguagem que conversa diretamente com o leitor, culminando em textos mais viscerais, afetuosos. “Um bom texto é corajoso, original, quase um sussurro ao pé da orelha. O leitor de um texto realmente bem escrito se lembrará daquela literatura ao longo de muitos anos. É como uma boa receita”.

Sim, a Ana Holanda leva a Vida Simples. Mas, descobrimos, encantados, que ela também é muito Tutano. Ô Sorte!

Ana Holanda em Curitiba

Dia 28 de outubro
Oficina de Escrita Criativa e Afetuosa, na Aldeia Coworking.

Suflê de milho (receita da mãe da Ana, dona Lígia)

Ingredientes:

  • 1 ½ copo de leite
  • 1 colher (sopa) bem cheia de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 1 pires de queijo ralado
  • 1 pires de queijo mozarela cortado em pedaços
  •  1 lata de milho
  • 3 ovos

Modo de preparo:

Colocar o leite e a farinha de trigo em uma panela e levar ao fogo, mexendo sempre até formar um mingau. Retirar e acrescentar os queijos, a manteiga e o milho. Mexer bem. Depois que esfriar colocar as gemas e as claras em neve. Colocar em um pirex própria para suflê e levar ao forno por cerca de meia hora.

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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