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Pastel de nata e bolinho de bacalhau

23 de setembro de 2016

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10 endereços em Curitiba para provar as delícias de portugal

Portugal, tão longe, tão perto. Existe um oceano inteiro entre o Brasil e esse país-irmão. Ao mesmo tempo falamos a mesma língua e a nossa história se funde. Igualmente, somos apaixonados por reunir família e amigos em volta de uma boa mesa, repleta de comida maravilhosa e receitas que datam de gerações passadas.

Por outro lado nós, brasileiros, cultivamos diversos mitos sobre a cultura portuguesa. Dias atrás uma amiga, nativa de lá, chamou minha atenção ao ler uma de minhas postagens. Foi por causa de um “ora pois” que arrisquei em um post sobre Portugal. Ela disse que já ouviu essa expressão muitas vezes no Brasil. Nunca lá. Essa mesma amiga “puxou minha orelha” para outro mito. Pastel de Belém só existe no bairro Belém, em Portugal, endereço da fábrica que criou um dos ícones da doçaria portuguesa, das mais tradicionais do mundo. Isso é fato. Os demais são pastéis de nata. Falando neles, a Wikipedia conta que esse pastel é patrimônio gastronômico desde 2011, além de ter sido eleito 15ª melhor iguaria do mundo pelo inglês The Guardian. Quanto ao pastel de Belém, esse ícone português, sua receita está envolta em segredos insondáveis. Existem algumas pistas sobre sua origem. Conta-se que é uma receita conventual. Isso porque as freiras dos conventos portugueses engomavam as batinas dos padres em clara de ovos. As gemas remanescentes eram separadas para a receita da nata. Com relação à massa folhada, segundo fiquei sabendo, cada folha era colocada sobre o texto da bíblia pelas mesmas freiras. Se elas conseguissem seguir lendo os capítulos e versículos com perfeição, bom sinal de que estava no ponto ideal para a receita. Se dificultasse a leitura, era preciso apurar melhor.

Já que o assunto são os ícones da cozinha portuguesa, existem bolinhos de bacalhau e Bolinhos de Bacalhau. Isso porque há mais de uma espécie desse peixe e cada uma é composta por diversas partes diferentes. Assim, existem mais variações desse bolinho do que podemos imaginar. Mitos e fatos à parte, a Tutano Gastronomia foi até as Casas portuguesas aonde um desses ícones ou, em alguns casos os dois, vêm fazendo história e arrebatando paladares em Curitiba. Olha o que encontramos:

Doce Fado – Mercadoteca

Você sabe que Curitiba é uma capital cosmopolita quando conhece um lugar como a Mercadoteca. E sabe que está no lugar certo quando encosta no balcão da Doce Fado. Tudo nessa loja atrai os sentidos de seres como os leitores Tutano, apegados à boa mesa. A Doce Fado foi idealizada pelo casal de portugueses Paulo e Margarida. A eles juntou-se o Leonardo Romanelli. Em 2014 nasceu essa grife que tem uma fábrica de delícias portuguesas e, passados dois anos, já conta com mais três lojas franqueadas, sendo duas em Curitiba – Mercado Municipal e Shopping Patio Batel – e uma em Floripa, além da matriz de fábrica, na Mercadoteca. Comi, naturalmente, o bolinho de bacalhau e o pastel de nata. Enquanto eu praticamente entrava em transe durante essa experiência fantástica, o Paulo me explicava sobre o cuidado de fazer o pastel de nata chegar na temperatura perfeita até o cliente. Isso garante a consistência da nata e a massa folhada do pastel crocante. Pensei no orgulho que as freiras deveriam estar sentindo lá nos conventos de Portugal, embora a fábrica da Doce Fado fique aqui ao lado, em São José dos Pinhais. Enfim, eles acertam em tudo. Nossa conversa só foi interrompida porque a Margarida tinha que ministrar uma oficina de pães na Mercadoteca. Terei que voltar para “esticar a prosa” diante daquele colorido balcão.

Rua Paulo Gorski, 1309, loja 14, Mossunguê
(41) 9197-1652

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Delícias de Portugal

Conhecida e bem recomendada na região da Praça do Japão, essa panificadora-confeitaria-restaurante está nas mãos da mesma família desde 2007, e hoje é administrada pela Luciana. A receita do pastel de nata foi “herdada” do antigo dono do ponto, português. O atendimento no balcão é muito atencioso. Eu gosto de comer essa receita quente, por isso a Luciana deu a dica: os pastéis saem do forno diariamente, entre 11h e meio-dia.

Av. Sete de Setembro, 4861, Batel
(41) 3029-7681

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Barraca do Bacalhau

Quem comanda esse simpático trailler é o Alessandro Cordeiro, filho da Dona Jennifer, neta de portugueses. Você poderá encontrá-lo nas feiras de rua do Água Verde, Cristo Rei, Praça da Ucrânia e Batel, além de feiras especiais, como a de natal na praça Osório. Esse roteiro é percorrido desde 1990. Tanto a receita do bolinho de bacalhau quanto a do pastel de nata são de família, egressa da região de Santo Tirso. O tiragosto custa R$6,00 e a sobremesa R$4,00.

Feiras gastronômicas:

Água Verde: R. Prof.Brasílio Ovídio da Costa
Cristo Rei: Rua do Herval, entre ruas Atílio Bório e Zélia M. dos Santos
Praça da Ucrânia: entre ruas Padre Agostinho e Padre Anchieta, Bigorrilho
Batel: entre Av. Iguaçu e Av. Silva Jardim

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Mercearia do Português

Tradicional ponto no Rebouças, essa Casa é administrada pelo Ricardo Terçarolli desde 2001. O ambiente foi finamente decorado e remete a uma mercearia. Do aroma vindo da cozinha até o jazz saindo das caixas de som, não dá vontade de ir embora. Na cozinha e por trás das receitas, uma legítima “cachopa”, que é uma jovem portuguesa, segundo me contou o Ricardo. É a Amélia Terçarolli, esposa dele e chef premiada. O bolinho de bacalhau me deu vontade de ter nascido português. O pastel de nata chegou quentinho à mesa. Também receita da Amélia e guardada a sete chaves, me fez pensar em fechar as malas e mudar para Portugal. Antes de eu partir, porém, o Ricardo me mostrou a estufa de bacalhau norueguês que eles mantêm dentro da Casa. Ali, vi que a cozinha nesse nobre endereço é tratada com Respeito. O bolinho de bacalhau é servido na porção inteira (8 unids.) ou meia (4 unids.) durante jantar e happy hour. Opção unitário apenas no horário de almoço.

Rua Chile, 2041 Esquina com Nunes Machado, Rebouças
(41) 3332-1267

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Dizzy Café Concerto

Se você gostaria de dividir uma porção de bolinhos de bacalhau ao som de lindas performances de jazz ao vivo, no Dizzy você vai encontrar o melhor dessa charmosa combinação. A Casa pertence ao casal Ieda Godoy e Jeff Sabbag. Há anos ela mantém alguns dos melhores espaços na noite curitibana, enquanto ele é um dos artistas mais iconoclastas da nossa cena musical. Filho do grande pianista Gebran Sabbag, o Maestro Jeff Sabbag almejava ter uma Casa onde pudesse receber o próprio pai. Nasceu o Dizzy, em volta do piano que eleva a ótima música feita em Curitiba ao padrão de cidades como Nova Orleans, Nova York e Londres. Sentado ao balcão com a Ieda, dividimos a porção de uma receita tipicamente portuguesa de um dos melhores bolinhos de bacalhau que já provei. Tudo ao som de “Stardust”, de Nat King Cole, flutuando a partir do piano do Jeff, muito bem acompanhado de baixo e saxofone. Nesse templo a gastronomia extrapola para a experiência cultural. Tipo do lugar onde a gente sai maior do que entrou, no melhor dos sentidos. A porção vem com 6 bolinhos graúdos, acompanhada de delicioso molho rosé.

Rua Treze de Maio, 894, Centro
(41) 3527-5060

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Dom Rodrigo

Dar a primeira mordida no bolinho de bacalhau do terceiro melhor boteco do Brasil, eleito durante a última edição do Comida di Buteco, é como levar um choque, só que bom. Muito bom. E melhora conforme você segue comendo. Esse boteco definitivamente serve alguns dos melhores petiscos do país e está bem aqui, no São Braz, colado a Santa Felicidade. Aberto em 2001 pelo casal Rodrigo e Ledi, a Casa atravessa atualmente um momento de celebridade pela conquista do Prêmio nacional com o bolinho de carne. O bolinho de bacalhau, porém, foi adaptado pelo Rodrigo a partir de receita da família da Ledi, bisneta de portugueses. “Faço com o lombo do bacalhau, o que deixa o recheio mais fiapento”, segredou-me o Dom em meio a outros truques que não podemos contar, sob pena de sermos barrados na próxima incursão. Aconteça o que acontecer, não deixe de provar com o vinagrete caseiro. Já faz algum tempo que a Tutano reverencia o Dom Rodrigo. O boteco tem ampla varanda aberta para a rua e cozinha totalmente integrada ao salão interno. Tudo ali é acolhimento e diversão, além da excelente gastronomia caseira, familiar. Se jogue, se abrace, pode ir fundo porque não somos só nós que estamos falando.

Av. Ver. Toaldo Túlio, 2275, Santa Felicidade
(41) 9138-6566

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Camponesa do Minho

O restaurante já tem quase 40 anos de tradição em Curitiba. Foi inaugurado em 1979 pelo casal João Alberto e Joseli Galvão, ele português da região do Minho e, ela, italiana. Hoje a Joseli comanda a cozinha enquanto o filho deles, João Luiz, comanda o salão, normalmente repleto de casais e famílias, além de atender aos pedidos que não cessam de chegar por telefone. A receita do bolinho de bacalhau, contou-me o João Luiz, é da avó do pai dele. Talvez essa longevidade de gerações seja o principal ingrediente que culmina em um dos mais perfeitos bolinhos dentre os que andei provando. Isso na minha humilde opinião. Experimente o bolinho com o molhinho da Casa e veja como o que é bom pode ficar ainda melhor. Foi o João Luiz quem me deu aquela aula sobre espécies de bacalhau, enquanto não parava de atender os pedidos por telefone. A Casa aposta no casamento de Qualidade e Tradição.

Rua Padre Anchieta, 978, Mercês
(41) 3336-1312

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Bar do Victor – Praça Espanha

Há quase 50 anos era fundado o primeiro Bar do Victor em Curitiba, pelo Seu Victor, autor da receita dos bolihos de bacalhau do estabelecimento. Hoje quem administra as Casas é o Francisco Urban, genro do Victor. A unidade da Praça Espanha, que também vem fazendo história, foi inaugurada há 3 anos. A especialidade sempre foram os pratos à base de frutos do mar, o que nos levou até lá. As porções com 6 ou 12 bolinhos são deliciosas e vêm acompanhadas de molho tártaro, igualmente extraordinário. Tudo é fresco, harmoniza com o belo ambiente e o atendimento encontra profissionalismo e cordialidade. Dica: se quiser provar um bolinho sozinho, experimente no Buffet de almoço a quilo que a Casa oferece diariamente.

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Cantina Açores

Eis uma típica cantina portuguesa com cara de boteco. O Seu João Raposo desembarcou no Brasil, vindo da Ilha de São Miguel, arquipélago dos Açores, em 1951. Depois de trabalhar em vários ofícios Brasil afora, inaugurou a Cantina em 1997. Passados os anos, atualmente, além do Seu João, outras três gerações se revezam nas funções do estabelecimento. Todo o cardápio foi criado pelo Seu João e é executado pela esposa, filhas e netas. Tudo passa pela vista dele, que circula pelo salão para delírio e felicidade da clientela. A gente nota nitidamente que muitos estão ali por causa do Seu João que ora briga com um familiar, ora grita com um cliente mais antigo e recebe todos com carinho e senso de humor únicos, como quem recebe seus entes mais queridos na sala de casa. Quanto à porção de bolinhos de bacalhau, um grande clássico na região do Juvevê, a fama precede qualquer tentativa de descrevê-la. Não é à toa que as pessoas façam fila para pedir ou encomendar. E não adiantou tentar levantar qualquer pista sobre a receita da mãe do Seu João. O mais próximo de uma resposta que consegui chegar, ao perguntar “como é feito, Seu João?”, foi um “com bacalhau e com as mãos, seu …” (sic), e aquele sotaque maravilhoso que o legendário português da Cantina Açores traz consigo até hoje.

Rua Euzébio da Motta, 306 (esq. com Augusto Severo), Juvevê
(41) 3027-3614 / (41) 9955-7336

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Lisboa Gastronomia

Nesse estabelecimento, inaugurado há 7 anos em Curitiba, vindo de Guarapuava e Maringá (2002), a minha ótima impressão começou pelo imóvel. Localizado em um trecho arborizado da Princesa Izabel, a casa é daquelas que dão impressão de serem maiores dentro do que fora. Tudo tem um certo requinte e acolhe desde a entrada: aroma, iluminação, música, decoração com mobiliário elegante, hospitalidade do time que atende, tudo harmoniza e encanta do primeiro momento. Isso até você descobrir que o melhor estava por vir. Ao abrir o cardápio criado pela Chef Lena Gomes, sócia do Adriano Barison no empreendimento, tive que ser forte para não sair pedindo todos os pratos. Eu tinha que me ater ao bolinho de bacalhau e pastel de nata, por mais que meu casal de lombrigas implorasse para que eu quebrasse o protocolo. Mais uma vez ganhei delas e pedi meu bolinho. Acertei, o bolinho é sensacional, a Chef Lena cria e trabalha com devoção. De sobremesa, pastel de nata. Apresentação impecável, temperatura perfeita. Eis que o Adriano, diante da minha satisfação, deixa escapar um segredo: “Esse pastel é da Doce Fado. Os outros doces trazemos de São Paulo, mas pastel de nata encomendamos da Doce Fado”. Conhecer essa Casa, o Adriano e o maitre, Manoel Pedro, foi um dos pontos altos do meu doce circuito. Ainda passei mais um tempo com eles entre um cálice de vinho do porto e conversas sobre a culinária portuguesa, mitos, fatos, a tradicional doçaria, freiras engomando batinas dos padres nas claras de ovos dentro de conventos portugueses, gemas sendo convertidas em alguns dos doces mais extraordinários e bíblias recebendo folhas de massa folhada durante leituras abnegadas e pensamentos sacros.

Alameda Princesa Izabel, 420, Mercês
(41) 3078-7117

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André Bezerra é diretor da Monstro Animal, produtora de eventos. Quer seguir? @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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COMENTÁRIOS
  • Andre!!! Va conhecer o bolinho de bacalhau Donana confeitaria Artesanal, somente as quintas feiras do 12:00 às 19:00 rua Schiller 1986
    Abraço e adorei a lista!!!!!