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Pizzaria Itália, por André Bezerra

6 de julho de 2017

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Nosso colunista conta como começou essa pizzaria que já atende a quarta geração de clientes

Era uma vez um jovem bancário italiano. Seu nome: Bruno Birindelli. Vivia em Lucca, uma bela cidade na Itália. Foi entre os muros e o casario medieval que ele cresceu, fez vários amigos e trabalhou, até ser convocado para combater na II Guerra Mundial. Mas, havia outra coisa sobre ele. Talvez isso tenha ajudado o soldado a vencer a fome – italianos em combate quase só comiam pimentões crus – e sobreviver nos bunkers italianos: Bruno tinha uma prima brasileira, Maria. Ainda crianças, os dois se apaixonaram e ele prometeu que se casaria com ela. Finda a Guerra, casaram-se na Itália, em 1948, e embarcaram no navio para o Brasil. Embora italianos, os pais de Maria moravam em São Paulo. Filha e sobrinho, agora casados, vieram morar com eles, longe da Itália pós-guerra.

Ainda na capital paulista, Bruno provou ser um empreendedor nato. Escolheu o ramo da gastronomia e a ele se entregou de corpo e alma. Abriu alguns negócios, tinha restaurante e negociava produtos para os colegas, dentro do mesmo segmento. Aprendeu sobre a culinária brasileira, agregou elementos da cozinha italiana, era hospitaleiro, fazia amigos em grande velocidade, aglutinava as pessoas ao seu redor. Mas a rotina era pesada, dormia duas horas por noite, o médico recomendou que desacelerasse, sob pena de adoecer e morrer, de tanto trabalhar.

Em 1969 abriu um terceiro ponto, dessa vez sob o prédio que havia adquirido na rua Cândido Lopes: era a Pizzaria Itália, até hoje um dos balcões mais disputados no centro de Curitiba.

Em 1959, Bruno veio passear em Curitiba, com esposa e filha, a convite do amigo Marcelo Lorenzetti. Ao conhecer a capital paranaense, voltou a São Paulo, vendeu seus negócios e mudou-se para cá com a família. Primeiro, abriu o Café Para Todos, na rua XV de Novembro, em plena Boca Maldita. Ali, recebia os amigos no balcão, entre café, fatias de pizzas de receita própria, salgados e vitamina. Depois abriu a Sorveteria Acrópolis, para onde trouxe a primeira máquina de sorvetes Carpegiani a Curitiba. Em 1969 abriu um terceiro ponto, dessa vez sob o prédio que havia adquirido na rua Cândido Lopes: era a Pizzaria Itália, até hoje um dos balcões mais disputados no centro de Curitiba.

Ali ainda são servidas a tradicional vitamina e fatias de pizza de mussarela, ambas receitas do Bruno Birindelli. O forno sobre a parede diante dos clientes é o mesmo encomendado pelo empreendedor. Atualmente existe a possibilidade de se levar a pizza inteira para casa, nos sabores “queijo e presunto” ou “peperoni”. Qualquer uma das três versões leva o molho de tomates, preparado diariamente na cozinha da Pizzaria.

Segundo a Mary Birindelli, filha do Bruno, a escolha pelos melhores produtos frescos, de produtores locais, sempre foi um comprometimento do pai. Ainda segundo ela, “a Pizzaria já atende sua quarta geração de clientes”. Verdade seja dita, passamos pouco mais de uma hora conversando na ponta do balcão, entre fatias de pizza e copos da rica vitamina – caracterizada pela cor avermelhada do morango – e pôsteres da cidade de Lucca, onde começou essa história. Diante de nós, uma pilha de retratos de família, gentilmente trazidos pela Mary para ilustrar a jornada que ela descrevia.

Ao longo desse tempo, observei Curitiba passar por aquele espaço. Crianças, adolescentes e adultos de todas as classes sociais, indo de um compromisso a outro ou, simplesmente, passeando pelo centro da cidade, fazendo compras ou buscando um lanche rápido. Tradição em forma de fatias de pizza, os ecos da Itália pós-guerra dentro de um copo de vitamina. É bom estar em um balcão e saber que, diante dele, muita conversa boa já aconteceu, muitas piadas fizeram gerações inteiras se divertirem, muitos amigos se encontraram e conviveram, ao longo de décadas. Por coincidência, entrou uma prima nessa tarde. Quarentona como eu, sorridente, ela me abraçou, beijou, e comentou: “Amo esse lugar, a pizza e a vitamina. Meu pai me trazia desde criança, hoje sou eu quem traz os meus filhos”.

Rua Cândido Lopes, 229, Centro
(41) 3232-5175
Segunda a sexta-feira, 9h às 20h
Sábado, 9h às 16h

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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COMENTÁRIOS
  • Frequento a Pizzaria Itália desde a minha adolescência e não há lanche melhor e mais tradicional na cidade. Além da senhora que serve a pizza em fatias que está lá há muito tempo, sempre muito atenciosa e muito simpática. RECOMENDO !

  • Lembro daquela pizza assando e aquele perfume de muzzarela irradiando o ambiente. Boas lembranças.

  • a pizza é ótima, mas o atendimento não é dos melhores.
    e não aceita cartão refeição.