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Ricardo Coelho e o Mondrí Gastro Cultural

14 de setembro de 2017

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A trajetória do engenheiro que está mudando o jeito dos curitibanos se relacionarem com a gastronomia

Saulo Coelho tinha 15 anos quando o pai, dono de um pequeno sítio no interior de Minas, a mais de 200 km de Belo Horizonte, o acompanhou até a beira da estrada de chão. Quando o caminhão – carregado de perus – parou, pai despediu-se do filho e embarcou-o de carona. O destino do menino era BH, para onde seguiu sozinho, levando no bolso o endereço de uma tia. O pai achava que na capital o menino teria melhores condições para estudar, trabalhar e constituir família.

Belo Horizonte – Curitiba

Em 1973, casado, Saulo transferiu-se com a esposa, Maria Inês, e os 4 filhos para Curitiba. Ricardo Augusto Valle Pinto Coelho, cresceu na capital paranaense, sempre boêmio e interessado por arte e gastronomia. Formou-se engenheiro agrônomo e, na década de 90, fundou a VPC, distribuidora de defensivos agrícolas e produtos veterinários. Viajou o Brasil com a empresa, até que a viu soçobrar junto com a dura realidade imposta pelo Plano Real. Corria 1994 quando as primeiras ondas irromperam. Em 1996, demitiu mais de 50 colaboradores e colocou um pequeno time refazendo as estradas para cobrar os devedores. Já nos anos 2000, após bem-sucedida consultoria para uma factoring, Ricardo passou a oferecer esse tipo de serviço, o que o colocou de volta no mercado.

VPC/Brasil

Em 2003, fundou a VPC/Brasil, com projetos nas áreas de meio ambiente e urbanismo. Extremamente organizado, com a cabeça voltada para números e uma visão de negócio acima da média, em pouco tempo a VPC/Brasil, sob o comando de Ricardo, despontava como referência nacional dentro do segmento. Mas, para chegar lá, foram precisas doses cavalares de visão e coragem. Após vitória no edital para extensão da pista e terminal novo do aeroporto Afonso Pena, e de ser cotada como responsável pelo “melhor estudo de meio-ambiente”, a VPC/Brasil conquistou um importante atestado de capacidade técnica, o que a alçaria a outros desafios: Estudo de impacto ambiental para os aeroportos de Congonhas e Campo de Marte, estudo para a construção da terceira pista de Guarulhos, além de regulamentação de áreas quilombolas para o INCRA, em diversos estados, do Rio Grande do Sul ao Maranhão. Sempre apostando na iniciativa pública, a empresa se viu às voltas com calotes do governo em boa parte dos projetos já entregues. “Nós estávamos bancando os projetos do Governo”, afirmou o empresário Ricardo.

Foi realizado um estudo para cada região, entendendo a classe social, hábitos e, principalmente, o comportamento do consumidor nos segmentos de gastronomia e entretenimento

Jantar dos colegas da classe de Engenharia

Em 2015, durante um jantar com colegas da faculdade de engenharia, Ricardo encontrou-se com o Achilles Colle. Conversando, decidiram que seria proveitoso para ambos se Ricardo transferisse a sede da VPC/Brasil para o prédio que abrigava as Cerâmicas Colle, da família de Achilles, em uma ampla área do bairro Bacacheri. Entre 2015 e 2016, Ricardo propôs ao Achilles construírem 4 quadras de futebol no espaço que estava ocioso, dentro do terreno da Cerâmica. Sinalizado interesse, Ricardo colocou todo seu expertise e conhecimento no campo de estudo e pesquisa de impacto em favor da construção de um novo projeto.

Levantaram tudo sobre a região e seus hábitos, sempre pensando na exploração comercial das quadras de futebol. Uma das necessidades que surgiram, foi a de uma espécie de “praça de alimentação”, para atender as quadras. Mais adiante e após a entrada de um novo sócio, os estudos apontaram para a oportunidade de um empreendimento mais focado na gastronomia. Nascia o projeto que se tornou a Ca´dore Gastronomia Descomplicada, centro gastronômico e de entretenimento, formado por contêineres e praças de alimentação, no bairro Bacacheri.

Mondrí Gastro Cultural

Um pouco antes da Ca´dore ser inaugurada em Curitiba, Ricardo saiu da sociedade. O modelo de negócio, porém, seguiu firme na cabeça do empreendedor. Convencido de que ainda haviam ajustes a serem implementados, ele partiu com a esposa, Thereza Christina, em viagem a Buenos Aires. Aproveitou para conhecer o Quo, empreendimento de mesma natureza. Voltou com a mala cheia de ideias para a região de Curitiba e passou a ir atrás, dessa vez em “vôo solo”, com o time VPC/Brasil. O resultado é que já estão projetados, e em fase de comercialização, 5 unidades do Mondrí Gastro Cultural que devem mudar a maneira que o curitibano tem de se relacionar com a gastronomia.

“Mondrí” recebeu o nome em homenagem a Piet Mondrian, fundador do movimento do Neoplasticismo. Já estão planejadas plantas do Mondrí em São José dos Pinhais, Portão, Centro, Tarumã e Xaxim. “Foi realizado um estudo para cada região, entendendo a classe social, hábitos e, principalmente, o comportamento do consumidor nos segmentos de gastronomia e entretenimento”, afirma o idealizador do projeto, Ricardo Valle Pinto Coelho. “O cliente contará com ambientes confortáveis, agradáveis e com várias opções gastronômicas e culturais para agradar todos os gostos e paladares, tudo em apenas um lugar”, continua Ricardo. A levar em consideração o histórico e DNA da VPC/Brasil, o Grupo reuniu consciência ambiental e sustentabilidade como importantes pilares dos projetos. Outro destaque é o desenho de cada unidade Mondrí, assinados pela designer Maurete Schumacher, da Archiprima. A previsão de entrega do primeiro Mondrí Gastro Cultural é em janeiro de 2018.

Curitiba – Belo Horizonte – Bocaiúva-MG

Remontando algumas décadas, Ricardo, ainda com 8 anos, esperava, ansiosamente, a chegada das férias. Ele só pensava em sair de BH para visitar o avô materno, Antônio Augusto Valle, na fazenda dele, em Minas. Dali, seguiam os dois, avô e neto, até Bocaiúva-MG, cidadezinha mais próxima. O pequeno Ricardo, finalmente, ficava diante da fonte de água que passara o ano aguardando para ver. Nessas ocasiões, como quando o destino parece sussurrar um pouco do que vem pela frente, neto e avô se rendiam, encantados, ao show de água, de luzes e de deslumbramento da fonte. “Por isso cada empreendimento Mondrí terá, em comum com os demais, uma grande fonte em seu projeto. Será uma homenagem ao meu avô materno”, encerra Ricardo Augusto Valle Pinto Coelho.

Informações sobre o Mondrí:
(41) 9 8890-1939

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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COMENTÁRIOS
  • Grande exemplo de empreendedor e de pessoa.
    Com certeza os novos empreendimentos serão um grande sucesso.