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Roteiro gastronômico na Rua Mateus Leme, por André Bezerra

29 de março de 2018

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Uma rua com nome de bandeirante, pioneira na tradição gastronômica

Em 29 de março de 1693 o capitão-povoador Mateus Martins Leme, integrante da bandeira de Fernão Dias Pais, fundou a Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Anos mais tarde, a vila passou a ser chamada de Curitiba. O que o capitão nem desconfiava é que, muitos anos depois, uma das ruas mais importantes da capital que ele fundou seria batizada com o nome dele, em homenagem póstuma. E por que a Tutano foi resgatar essas passagens históricas? É que, atualmente, a região da rua Mateus Leme representa um dos polos gastronômicos mais importantes da cidade.

Sendo assim, em comemoração aos 325 anos de Curitiba, lá fomos nós descobrir um pouco do que existe pulsando em volta dessa importante veia urbana. É o nosso jeito de render homenagem a este personagem da nossa história, chamado Mateus Leme. E eis que descobrimos que gastronomia não falta na região, para todos os gostos e bolsos.

Bar do Victor

Ir conhecer a região da Mateus Leme e não comer no Bar do Victor é como ir à praia e não colocar os pés no mar. Essa história remonta a 1955, com um bar aberto pelo senhor Victor Schiochet, no bairro São Lourenço. Em 1969, em novo endereço, passou a atender como Bar do Victor, tornando-se o primeiro restaurante de uma marca.

Pois o atual proprietário, Francisco Urban – genro do Victor – apresentou o projeto Ilhas do Mar. Um bufê a quilo completo, com muitas das maravilhas preparadas na casa, servido diariamente no almoço. Então, se você é um comilão que teria que voltar muitas vezes ao restaurante para conhecer as diversas opções, o Ilhas é a oportunidade para provar, em uma visita, os camarões com molho tártaro, o bolinho de siri, o arroz de bacalhau, o estrogonofe e a maionese de camarão, a farofa de dendê e a moqueca.

O Bar do Victor tem uma bela carta de vinhos, drinques, ambiente confortável e atendimento muito bacana. E ainda tem estacionamento próprio.

Rua Livio Moreira, 284, São Lourenço
(41) 3353-1920
Segunda a sexta, 11h30 às 14h30
Terça a sexta, 18h às 23h
Sábados, 11h30 às 16h; 19h às 23h30
Domingos, 11h30 às 16h30

Churrascaria Ervin

Outra senhora de respeito é a Churrascaria Ervin. Foi inaugurada – como bar e sorveteria – em 1947. Naquela época a Mateus Leme não tinha asfalto e era chamada de Estrada Assungui. Os curitibanos circulavam a cavalo ou em carroças e, na passagem, acenavam seus chapéus para o casal Ervin e Adelaide, donos do bar/sorveteria. Ao baixar as portas, não precisavam apagar as luzes porque a energia elétrica não havia chegado àquelas longínquas paragens. Três anos se passaram até que o senhor Ervin comprou o terreno do outro lado da rua, levantou uma casa e passou a servir o “sortido”. À noite, frango com risoto. Mais alguns anos e o estabelecimento se tornou a churrascaria cultuada por curitibanos e visitantes.

De Jaime Lerner ao colunista da Tutano, todo mundo se sente meio ilustre diante das mesas da churrascaria. Aliás, foi o Doutor Jaime quem nos soprou uma vez que “a maionese de batatas do Ervin é a melhor da cidade”. E provamos a maionese, o pão fresquinho, o picles de pepinos e a salada de tomate e cebola que acompanharam o nosso contra-filé completo

Mateus Leme, 2746, Centro Cívico
(41) 3252-5347
Terça a sexta, 11h30 às 14h
Sábados, domingos e feriados, 11h às 15h30

Casa Velha

A sua praia é churrasco, mas você gosta mesmo é de uma boa costela assada? O seu lugar ao sol é o Casa Velha, às sextas-feiras. É nesse boteco muito tradicional onde assam uma das melhores costelas da cidade. Mas, fique atento, a costela é servida apenas às sextas-feiras, a partir das 19h. E é tão concorrida que convém fazer reserva ou chegar cedo. O freguês pede no quilo e escolhe os acompanhamentos: arroz, maionese de batatas, farofa caseira, salada de tomate e cebola e folhas verdes com bacon bem crocante.

Mas nem só da costela vive essa velha casa de madeira, com mais de 70 anos. O Casa Velha vem participando do Comida di Buteco e costuma emplacar os petiscos inscritos entre “os cabeças” do concurso que elege o melhor boteco do Brasil.

Mateus Leme, 5981, Abranches
(41) 3354-4050
Segunda a sexta, 16h30 à meia-noite
Sábados, 12h à meia noite

Mercearia Fantinato

Provavelmente o Diogo – garçom mais elegante de Curitiba – pensa que a gente bate mais ponto nesse bufê de feijuca do que ele, trabalhando diariamente na casa. É que amamos aquela couve crispy, bem verdinha, fazendo contraste com a laranja amarelinha. Couve e laranja no prato parecem a bandeira do Brasil. Mas a gente dá bandeira mesmo quando fica em dúvida entre o torresmo e o bacon e sempre acaba optando por ambos. E depois tem a costelinha, o charque, lombinho, o paio e aqueles ítens que fazem parte da “feijoada completa”. No Fantinato sai tudo da mesma panela, mas os ingredientes são caprichosamente separados no bufê. Isso vai de encontro ao gosto de quem prefere a feijoada gorda ou a magra, sem perder em nada o sabor.

Mas a Mercearia Fantinato ainda tem os pratos executivos servidos diariamente no almoço. E tem o tomate recheado e aquele cardápio extenso de petiscos. E a caipirinha. E a sobremesa.

Tem a decoração que nos remete a tempos idos e, de noite, a carne de onça preparada diante do fregues e o sorriso largo do Diogo. A gente já mencionou que ele é o garçom mais elegante de Curitiba?

Mateus Leme, 2553, São Francisco
(41) 3023-1953
Segunda a sábado, 11h à 1h

Pastelaria do Zico

Ela chama pastelaria, mas ali é possível comer lanches caprichados: x-salada, x-egg, x-bacon, x-calabresa e x-frango. E os pastéis? São dezenas de sabores, incluindo doces. Uma heresia. Mas é para a Pastelaria do Zico que a gente corre quando quer comer um pastel de estrogonofe, de frango desfiado com cream-cheese, de morango com chocolate ou de banana com doce de leite. Quem vai ficar sabendo? Quem nunca cometeu um pecadinho venial? Eles são deliciosos. E ainda tem os molhos caseiros do Zico: de legumes, de ervas, pimenta, barbecue. O Seu Mário – do pastel da feira – que nos perdoe, mas tem horas que o Zico é fundamental.

Mateus Leme, 2655
Segunda a sexta, 9h às 21h
Sábados, domingos e feriados, 10h às 18h

Cervejaria da Vila

Alguém soprou para nós que a Cervejaria da Vila, além de ótimos chopes, servia excelentes burgers na faixa dos 10 reais. E você sabe que, num roteiro como este, chega um momento e o dinheiro encolhe. Pois fomos e tivemos uma gratíssima surpresa. A cervejaria oferece cinco opções de burgers. Três deles custam entre 10 e 12 reais. Os hambúrgueres, artesanais, são grandes e pesam 150 gramas. Fomos de Bacon Burguer, que ainda leva queijo, bacon, cebola roxa e maionese artesanal. A trilha sonora é rock n´ roll. Super Tutano.

Ao reconhecer o nosso colunista vira-latas, o Bruno “Ruffus” Guimarães – proprietário da casa – perguntou se ele era o sujeito da matéria Tutano sobre o Old West. O colunista respondeu que sim. O Bruno, então, explicou que foi ele quem criou a primeira carta de cervejas artesanais de Curitiba com 300 rótulos diferentes ali mesmo, na Cervejaria da Vila, ao contrário do que o colunista Tutano escreveu na matéria sobre o Old West, dando o crédito de pioneirismo ao Johann. Ficou pré-agendada, então, uma acareação entre o Bruno e o Johnny, bier sommelier e proprietário do Old West. De qualquer modo, hoje a Cervejaria segue servindo cervejas especiais, além de uma bela variedade de chopes artesanais. Anexo, a Barbearia 041 – também do Bruno – e uma growleria, a Siphon Growlers, com lindas opções de growlers e produtos cervejeiros.

Mateus Leme, 2631, Bom Retiro
(41) 3015-4620
Segunda a quarta-feira, 17h30 à meia-noite
Quinta-feira a sábado, 17h30 à 1h

Funiculí Mateus Leme

Durante nossa andança pela região, a Tutano descobriu um furo de reportagem: o chef Dudu Sperandio – que tem o Quanto Basta na Mateus Leme – vai abrir a segunda unidade da pizzaria Funiculí, no mesmo local onde hoje mantém o restaurante de almoço a quilo. As refeições do bufê darão lugar às pizzas do Dudu. Além disso, o jardim atrás da casa vai abrigar a Piazza Del Fiume. Nesse espaço externo haverá opções de pizzas individuais a nove reais, além de chope Bodebrown. Eventualmente, uma agenda com atrações culturais será realizada.

O acesso poderá ser feito pela própria Mateus Leme ou pela rua de trás, a Euclides Bandeira. Como por ali passa a ciclovia da Mateus, será uma bela opção para os ciclistas encostarem suas magrelas. A inauguração dos dois espaços – Funiculí e Piazza Del Fiume – está prevista para 9 de abril.

O Funiculí Mateus Leme abrirá de terça a domingo, 18h às 23h.
Mateus Leme, 1098.

A Piazza Del Fiume abrirá de terça a domingo, 12h às 22h.
Euclides Bandeira, 194.

Os pedidos para Delivery poderão ser feitos pelo 3253-0030.

Stoll Alimentos

Em 2011, o Thiago Stoll casou com a Patrícia, neta da Uadia Cabral. Constatando que a avó da esposa era uma grande cozinheira, ele tratou de pedir à Dona Uadia que lhe ensinasse as receitas de família. Longas foram as horas na cozinha, ao lado da elegante senhora, descendente de árabes. Ela ensinou ao Thiago segredos importantes e pequenas coisas que fazem a diferença. “Tico, não bata a colher na panela”, dizia ela para ele enquanto os dois cozinhavam.

Anos depois, o Thiago fundou a Stoll Alimentos, de comida caseira congelada. As simpáticas bandejas podem ser encontradas em redes como o Festval. Mas, quem mora ou está de passagem pela vizinhança da Mateus Leme, pode retirar as refeições diretamente no balcão da fábrica. As opções, todas a partir de especiarias e massa fresca, com gosto e aroma de tempero de vó, vão de lasanhas e empadões, passando por filé mignon à parmegiana, até feijoada.

Rua Doutor João de Oliveira Passos, 522, Bom Retiro
Pedidos para entrega em casa: 3018-0553.
Para retirar direto no balcão: segunda a sexta, 8h às 18h

Leia mais:

Bate-papo com a Val, da Pizzaria Itália
Bar do Alemão, por André Bezerra

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

Artigo de: André Bezerra

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COMENTÁRIOS
  • A matéria é interessante, mas ao fim da leitura é impossível não me perguntar como vocês selecionam as casas que incluem. Que critérios utilizam...
    Não é a primeira vez, mas nesse caso pareceram particularmente intrigantes certas inclusões, e também algumas exclusões. Enfim, a revista deve ter razões com as quais nem sonha a minha vã filosofia! Entretanto sobre a questão do pioneirismo do Bruno Guimarães, é verdade cristalina! Nada que embace o brilho do Old West, baita restaurante, aliás.

  • Faltou só o tradicional Restaurante Beija Flor.