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Tartaruga, por André Bezerra

23 de novembro de 2018

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Uma casa de família

No início dos anos 70, Domingos Bortolanza administrava o Restaurante e Lanchonete Tartaruga, anexo ao Posto de mesmo nome, na Avenida Salgado Filho. Precisando de ajuda, escalou um sobrinho, filho do irmão Carmelino, que morava com a família em Francisco Beltrão. Aproveitando a oportunidade para trabalhar e estudar na capital do estado, veio o Ijair — mais velho dos 5 irmãos da família de descendência italiana. Nas horas vagas, Domingos ia encontrar com a namorada na casa dela, no Alto da XV. Acabou fazendo uma proposta e comprando um pequeno botequim numa esquina da rua Itupava. O ano era 1974 e, com cozinha, um balcão e uma mesa de sinuca, nascia o Tartaruga.

A chegada da família Bortolanza

Anexo ao bar, o imóvel tinha tamanho suficiente para abrigar uma família inteira. Por isso o senhor Carmelino, irmão de Domingos, deixou o ofício de mecânico em Beltrão e veio com esposa e os outros quatro filhos de mudança para a capital. Instalaram-se ali e o Carmelino passou a tocar balcão e salão enquanto a esposa, dona Dilma Cenci, ficava na cozinha.

“Minha mãe fritava frango e servia café da manhã. Como não havia padaria na região, os vizinhos vinham comprar pão e leite no bar” — contou Itamar Bortolanza, em entrevista à Tutano. “Meu tio Domingos seguia na lanchonete do posto e o meu irmão Ijair veio para ajudar o pai e a mãe. O bar abria das 7h até 21h. Vendíamos café, lanche e pinga e tinha a mesa de sinuca pro pessoal se divertir”.

O cortume e o Vale Refeição

Ocorre que do outro lado da rua, onde hoje é o colégio Positivo Ambiental, havia um grande cortume. No final dos anos 70 foi criado o Vale Refeição. Com esta nova facilidade, o Tartaruga se converteu numa espécie de refeitório do cortume. “De manhã paravam três ônibus na frente do bar e os trabalhadores desciam para tomar o café. Para almoço e jantar servíamos PF e pratos executivos”, seguiu revelando o Itamar.

Mas, apesar do movimento constante, a vida não devia ser fácil para o senhor Carmelino. “Eu e meus irmãos éramos todos piazinhos, tínhamos preguiça de sair da cama de manhã cedo e o pai e a mãe serviam o café sozinhos para a turma. Só o Ijair ajudava. Quando acordávamos, o furacão já tinha passado”.

Além disso, como mecânico de profissão, o senhor Carmelino era inexperiente nas funções do bar. É o próprio Itamar quem imita o sotaque carregado do pai ao desabafar sobre as hordas que entravam para fazer as refeições no bar: “Que eu chirvo, eu chirvo. Mas se rechebo, não chei”. E a vida na Casa da família Bortolanza seguiu assim durante alguns anos: batia a sineta no cortume, os trabalhadores corriam para o Tartaruga.

Churrasco

No início dos anos 90 o cortume se mudou dali. Com isso, naturalmente, o movimento despencou e os Bortolanza se viram obrigados a inovar. Um vizinho, seu Carlos, era assador profissional de churrasco. Foi ele quem sugeriu que a churrasqueira do Tartaruga fosse ativada e também ele quem primeiro assumiu o comando de uma das churrasqueiras de onde saem alguns dos assados mais celebrados de Curitiba até hoje. Pela mesma época, a mesa de sinuca e o lar onde a família Bortolanza morou deram lugar à ampliação do bar, com nova cozinha e depósito.

Há 7 anos o Jeremias assumiu o posto de assador, o que não alterou em nada a qualidade do que é servido nas noites do Tartaruga: costela de ripa, bananinha de costela, medalhão de mignon e até carneiro. Tudo será servido com os acompanhamentos ao gosto do freguês, uma vez que o serviço é à la carte. Dentre as opções estão salada de tomate, de cebola, farofa, maionese, arroz, etc.

Novos tempos, nova geração

São os irmãos Itamar e Beto que vêm administrando o Tartaruga há alguns anos. Seus filhos também assumiram funções. Primeiro o Alexandre, filho do Itamar, que ficou alguns anos trabalhando ali, com o pai e o tio. Foi ele quem implementou o bufê de almoço a quilo, servido diariamente. Com a saída dele para abrir restaurante próprio, entrou o Lucas, filho mais velho do Beto. Mais recentemente o Matheus, irmão caçula do Lucas, veio para o caixa. “Eu e o Beto seguimos trabalhando aqui, mas hoje eu posso ir para a praia quando quero” – comemora o Itamar.

Um ilustre freguês

Foi com um almoço agradável que o Itamar recebeu a Tutano e contou como tudo começou no Tartaruga. Espontâneo como uma criança, ele é ótimo contador de histórias, certamente os anos de experiência atendendo o público contribuíram para isso. É claro que pedimos para ele revelar histórias de bastidor. Ouvimos algumas impublicáveis “essa não pode sair na revista”, pediu o Itamar, se divertindo conosco. Mas uma delas fazemos questão de registrar. Consta que há alguns anos um homem calvo saltava do ônibus no ponto diante do Bar. Ele entrava, sentava no balcão à tarde e fazia sempre o mesmo pedido: vodca e cerveja Caracu. Bebia e proseava brevemente. Então pagava a conta e seguia para uma molduraria na redondeza, onde comprava o material para desenvolver o trabalho dele. Era um jovem artista plástico com carreira ascendente. Seu nome: Poty Lazarotto.

Tartaruga

Segunda a sexta-feira, 11h às 14h, almoço no bufê por quilo
Segunda a sexta-feira, 17h à 00h, bar (18h às 23h para assados e grelhados)
Segunda e terça-feira tem carneiro além do cardápio normal de carnes
Sábados, 11h às 16h, bar (11h às 15h para assados e grelhados)

Rua Itupava, 828, Alto da XV
(41) 3262-0301 (encomendas para retirada no balcão)

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André Bezerra é amante da gastronomia boêmia e “garimpeiro” de experiências que surpreendem o paladar. Fundador da Monstro Animal – produtora de eventos – e escritor por hobby. Siga no Instagram: @andrbezerra

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Artigo de: André Bezerra

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COMENTÁRIOS
  • Parabéns pela matéria pois é um fiel retrato da história, conhecemos a família Bortolanza fazem vários anos, é uma família maravilhosa, que proporciona com a sua simplicidade, para que o restaurante Tartaruga seja a extensão das nossas casas e sempre com excelente serviço.
    Um grande abraço.

  • Conheço a família Bortolanza desde 1975., essa família é , e sempre será, uma família abençoada e abencoadora. Honestos, trabalhadores, esforçados e fazem tudo com excelência e com muito amor. Se todas as famílias fossem como a família Bortolanza, o nosso BRASIL seria mais Brasil. Que o nosso DEUS continue os abençoando grandemente, em nome de JESUS. Um abraço e parabéns aos editores.

  • Excelente!
    Comida muito boa, ambiente agradável e atendimento nota 10

  • Parabéns pela matéria

  • Comida muito saborosa, ambiente para amigos e família. Proprietários sempre de bom humor.