ENTRAR Bem-vindo! Faça login para ter
uma experiência completa.

Uma pequena revolução em busca do sabor

11 de novembro de 2016

(7)
Gelinaz: por Jussara Voss

Em meio ao Suffle Gelinaz 2, a minha cabeça ferve, sobe e desce dentro da grande panela de ideias que mora dentro de mim. O prato será servido acompanhado de dúvidas e incertezas, como sempre.

Antes que me perguntem, Gelinaz é o projeto do jornalista Andrea Petrini, que brinca de Lego com os principais chefs do mundo da gastronomia contemporânea internacional. E a segunda edição do evento fora do esquadro está acontecendo no nosso quintal. São 40 chefs, que passam a viver na casa e na cozinha de outro chef, em um lugar qualquer do mundo. Dois do Brasil, Alex Atala e Manu Buffara, do “middle of nowhere”, como brinca Petrini. Sim, ele esteve na nossa cidade e conheceu a chef.  Pouca coisa não é. Ao contrário. É uma pequena revolução.

O vendaval gelinaziano me pegou de supetão. Caí com tudo – cada lugar tem um embaixador/jornalista que recebe o convidado. Aqui tive a sorte de não estar sozinha e contar com chefs amigos, além da equipe do restaurante, claro. Eles seguraram as pontas e acompanharam tudo, se desdobrando em 20 para bem atender. Parece que isso faz parte do nosso DNA.

Talvez volte ao assunto, ou replique a matéria que devo ainda escrever. A ideia para esta coluna era falar do trabalho de um dos mais talentosos e criativos chefs internacionais: Albert Adrià, irmão do famoso Ferran, aquele mesmo do mais famoso restaurante do mundo, o elBulli. Mas vou deixar marinando, por enquanto.

img_1153

A provocação de alguém próximo me instiga. Diz estar cansado de muita conversa, “não está tudo igual?”, escuto. Sim, respondo. “Todo mundo falando que devemos cozinhar com amor, que devemos usar ingredientes locais, valorizar os produtores, etc.?” Sim. Tendência? Sim. Nova moda? Sim. Claro que precisamos lembrar que são preocupações atuais e que podemos seguir. Não vejo problema, enfim, não passamos anos imitando a cozinha francesa e italiana?

Dou uma colheradinha do que Adrià falou no Congresso Internacional Mesa Tendências, realizado em São Paulo, recentemente. Só tem dois tipos de ingredientes, de pessoas, de cozinheiros e de pratos, os bons e os ruins. E haja criatividade, por favor. Parece simples.

Conviver com o nosso chef convidado – sua identidade precisa ser mantida em segredo até o dia do jantar, os convidados reservaram sem saber quem cozinharia – fez picadinho do que sobra da minha cabeça, que foi muito chacoalhada ultimamente. Ainda bem que chove torrencialmente enquanto escrevo, e água limpa sempre é bem-vinda em qualquer lugar, ainda mais na cozinha. Vamos lavar tudo e começar outra história?

Jussara Voss é blogueira e jornalista de gastronomia que vive a procura da refeição ideal.

Leia também:

Lições para aprender, ideias para copiar
O que aconteceu com a alta gastronomia

Artigo de: Jussara Voss

COMPARTILHE ESTA MATÉRIA
AVALIAÇÕES
(7)
  • Excelente
    5
  • Muito bom
    0
  • Normal
    0
  • Ruim
    1
  • Horrível
    1
DÊ SUA NOTA: