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Comer pizza em Los Angeles

6 de julho de 2016

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A jornalista Daisy Carias partiu para Los Angeles, na Califórnia, em busca da pizza perfeita

É, Los Angeles pode não ser exatamente a cidade da pizza – e é engraçado voltar de lá falando justamente dela. A gente sabe bem que os Estados Unidos, especialmente a Califórnia, não carregam a melhor fama quando o assunto é esse. A pizza aqui, no caso, é a napolitana clássica, elaborada com basicamente queijo e tomate, apenas. Na massa, nada mais do que farinha, fermento, sal e água – e ela deve, segundo a Associação da Verdadeira Pizza Napolitana (que, acreditem, de fato existe), ser exclusivamente trabalhada e esticada com as mãos e sempre assada em forno a lenha. Até seu tamanho, aspecto e coberturas possíveis seguem regras específicas. Tudo muito diferente da tradicional pizza americana (que fique claro, também tem seu valor).

Mas a minha tal prova de pizzas napolitanas em Los Angeles aconteceu meio sem querer. Fui para lá visitar um amigo – que coincidentemente é tão aficionado por pizza como eu (que, aliás, carrego uma fatia de pizza tatuada no punho esquerdo, tamanho meu amor). Assim que cheguei, logo no primeiro debate sobre o que jantar, um L.A. Weekly esquecido em cima da mesa nos deu a ideia: pizza. Pizza napolitana, lógico, a autêntica: a lista do jornal sugeria algumas das melhores da cidade. Vamos em uma delas, oras.

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Mozza

A primeira foi o Mozza – o motivo da escolha, a proximidade, apenas. A pizzaria é um dos restaurantes do chef Mario Batali, queridinho dos americanos. Fica ao lado da osteria que leva o mesmo nome, especialmente conhecida pelo bufê de mozzarella – mas não, nosso plano era pizza. O tempo de espera foi curto, e provamos a marguerita deles (sempre simples e eficaz: toma te, mozzarella, azeite de oliva e manjericão, nada além disso). A pizza ali é bem boa – definitivamente melhor que as tradicionais pizzas americanas, mas, já que o assunto é pizza-sonho, ela deixa a desejar. O queijo era espetacular, saboroso, mas a massa era dura demais. Pode ter sido azar, talvez tenha passado do ponto – mas a impressão não foi das melhores.

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Ago

Também não tivemos muita sorte na segunda noite, quando fomos jantar no Ago. O Ago é restaurante do chef Agostino Sciandri e de ninguém menos que o ator Robert de Niro – e, por isso, um lugar por assim dizer “badalado” da cidade. O lugar é excepcional, aconchegante e muito fino. A carta de vinhos, de tirar o fôlego: basicamente italianos, dos mais simples até alguns Sassicaias de safras excepcionais (e preços inacreditáveis). Mas a pizza, ah, a pizza não valeu. Absolutamente sem graça. A verdade é que a especialidade deles não é essa – o cardápio trazia dezenas de outros pratos diferentes e apetitosos. Azar o nosso, que insistimos na nossa obsessão da pizza mesmo onde não devíamos. Ainda assim, o restaurante valeu a visita – nem que seja pelo garçom que nos atendeu, que trabalhava também como ator (essa é Los Angeles) e que nos rendeu boas risadas. Voltaria, sem dúvida – mas da próxima vez arriscaria outro prato.

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Milo & Olive

A terceira noite nos levou ao outro lado da cidade, uma um tanto quanto longa viagem – mas que valeu absolutamente a pena. Aí sim levamos a pizza a todo um novo nível. Um cantinho em Santa Monica chamado Milo & Olive. Cantinho mesmo: apenas duas grandes mesas, comunitárias, totalizando 24 lugares. Desconhecidos sentam juntos e compartilham as garrafas de água, conversando entre si (ou não). Das mesas vê-se a cozinha completa e as paredes repletas de pães artesanais e iguarias produzidas no local. Lugar delicioso, simpático. Com tão poucos lugares, é quase inevitável pegar fila. O segredo é chegar tarde para o horário americano de jantar, depois das 10 da noite (fecha às 11) – chegamos nesse horário e sentamos de primeira, mas as mesas estavam cheias.

O cardápio ali é enxuto: algumas massas, poucas pizzas – de 8 a 10, cujas coberturas variam diariamente – e alguns pratos exclusivos do dia. Tudo lá é muito fresco, delicado. Escolhemos a pizza, logicamente, marguerita. Que pizza! De longe minha favorita. A massa tinha a medida perfeita entre crocância e maciez, a cobertura de queijo e tomate era delicada, porém farta – se é que me entendem. Quase rústica, como imagino que uma verdadeira napolitana deva ser.

800 Degrees

Nossa quarta escolha, na minha última noite de Los Angeles, foi a mais, digamos, trendy. 800 Degrees é a pizzaria da moda e traz filas enormes na porta, daquelas de virar o quarteirão. Mais uma vez, o segredo é chegar tarde – chegamos perto da meia-noite, e pasme, ainda pegamos uma pequena e modesta fila. O motivo, no entanto, é que a coisa ali é muito diferente: você vai montando sua pizza junto ao pizzaiolo, e entre 60 e 90 segundos, voi-lá, já sai com ela na mão. Literalmente: lá não há garçons, e é você quem escolhe seu lugar com pizza, prato, vinho, água e talheres na mão. Falando assim, a coisa parece meio fast-food, mas não é, nem de perto. Tudo muito fresco, muito saboroso – e o ambiente, apesar de bem casual, é elegante. Grande, espaçoso, decorado com caixas de pizzas no estilo old-school. A pizza vale a fila: não à toa foi eleita a melhor pizza de Los Angeles por diversas publicações gastronômicas, e não à toa está na moda. Vale o esforço.

Quatro noites em Los Angeles, quatro pizzas napolitanas, quatro garrafas de pinot noir – ah sim, quase ia me esquecendo: todas as nossas pizzas foram acompanhadas de vinhos locais, sempre pinot. Marguerita e pinot noir, há algum tempo descobri (ou inventei) que essa é uma bela combinação e agora não saio mais dela. Minhas noites gastronômicas de Los Angeles foram um tanto quanto incomuns – mas absolutamente deliciosas e divertidas.

Daisy é jornalista, se aventurou alguns anos como sommelier, é autora do blog oslivrosdefrancisco.com.br e está sempre viajando, comendo e bebendo por aí.
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