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Comida de avião

10 de maio de 2016

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Quem viaja sabe bem que comida de avião não é mole não. Diariamente, milhares de pessoas se veem no dilema do chicken or beef. Já fez a sua escolha?

Quando o assunto é globalização culinária, ninguém melhor do que as grandes empresas de catering aéreo para contar vantagem. Todos os dias, elas preparam milhares de refeições que embarcam junto com passageiros de várias nacionalidades para todos os cantos do planeta. Com enormes centros de produção ao lado dos principais aeroportos internacionais, nomes como LSG Sky Chefs ou Gate Gourmet dominam um mundo onde cada azeitona conta.

Os clientes dessas megaempresas são as companhias aéreas, que estipulam custos e, junto com uma equipe de chefs, determinam o cardápio de cada voo. Quem viaja bastante sabe bem que, mesmo na classe econômica, nem todas as bandejas são iguais. Na verdade, a diferença entre o que cada empresa serve em voos longos é bastante grande, indo das massas pouco temperadas dentro de caixas de papelão a saborosos peixes agridoce acompanhados de talheres de metal.

Comida de avião é um termo pejorativo, dificilmente usado para descrever refeições prazerosas e saborosas. Entre a produção do fricassê de frango com purê de batatas e a hora de servi-lo, muita coisa acontece. Dos fornos ao carregamento nas galleys (cozinhas) dos aviões, tudo é controlado para que a qualidade e a integridade da refeição não sejam comprometidas, afinal, um surto de cólera a 30 mil pés de altitude pode causar estragos inimagináveis, como aconteceu em um voo das Aerolíneas Argentinas em 1992.

Hoje em dia, as boas companhias aéreas, assim como boas moças casadoiras, vêm tentando fisgar o cliente pelo estômago. É um fenômeno novo no Brasil, visto apenas após o desembarque de nomes como Turkish (que tem um chef a bordo), Singapore Airlines, Emirates e Qatar Airways. Quem viaja com elas não passa fome (nem sede) na troposfera. Mas lembre-se que jet lag com ressaca dói.

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Em certos voos, é possível encontrar traços da cultura da companhia escolhida. A Air France serve o pão separadamente. A LATAM adoça o café com leite. Na Emirates todas as refeições são halal (de acordo com a lei islâmica). A Swiss sempre oferece chocolates. Na Korean Air dá para pedir kimchi. A Turkish serve vinhos da Anatólia. É uma maneira de mostrar algo diferente e agradar à maioria dos passageiros.

Mas quem tem restrições na hora de comer, como diabéticos, alérgicos ou vegetarianos? Para eles existem as “special meals”, que devem ser reservadas antes do voo e dão uma dor de cabeça danada à tripulação. Isso porque é preciso checar cada bandeja de refeição especial antes de decolar, certificar-se de que o passageiro não mudou de lugar e, no caso da comida kosher, seguir as instruções da embalagem à risca. A lista de opções desse tipo de comida é extensa e vai do vegetariano ao sem lactose, do hindu ao sem glúten. 

Nas suas próximas férias, na hora de escolher entre o estrogonofe com batatas ou o ravióli de ricota, lembre-se de que aquela refeição não foi preparada para ser a melhor de sua vida, mas sim para distrair você durante algumas horas do voo e permitir que você chegue ao destino sem desmaiar de fome. Por isso, seja menos exigente e bom apetite.

Diário De Bordo

Assim que a tripulação entra no avião, cada cabine tem um comissário encarregado de checar o catering. Com a lista de passageiros e o cardápio do voo em mãos, o tripulante certifica-se de que há bandejas para todos os passageiros e todos os serviços (almoço, café da manhã, lanche), inclusive refeições especiais. É preciso abrir os vários contêineres para ver se não há nada perigoso ou suspeito dentro deles. Um funcionário da empresa de catering explica onde está cada coisa, o que é omelete, o que é panqueca, que cor tem a embalagem do frango e a da carne. É preciso garantir que há garrafas de água mineral, refrigerantes, sucos e outras bebidas. Cada companhia aérea e cada modelo de avião tem o lugar certo de cada contêiner para que a tripulação encontre facilmente os itens necessários. Só após receber o ok de todas as galleys é que o chefe de cabine autoriza o embarque de passageiros.

Algumas curiosidades

  • Os pilotos de um voo internacional não podem comer a mesma coisa. Geralmente o comandante escolhe antes do copiloto. Eles estão proibidos de comer frutos do mar.
  • Não se deve esquentar a comida antes de o avião decolar, pois no caso de atrasos ou problemas técnicos não é possível requentá-la.
  • Mesmo a bandeja mais singela tem um custo altíssimo, pois inclui não só a comida, mas também os utensílios (pratinhos, talheres, guardanapos), o equipamento (trolleys, contêineres), o carregamento (e descarregamento) de tudo etc.
  • As empresas de catering também preparam comida para redes de fast-food e cafeterias. É o caso da Gate Gourmet, que elabora os sanduíches servidos na rede Starbucks em vários países do mundo, inclusive no Brasil.

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  • Prezados, gostaria de saber se um lanche individual que preparo para um evento, pode ser denominado: "catering", obrigada, Gemma