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Culinária colombiana

6 de abril de 2016

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Confira as dicas gastronômicas de uma mochileira profissional

Antes de conhecer a Colômbia, cada vez que eu pensava no país, as primeiras coisas que me vinham à cabeça eram as FARC, tráfico de drogas, sequestros e os 100 anos de solidão do Gabriel García Márquez… Hoje, sempre que lembro do tempo que passamos lá, as lembranças mais nítidas são do cheiro do Café Juan Valdez em cada esquina de Cartagena, do gosto dos tamales que comemos em Bogotá, dos ajiacos, buñuelos, pan de Bono (a versão colombia na do nosso bom e velho pão de queijo) e arepas (pão de milho frito) que comemos por todo o país!

Para viajantes bons de garfo como nós, não há nenhuma novidade no fato de que as melhores recordações de uma viagem sejam as gastronômicas. Mas a Colômbia é especial – nas nossas andanças em terras colombianas, conhecemos uma cultura diferente, tradições indígenas, desbravamos paisagens paradisíacas no lado mais selvagem de San Andrés, nos encantamos com a sensação de voltar no tempo em Villa de Leyva, vimos uma arquitetura colonial sem igual em Cartagena, um povo tri-hospitaleiro e cordial… Mas o que até hoje nos faz suspirar de saudades é a culinária colombiana!

Por isso, foi com muita alegria que eu recebi o convite para contar a vocês das nossas experiências gastronômicas colombianas aqui na Tutano. Como era uma das primeiras viagens internacionais que fazíamos com o nosso filho, que ainda não havia completado um ano, a comida era realmente um receio – e como estávamos equivocados. Não há nada a recear!

Muito além de Bogotá

Para início de conversa, preciso dizer: a Colômbia é bem mais que Bogotá, Cartagena e San Andrés, destinos mais conhecidos pelos turistas que vão até lá! Viajamos duas semanas pelo país e não deu tempo de ver nem metade do que eu gostaria (como sempre!) – entre outros lugares imperdíveis, recomendo com veemência San Gil, Barichara e Villa de Leyva, uma cidadezinha melhor que a outra.

Mas o que é realmente imperdível na Colômbia é a fartura de frutas com nomes exóticos e intraduzíveis como guanábana, lulo, zapote, mamoncillo, tomate de árbol… e os sucos! Ah… os sucos naturais vendidos nas ruas de Cartagena, onde a temperatura facilmente ultrapassa os 40 graus, são a “refrescância” em estado líquido! Para provar vários, siga até o Muelle de los Pegasos, onde há pelo menos uma dúzia de banquinhas enfileiradas.

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Não deixe de experimentar um sorvete de mamoncillo – uma das delícias que provamos na Colômbia! Para provar os doces locais típicos (as cocadas são incríveis!), vá até o chamado Portal de los Dulces, na Plaza de los Coches de Cartagena. Se quiser, ainda em Cartagena, tomar uma sangria ao ar livre e fazer um programa bem “turistão”, a melhor opção são os restaurantes pega-turistas da Plaza de Santo Domingo, um lugar delicioso, cheio de músicos e vendedores de todo tipo de quinquilharia inútil que a gente acaba comprando on the road. Para compor o cenário, uma igreja linda de morrer e uma estátua das gordinhas do Botero.

Caso você prefira uma experiência mais autêntica…

Afaste-se o máximo possível do miolo do centro histórico – embora alguns poucos bons restaurantes estejam situados lá, a grande maioria são arapucas para turistas desavisados! Recomendo, no bairro de San Diego, os lugares que ficam ao redor e nas proximidades do Hotel Sofitel Santa Clara. Se você enveredar para a região costeira ou para as ilhas do Caribe colombiano, não deixe de provar o típico arroz com coco e um bom rum. Nossa melhor experiência com frutos do mar em San Andrés foi no restaurante Fisherman Place, um BB (bom e barato) perto do Hotel Restrepo. Em Villa de Leyva, recomendo o El Tomatino – um restaurantezinho italiano que fica dentro de uma das casas antigas que existem em Villa e que serve uma truta deliciosa! A refeição mais comum – o “prato feito” colombiano – é o que eles chamam comida corriente.

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Entre as comidas típicas, uma das especialidades de Bogotá é o ajiaco de pollo – a receita leva galinha, milho, mandioca, repolho, batata, alcaparras e abacate, entre outros ingredientes que eu não consegui identificar. Outra queridinha é a bandeja antioqueña: carne grelhada, arroz, feijão, patacones (bananas verdes fritas) e ovo frito – não há menu na Colômbia que não tenha alguma versão desses tradicionais pratos colombianos.

O primeiro passeio “obrigatório” para o viajante que chega em Bogotá é uma visita ao excelente Museu do Ouro – sem dúvidas, o melhor do mundo. lá, você já pode fazer uma pausa para os seus olhos descansarem de tanto brilho e provar o seu primeiro tinto, o café colombiano. Eu sei, eu sei, o café brasileiro supostamente seria tão bom quanto o colombiano. Supostamente! Mesmo com os meus melhores esforços bairristas, tenho que admitir que não há comparação possível – tanto que nunca esqueci meu primeiro café colombiano!

Entre um tinto e outro

O café premium colombiano – infelizmente, nos apaixonamos pelo Café Juan Valdez à primeira vista e, nesse caso de amor, não houve lugar para outras experiências – tem uma história de mais de dez anos, com lojas em mais de dez países, do Kuweit a Aruba, de El Salvador aos EUA e, além de tudo, tem o melhor ar-condicionado da Colômbia, em cafés daquele tipo que dá vontade de ficar sentado o dia todo, só vendo a vida passar… Entre uma visita ao Museu Botero e uma subida ao Cerro de Monserrate, outro Juan Valdez!

Nas mochilas, a caminho de casa, muitos quilos extras – aquele com aroma de baunilha, o outro com gostinho de chocolate. Cada vez que se entra em uma cafeteria, não há escapatória: é certeza de um quilo a mais de café na mochila! Aliás, quando descer do carro, não deixe de experimentar as delícias do El Gato Gris, um restaurante superaconchegante no meio do bairro La Candelaria, centro histórico charmosíssimo de Bogotá!

Outro local mandatório na capital é a confeitaria La Puerta Falsa, com mais de 170 anos de história, pertinho da Plaza Bolívar, no coração da cidade (endereço: Calle 11 nº 6-50). Ali pertinho, destaque também para o restaurante Puerta de La Tradición. Para se aquecer, vá de chocolate santa fereño na Pastelería Florida: uma boa taça de chocolate quente onde a tradição determina que você coloque um pedaço de… Queijo! (Endereço: Carrera 7 nº 20-82.)

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Outra das excentricidades colombianas que eu não fiz muita questão de provar foi o cuy – porquinho-da-índia grelhado – já havíamos tido uma experiência desconcertante anos antes com um cuy no vizinho Peru! Ainda da série “o que evitar” na Colômbia, um destaque para os refrigerantes locais, um pior que o outro, de amargar! Compramos a famosa Pony Malta para experimentar e deu vontade de vomitar! Não recomendo, a não ser pela experiência…

De todas as possibilidades gastronômicas que você vai encontrar, contudo, a mais imperativa são os tamales – são tantas as variações regionais que a única descrição comum a todos é o fato de que são enrolados em folhas de bananeira – imperdíveis!

Embora a Colômbia não seja imensa, a diferença de uma região para outra é tão grande que a ideia que se tem, viajando pelo país, é a de que você está visitando vários países em um e várias culinárias também, tamanha a diversidade de pratos regionais. É claro que o país ainda é o maior produtor mundial de cocaína e notícias de sequestros de turistas assustam – mas, tomadas as devidas precauções, a Colômbia vale o desafio – é estimulante, convidativa, hospitaleira e exótica. E fica aqui ao lado!

Claudia é mochileira profissional e já morou em vários países. Escreve no blog Felipe, o Pequeno Viajante.

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