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Desbravando um Paraná

1 de março de 2016

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Surpreenda-se com os melhores lugares para comer na Lapa, União da Vitória, Prudentópolis, Carambeí, Castrolanda e Witmarsum

Tudo começou com um convite inusitado feito pela Cooperativa Paranaense de Turismo (Cooptur) em parceria com o SEBRAE/PR: “Desbravar um Paraná que você ainda não conhece”. Os convidados, blogueiros e jornalistas locais e de outros estados do Brasil, partiram de Curitiba para uma aventura intensa de cinco dias pela estrada, sem que fosse preciso se afastar muito da capital. Eu aceitei o convite.

Sou gaúcha, publicitária, blogueira e, principalmente, uma faminta por viagens e pelos sabores que elas proporcionam. Já conhecia bem Foz do Iguaçu e um pouco de Curitiba. E, admito, não tinha a mínima ideia do que esperar dessa viagem. Aliás, o roteiro foi surpresa para todos os convidados. Só tomávamos conhecimento dos destinos momentos antes de o ônibus estacionar em cada região.

Percorremos cidades e regiões étnicas e históricas do interior do Paraná, como: Lapa, União da Vitória, Prudentópolis, Carambeí, Castrolanda e Witmarsum.

Visitamos um pedacinho da Ucrânia, da Polônia, da Alemanha e da Holanda que habitam as terras paranaenses. Na Lapa, aprendemos um pouco sobre o tropeirismo e a história do episódio militar denominado “O Cerco da Lapa”, ocorrido em 1894 durante a Revolução Federalista. À noite, participamos de uma serenata pelas ruas do centro e fomos agraciados com um inesquecível espetáculo do Paraná Jazz Meeting no histórico Teatro São João. A beleza natural das cachoeiras e a riqueza da cultura ucraniana foram destaque em União da Vitória, às margens do Rio Iguaçu, e em Prudentópolis, onde tivemos aventuras radicais no Ninho do Corvo (minha primeira vez no rapel!). Ainda em União da Vitória, tivemos a oportunidade de ver um ensaio de dança do Grupo Folclórico Kalena, no belíssimo edifício art decó do Cine Teatro Luz. Após os costumes ucranianos, demos um pulinho nas colônias holandesas de Carambeí e Castrolanda (no município de Castro). Por fim, fomos conhecer o Parque Estadual de Vila Velha e encerramos a viagem pela vida rural encantadora da colônia menonita alemã de Witmarsum.

Ninho do corvo fotografo (22)

A Comilança

Apesar de mergulhamos fundo nos costumes e peculiaridades de cada região, conhecendo a cultura e os talentos locais, as grandes emoções e suspiros de nosso roteiro ficaram por conta da comilança. Foi impossível não morrer de amores pela culinária das pequenas cidades. Pratos “temperados” pela rica herança cultural dos descendentes de imigrantes e pelo carinho de personalidades locais. A seguir, confia alguns momentos-ápice do tour gastronômico. Por essas bandas, a boa mesa prepara surpresas. Come-se divinamente bem.

arroz com carne charque

Os Pratos Tropeiros da Lapa

A história do tropeirismo está presente no patrimônio arquitetônico da Lapa e nas receitas que nos fazem sair felizes (e rolando!!). Sim, os pratos são pesados e calóricos, mas valem cada garfada. Ainda bem que existe a convidativa rua principal arborizada da cidade (antes, o antigo Caminho das Tropas) para dar uma caminhada ou pedalada caso alguém cometa algum excesso à mesa.

caminho das tropas2

No Hotel Tropeiro da Lapa, fomos agraciados com um bufê de comidas tropeiras. O ambiente é rústico e simples, mas os pratos são supercaprichados. Do cordeiro na brasa ao esplêndido feijão com ovo frito, tudo é digno de aplausos. Fui apresentada à quirera com costelinha de porco, uma espécie de polenta mole de outro mundo. E ainda tinha o torresmo, o frango ensopado, o arroz com carne-seca e as sobremesas. Aliás, a dica é reservar um espaço para o pudim de leite, sem ex-pli-ca-ção!

Onde fica:
A Lapa fica a cerca de 60 km de Curitiba.
Hotel Tropeiro da Lapa
Rodovia do Xisto (BR 476) Km 60, Lapa
(41) 3622-7476 / (41) 3622-2453

Outros locais para comida típica na Lapa:
Restaurante Lipski
Av. Dr. Manoel Pedro, 1855, Lapa
Restaurante Espaço Único
Praça General Carneiro, 326, Lapa
O Casarão Restaurante
Al. David Carneiro, 307, Lapa

O Bolinho e a Caipirinha de Limão Galego com Steinhaeger do Parque Histórico de Iguassu

Em União da Vitória, extremo sul do estado e divisa com Porto União, no estado de Santa Catarina, os sabores se mesclam: história do tropeirismo e da colonização de imigrantes alemães, italianos, ucranianos e poloneses. Cultura e mesa farta de etnias! É a terra da Festa Nacional da Costela e da rota das cachoeiras. Por lá, visitamos o Parque Histórico do Iguassu, onde o seu idealizador, Dago Wohel, faz de tudo para envolver seus visitantes com as lendas e causos da região. Porém, quem ganha mesmo a nossa atenção é a sua esposa, Joana, e suas ajudantes de cozinha. Elas preparam com maestria um excelente almoço caseiro e regional no parque.

Nossa experiência iniciou com a típica bebida alemã produzida pelas redondezas, o Steinhaeger. No Parque Histórico de Iguassu, junto ao delicioso limão galego, açúcar e muito gelo, a ‘‘alemoa’’ destilada entra no samba e se transforma em caipirinha.

Caipira

As visões dos pratos fumegantes sobre o fogão a lenha fizeram todos se ajoelharem. A grande estrela foi o bolinho de fermento (meio ucraniano, meio alemão) cheio de segredos em seu preparo. “Ele é cozido a vapor e não pode pegar um ventinho ao sair da panela”, relatou a cozinheira Joana, proprietária do parque. Seu nome é bem complicado: Hefeklöße. Por favor, dá pra repetir? O nome e o prato, é claro! Fui instruída a regar o meu Hefeklöße com molho de queijo ou de carne. O melhor, na minha gulosa opinião, foi a ver são do bolinho com ensopado de frango caipira e molho de queijo. Sim, mandei ver uns três desses tais bolinhos.

Hefeklöße

Onde fica:
União da Vitória fica a 240 km de Curitiba.
É preciso agendar antecipadamente o almoço e a visita ao Parque Histórico do Iguassu. No caminho para o parque aproveite para conhecer algumas das principais cachoeiras e o Morro do Cristo. Se possível, programe-se para uma apresentação de dança do grupo folclórico Kalena.
Parque Histórico do Iguassu
Colonia Porto Almeida, União da Vitória 84600-000
(42) 3523-1515

O “Bufê Uau” com Pirogue e Polenta Cremosa com Ragu de Frango

Quem vai a União da Vitória precisa agendar uma visita ao município de Porto União, o vizinho catarinense. O motivo? Simples: a comida saborosa do Restaurante Portal das Palmeiras. Jantamos nesse restaurante e saímos impressionados. Recomendo fortemente o pirogue feito na perfeição (o prato típico polonês, uma massa recheada com batata e ricota) e a polenta macia e cremosa com um ragu de frango temperado no capricho. Como tira-gosto, jogue-se na caipirinha de Steinhaeger (sim, novamente ela!). Aposte todas as suas fichas harmonizando a bebida com o lambari frito servido na entrada. Não tem erro. Só é preciso ir com calma, pois todos os pratos do bufê são fenomenais.

ragu e polenta

Onde fica:
Restaurante Portal das Palmeiras
Rua Expedicionário Edmundo Arrabar, 4601, Santa Rosa, Porto União (SC). Ao lado da cidade de União da Vitória no (PR).
(42) 3522-0528

Vamos Comer Torta em Carambeí

Dizem que o convite acima é uma expressão típica do pessoal de Ponta Grossa que mora perto de Carambeí. Comer torta é um programa clássico dos finais de semana nessa região. Carambeí, juntamente com a sua vizinha, Castrolanda, faz parte da maior bacia leiteira do país. Não é por menos que é conhecida por ser a cidade da Batavo. E, acima de tudo, por ser a pequena Holanda paranaense.

Estávamos por lá no final de semana do Festival das Tortas – uma grande atração realizada no Parque Histórico de Carambeí. Inaugurado há dois anos, o local conta a saga dos imigrantes na região e é um passeio gostoso para ser feito em família. As tortas? Quem não for para o festival – que acontece somente uma vez por ano – pode saborear os doces no Frederica’s Koffiehuis, localizado na entrada do parque. As tortas são cobradas por peso. Provamos (e aprovamos) a torta holandesa, a de damasco, a de morango, a de prestígio, a de chocolate e a cheesecake de amoras. Dica: não deixe de tirar uma foto vestida de holandesa num cenário típico dentro do Parque!

torta carambeí

Onde fica:
Carambeí está a 20 km de Ponta Grossa.
Parque Histórico de Carambeí
Av. dos Pioneiros, Carambeí
(42) 3231-5063

Fui almoçar na Holanda e já volto

O restaurante fica dentro de um hotel frequentado por famílias: o Hotel de Klomp. Sua fachada vale uma foto divertida ao lado dos tamancos holandeses gigantes. O ambiente não tem frescuras. O colorido dos pratos do bufê atiça o paladar dos curiosos famintos: muito rosa (na maionese de beterraba!), laranja e amarelo. É o festival do purê: de maçã, de batata com chucrute e de cenoura. E todos, na minha opinião, combinam muito bem com as deliciosas almôndegas.

Onde fica:
Restaurante do Hotel de Klomp
Av. dos Pioneiros, 1306, Centro, Carambeí
(42) 3231-1708

frente hotel2

A Colônia Menonita do Café Colonial

Apenas 50 km separaram a capital do Paraná da pacata vida rural de Witmarsum e seus dois mil habitantes (sendo que 1.200 são menonitas). A região foi fundada em 1951 por imigrantes alemães desse grupo étnico religioso. Vale a pena dedicar alguns minutos da sua visita ouvindo o historiador Heinz Egon Philippsen no Museu Histórico da colônia, um contador de histórias como nenhum outro. Seus relatos envolvem os visitantes.

Witmarsum é famosa pela produção de queijos finos (o que, por sinal, salvou a colônia de uma crise econômica no início do ano 2000). Não vá embora sem antes levar para casa um carregamento de camembert, brie, ricota e asiago. Sério, leve um isopor e faça um estoque! São frescos e altamente deliciosos. Os queijos, assim como os embutidos produzidos nessa região, estão presentes à mesa dos fartos cafés coloniais que atraem os turistas à região.

Nosso grupo almoçou no Sabores da Colônia (atrás do Museu Histórico). O suco refrescante de limão com couve era tudo que eu precisava naquele domingo quente e de muito sol. À tarde, visitamos também a Confeitaria Kliewer e seu aprazível jardim. Compramos queijos, muffi e alguns produtos coloniais no local. Finalizamos o passeio na simpática Pousada Campos Gerais. São apenas seis quartos num astral “casa da avó” e um café da manhã caprichado com produtos menonitas (a pousada só utiliza produtos caseiros e locais, feitos na colônia e arredores!). Deu vontade de passar um final de semana sem pressa por essas bandas e aproveitar os passeios a cavalo, banho de rio e engraçado tour de trator.

Onde fica:
Museu Histórico de Witmarsum
Rua Colônia Witmarsum, s/n, Zona Rural, Palmeira
(42) 3254-1453
Pousada Campos Gerais
(41) 9 8873-3016
Confeitaria Kliewer

(42) 3254-1278

Uma boa Sacudida Depois do Almoço na Terra da Kracóvia

Pequena Ucrânia do Brasil. Do famoso embutido conhecido como “Kracóvia”. Cidade das cachoeiras gigantes (são mais de 52 quedas d’ água). E do primeiro rapel da minha vida no Ninho do Corvo – uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) dedicada à prática de esportes radicais.

Nossa aventura começou à mesa, com as delícias servidas em travessas de barro pela esposa do proprietário do local, Márcio Miranda.

Tudo parecia tranquilo até iniciarmos a primeira descida de tirolesa pela encosta. Capacete, cintos e cabos bem seguros, ok, lá vamos nóóósss. Mais trilhas pela mata e, uau, chegamos ao rapel. Haja coragem. A adrenalina foi (literalmente) às alturas. O visual entre as pedras e as cascatas é de tirar o fôlego. Nosso grupo lavou a alma no Ninho do Corvo. E, depois, dormiu com os anjos no Hotel Fazenda Ózera (recomendo o hotel para quem tem crianças!).

Ninho do corvo rapel

Para finalizar, uma dica nada gourmet, porém imperdível: não deixe de visitar a bela igreja ucraniana de São Josafat, em Prudentópolis. E ainda: faça de tudo para que a sua visita à igreja seja guiada pela irmã Meroslava Krevei (grande personalidade local e curadora do Museu do Milênio – espaço dedicado à cultura ucraniana). Certamente, uma senhora abençoada pela simpatia.

Onde fica:
Ninho do Corvo
A 25 km do centro de Prudentópolis.
(42) 9131-8694 / (42) 3224-0606 (à noite)

Igreja Matriz São Josafat
Rua São Josafat, s/n, Prudentópolis
(42) 3446-1140

Hotel Fazenda Ózera
Rod. BR 373, Prudentópolis
(42) 3446-531

Alexandra Aranovich viajou para o interior do Paraná a convite da Cooperativa de Turismo do Paraná – Cooptur em parceria com o SEBRAE/PR.

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Quina do Chef (Campina Grande do Sul)

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