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Dieta na rede

27 de março de 2016

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As dietas da moda caem na boca do povo e fazem até você, esperto leitor, querer saber como o “corpitcho” da Deborah Secco voltou tão rápido depois da gravidez

Está na moda fazer dieta e ainda mais na moda compartilhar informações sobre alimentação saudável, malhação e qualidade de vida em blogs e redes sociais. Tem gente que até faz disso o seu ganha pão, low carb, no caso. Já parou pra pensar que até bem pouco tempo atrás você ainda comia tranquilamente o seu pãozinho branco na chapa sem medo e culpa? O que mudou, então? A gente arrisca alguns palpites: um deles é que quanto mais informações a gente tem sobre o que comer, mais pensamos sobre isso e o outro é que nada melhor para seguir uma dieta do que exemplos de sucesso.

Se você digitar a palavra dieta no Google vai encontrar mais de 76.600.000 de resultados em menos de 0,6 milésimos de segundos. Um dos blogs mais famosos que falam de dieta e boa forma, o Blog da Mimis, o Instagram da it-fit (nem sei se a palavra existe, mas cabe aqui) Carol Buffara. É bastante informação, não é? Em pouco tempo, muita gente já está compartilhando e curtindo novas postagens e, quando o assunto é dieta, isso parece ser ainda maior.

A dieta da princesa

Em 2011, bastou a então noiva real Kate Middleton desfilar alguns quilos a menos no casamento com o príncipe William para que a imprensa especulasse qual o segredo da sua boa for ma. Apelidada de “dieta da princesa”, o método criado pelo médico francês Pierre Dukan tornou-se um verdadeiro fenômeno e virou febre entre celebridades e anônimos. A partir do best-seller escrito por Dukan “Eu não consigo emagrecer”, muitos blogs e páginas passaram a “traduzir” o método para o leitor com sugestões dos alimentos que eram permitidos e os que não eram, quais as fases da dieta, receitas e assim por diante. De repente, o pãozinho, o hambúrguer, a massa e a pizza viraram os novos inimigos da cintura. Quem, nos últimos tempos, em qualquer conversa de boteco, churrasco, festa da firma já não ouviu alguém que está “dando um tempo nos carboidratos” na busca de um corpinho mais magro? Sem contar que aos poucos, alimentos que ficavam escondidos nas lojinhas de produtos naturais começam a virar as estrelas da vez, como é o caso do farelo de aveia na dieta Dukan ou ainda alimentos proteicos para atletas, alimentos sem glúten… e por aí vai.

Esse é um exemplo, mas dietas surgem o tempo todo e algumas prometem verdadeiros milagres! Já pensou secar quatro quilos em uma semana só tomando água com limão em jejum? Ou apenas comendo abacaxi? E o suco de berinjela? Não parece promissor… É como diz aquela frase: “Comecei uma dieta, cortei a bebida e comidas pesadas e, em 14 dias, perdi duas semanas”. Claro que a gente não sugere que a pessoa “largue os bets” no controle da alimentação, mas também não podemos esquecer que há uma mídia forte da indústria da dieta por trás de muita coisa que é oferecida por aí. E, além disso, os exemplos que a gente vê nas capas de revistas e sites são uma combinação de exercícios, tratamentos estéticos e alimentação, e em alguns casos até de um bom tratamento no Photoshop.

Mas não desanime! Para quem já está de olho no verão e tentando estrear aquele corpinho fica a dica: “A perda de peso requer muito esforço, dedicação e principalmente organização. É necessário readequar hábitos alimentares e também muitas vezes comportamentos para que a perda de peso aconteça. É ilusão acreditar que deixando de comer certo nutriente ou alimento por um período (semanas, meses) promoverá a perda de peso”, ressalta a nutricionista Andressa Roehrig Volpe, especializada em Nutrição Clínica. Ela lembra que é preciso equilíbrio e também se “apaixonar” por um estilo de vida saudável, que não quer dizer restritivo, afinal, sempre teremos festas, comemorações e momentos em que daremos um (pequeno, talvez) chute no balde. Informação é sempre bem-vinda, mas cada corpo é único e por isso é preciso ter cuidado com o que a gente lê.

Algumas das dietas mais intrigantes da história

Se você pensa que fazer dieta é algo novo, se engana. Há pelo menos 2000 anos o homem corre atrás do prejuízo quando o assunto é perder peso.

Galeno (A.c. 130-A.c 200) – médico grego: Em um dos primeiros estudos de caso sobre o tratamento da obesidade, Galeno relata que emagreceu um “gordo enorme” fazendo-o correr pelas manhãs até ele suar muito, depois ele era esfregado com força e finalmente tomava um banho quente. Só depois, a pessoa comia e então era forçada a trabalhar.

Imperatriz Elisabeth Amalie Eugenie Von Wittelsbach, a Sissi (1837-1898) – A imperatriz media 1,70 e pesava 47 quilos. Se a sua cintura passasse de 50 centímetros, ela se recusava a comer. Dizem que ela tomava apenas um caldo magro, suco de laranja e leite e cumpria uma rigorosa série de exercícios físicos diários que eram considerados uma novidade na época.

Horace Fletcher (1849-1914) – médico americano: Sugeria que para a pessoa emagrecer deveria mastigar intensamente a comida até ela ficar líquida e perder o sabor. Para o método nomeado como “A grande mastigação” funcionar, a pessoa deveria mastigar cada bocado de comida pelo menos 100 vezes. Segundo ele, parte da obesidade das pessoas devia-se ao “trabalho relapso com a boca”.

“Acenda um lucky” – Propaganda de 1929: Na publicidade com a atriz do cinema mudo Constance Talmadge, sugere-se o consumo de cigarros da marca Lucky Strike em substituição aos doces que fazem engordar. “Acenda um Lucky e você nunca mais vai sentir falta dos docinhos que fazem você engordar.”

Adaptado de: A tirania das dietas: Dois mil anos de luta contra o peso. Louise Foxcroft Editora Três Estrelas (2013). 279 páginas.

Quem nunca? Confira depoimentos de quem já fez verdadeiras loucuras para perder peso!

Fátima Stellfeld Mansani é advogada e já tentou de um tudo em busca de um corpo mais magro.
“Comecei a ter noção que era ‘gordinha’ com 12 anos. Foi quando resolvi comer terra pra ficar com uma lombriga, pois minha prima Angela tinha, comia muito e era magra. Foi quando fui à primeira vez num endócrino, que disse que quando ‘ficasse mocinha’ emagreceria. Claro que era mentira, né? Minha saga por todo tipo de regime começou nessa época. Já fiz dietas, dietas e mais dietas… remédios e mais remédios. Inibidores de apetite… tomei todos que existem de tarja preta. Dieta de Beverly Hills, comi alguns abacaxis e fiquei com a boca inteira de aftas. Dieta do Atckins… comia um boi com chifre e tudo. Duas dúzias de ovos, mas nem um grão de arroz, nenhuma fruta e zero carboidrato. Emagreci 15 quilos e depois recuperei tudinho e ainda fiquei com uma raiva danada quando soube que o médico que inventou morreu do coração com quase 200 quilos! Água morna com gotas de limão em jejum tomei muita… nunca perdi um quilo. ”

Naymme Moraes é historiadora e mestre em História da Arte. Acha que chocolate e exercício físico podem coexistir pacificamente.
“Até os 28 anos nunca me imaginei tendo que dar um tempo na cerveja, no chocolate e no macarrão, meus exageros preferidos. Mas com o tempo vieram aqueles quilinhos a mais e daí para entrar na loucura das dietas e academias foi um passo curto. Depois de muitos quilos a menos e angústias a mais, eu que sempre militei pelas liberdades estava presa a um padrão que abo minava, quando me olhei no espelho e vi que eu não era mais eu. Hoje a medida certa é aquela corridinha três vezes por semana, uma reeducação alimentar que não me impede de comer meu chocolate diário e um vestido velhinho que está no armário há alguns anos e que continua me servindo.”

Sabrina Demozzi é jornalista e leitora assídua da Tutano. Também é formada em Gastronomia e mestre em História e Cultura da Alimentação pela UFPR.
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