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Diga sim ao restaurante em casa

15 de abril de 2016

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Não restaurante, home restaurant, home bistrot... Não importa o nome, mas a ideia acontece em várias cidades pelo mundo e, claro, em Curitiba também

Mas, afinal, do que se trata? Chefs/cozinheiros ou aficionados por gastronomia, na busca por uma comida mais artesanal, a tal comfort food, abrem as portas de suas casas para os comensais. A maioria dos eventos é marcada pela internet, mas podem também ser por encomenda. As pessoas pagam o valor pré estabelecido e têm direito à entrada, prato e sobremesa, água, talvez refri (se o chef não for natureba) e levam a bebida alcoólica de sua escolha. Num programa para TV, o chef Jamie Oliver visitou dois lugares neste estilo em Nova York: a casa de uma família peruana e o apartamento de duas cozinheiras que desistiram de trabalhar em restaurantes e ganham a vida assim. Ficou impressionado com o clima descontraído e a alta qualidade da comida.

Esta que vos escreve sempre foi partidária de jantares em casa com amigos, de preferência reunindo um “polaco de cada colônia”, pra coisa ficar mais interessante. A parte de cobrar ainda me escapa, até porque na cozinha sou diletante. Em Curitiba existem vários profissionais que trabalham desta forma, conversei com alguns que conheço e admiro.

Pastifício Dell’amore

Uma graça de casa ao lado do Parque São Lourenço onde o casal de jornalistas Josi Basso e Felipe Pasqualini sentaram praça desde 2006. Os eventos acontecem na copa/ cozinha /jardim, que eu gosto de chamar de “my own private Pantagruel”, porque tem o ar brejeiro de quintal do já clássico e alternativozinho “Panta”, mas com a exclusividade do evento fechado. O foco da cozinha são as massas artesanais. A fiore di mozzarella di buffala é de chorar de boa. Felipe aprendeu a lidar com a máquina caseira Velox Luxo de sua mãe ainda criança. Já Josi é aquele tipo raro de ser humano que faz levain, tarefa que não é para qualquer um… O resultado são pães de fermentação lenta absurdamente saborosos. Como os dois têm todo um histórico com Zimbro e têm ótimos fornecedores de lá, frutos do mar também são uma boa pedida. A preocupação com sustentabilidade e a cadeia produtiva dos alimentos já existia mesmo antes de a Josi ter ido trabalhar numa propriedade chamada Borgo de la Collomba, em Fosdinovo, na Toscana, onde acompanhou de perto o sistema do agriturismo italiano.

O Pastifício atende a grupos de 4 a 25 pessoas e também faz eventos fora. A média de preço é de R$ 60 com entrada, prato principal e sobremesa. As bebidas podem ser levadas mediante pagamento de rolha ou cobradas à parte.

Dodô Cozinha Artesanal

É o que a chef/proprietária Aline Higa gosta de chamar de “restaurante de portas cerradas”. Dodô vem do pássaro, mas também do japonês DO: caminho do autoconhecimento e iluminação. A essa altura já dá pra sacar que se trata de cozinha vegetariana (Aline disse que ovolacto um dia chega ao vegano, mas, por enquanto, não…). Funciona num apartamento grande e espaçoso no centro da cidade, com vista para o paço municipal, desde 2010. Aline, artista plástica por formação, foi para porto alegre pintora e voltou cozinheira (não sem antes fazer o curso do senac). Apaixonada por conservas, ela tem o que considera uma “lujinha“ em casa com chutneys, berinjelas, alhos etc. sua especialidade é cozinha mediterrânea, marroquina e grega, e o orgulho da casa é a moussaka vegetariana. A ideia da Aline é fazer comida sem malabarismos. Atende a grupos de 4 a 8 pessoas, numa média de preço de R$ 50,00 para entrada, prato e um mimo doce no final. Bebidas podem e devem ser levadas.

Tutano (5)

Culinária Afetiva

Rodrigo Santiago era um advogado com amor pelo bem comer e cozinhar. Incentivado em boa parte por sua mãe, ele mudou seu rumo profissional e foi fazer o famoso curso do Senac de Águas de São Pedro. Na volta, em 2012, começou, em seu apartamento na Praça do Japão, o Culinária afetiva, junto com sua mulher, Daniele Kaiute (seu braço direito na cozinha e um ás dos doces). O próprio nome já diz: eles são especializados na comida que evoca lembranças boas, que traz os sabores reconfortantes da vivência de cada um. Funcionam no sistema “evento marcado no facebook”, mas também por encomenda. Eventualmente, rolam jantares com convidados que não se conhecem entre si, o que é sempre interessante. O cardápio pode ser italiano, francês, espanhol, brasileiro ou exótico, mas o resultado é sempre bom. Um dos sucessos de público e crítica do Culinária Afetiva é a Pancetta recheada com nozes e maçã, acompanhada de purê de feijão branco. Os jantares geralmente acontecem duas vezes por semana. Além disso, o rapaz é professor de cozinha brasileira e internacional na Opet, e dá aulas de panificação em casa. Os preços variam de R$ 65,00 a R$ 85,00, incluindo entrada, prato principal e sobremesa, e água. pode-se levar a sua própria bebida ou fazer a harmonização sugerida pelo chef (R$ 40,00 por pessoa).O fundamental é que todos estes são lugares com alma, este é o segredo… parabéns a todos, e “pra cima com a viga, moçada!”

Elaine Minhoca de Lemos é produtora de eventos, cerimonialista e cozinheira diletante. Escreve como colaboradora para os blogs Rêve de Mode e Curitiba Baixa Gastronomia.

 

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