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Entenda o Nomanomics

19 de março de 2016

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Conhecido por transformar destinos pela culinária, Nomanomics virou um fenômeno

Há dez anos, pouca gente pensava em viajar a Copenhague, capital da Dinamarca, para jantar. O mesmo acontecia com o Peru, que era mais conhecido pelas ruínas de Machu Picchu do que pelo ceviche. Hoje, ambos os destinos têm visibilidade internacional por causa da gastronomia e o impacto econômico disso vai muito além de restaurantes badalados e hotéis lotados.

O termo “Nomanomics”, criado da junção de Economics e Noma, o famoso restaurante dinamarquês, pelo jornalista Matt Goulding, dá nome a esse fenômeno de transformar destinos pela culinária. E os dinamarqueses que o digam, pois existe a vida a.N. e d.N. no país (antes de Noma e depois de Noma). Ao mesmo tempo, personalidades como o chef peruano Gastón Acurio ou o espanhol Ferran Adrià agregam valor aos seus países muito mais do que qualquer campanha oficial de investimentos ou promoção turística.

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O que mudou?

Hoje, em Copenhague, há mais restaurantes e bares, até porque o turismo vem crescendo 10% a cada ano. As pessoas têm saído mais de casa para comer. A qualidade dos produtos à venda nos mercados melhorou. Pequenos empreendedores abrem cafés e lojas de alimentos. A cidade investiu na transformação de antigos galpões em um grande mercado municipal à la Meatpacking de Nova York. Fazendeiros e agricultores criam bichos felizes e plantam vegetais orgânicos em parceria com os chefs. Até as ostras locais, que antes iam direto do fundo do mar para o exterior, agora ficam em casa para serem degustadas na capital. Há também uma febre de “foraging”, o ato de catar alimentos direto da natureza. Ainda não morreu ninguém envenenado por um cogumelo diferente, mas está cada vez mais difícil passear sozinho pelos bosques da Escandinávia sem encontrar hordas de gente colhendo frutos, musgo e até casca de árvore. O que o Noma faz vira febre na terra de Hamlet. O que faz desse movimento algo extremamente importante é que toda a cadeia de produção se beneficia, além de aumentar a demanda por serviços agregados como hotelaria, transporte, distribuição, promoção, decoração, arquitetura, etc. Quem acha que os prêmios de gastronomia e todo o fuzuê em torno de chefs celebridades e tomates orgânicos são meras futilidades, pense na Vila Medeiros, região relativamente simples da Zona Norte de São Paulo. Com o sucesso do restaurante Mocotó, do chef Rodrigo Oliveira, várias melhorias foram feitas no bairro, que agora atrai curiosos da zona mais rica da cidade a fim de provar delícias do Nordeste. O Acarajé da Inês e o Salsa, vizinhos ao Mocotó, estão felizes da vida.

O que faz desse movimento algo extremamente importante é que toda a cadeia de produção se beneficia, além de aumentar a demanda por serviços agregados como hotelaria, transporte, distribuição, promoção, decoração, arquitetura, etc.

Até mesmo La Paz, capital da Bolívia, antes invisível no mundo da alimentação, entrou para o turismo gastronômico depois que dois “ex-Noma” desembarcaram na cidade e abriram o restaurante Gustu. Há gente que voa para lá apenas para jantar no famoso restaurante e já se fala de uma minirrevolução boliviana. Foi-se o tempo do simples chá de coca. Agora em La Paz come-se carpaccio de jacaré do Pantanal (sim, a Bolívia também tem Pantanal) com melancia. Quem trabalha na cozinha do empreendimento (mulheres em sua maioria) sai dali e abre seu próprio restaurante e de grão em grão a lhama enche a barriga.

E o Paraná?

A passos pequenos, o Paraná também entra na onda. Cada vez que a chef curitibana Manu Buffara sai na capa de uma revista, é ponto para a cidade. Quem curte gastronomia passa a olhar para cá com olhos mais interessados. Alex Atala e Thomas Troisgros já vieram cozinhar com ela. Por isso vamos prestigiar nossos chefs, vamos frequentar restaurantes e fazer as críticas necessárias para que sejam cada vez melhores. Quem sabe não é o começo de um movimento maior, o de colocar Curitiba como capital gastronômica do Brasil? Se Copenhague pode, por que não nós?

Curiosidades

  • A Austrália investiu US$ 10 milhões em uma campanha global chamada “There is nothing like Australia”, que vende o país como destino turístico através de seus vinhos e sua culinária.
  • O site www.tastingspain.es promove o turismo gastronômico na Espanha através de receitas, dicas, entrevistas com chefs e muita informação. As parcerias público-privadas espanholas alavancam o turismo regional na península.
  • O pavilhão francês da Expo2015, em Milão, teve como tema a alimentação e a tradição francesa do terroir, simulando um grande mercado de alimentos com hortas e pomares.
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