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Chico Urban, o cara à frente do Grupo Pier do Victor

5 de maio de 2016

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O empresário revela como transformou uma pequena empresa familiar em um negócio que hoje emprega cerca de 200 pessoas

Para quem não sabe, o Victor, falecido em 2003, era pai da Janice e sogro do Chico (como ele é conhecido por aí). Foi ele quem começou essa história, lá em 1955, quando assumiu o bar de um conhecido lá na Rua Mateus Leme. De lá, ele foi para o endereço onde hoje fica o Bar do Victor. E, com muita simpatia, obsessão pela qualidade dos ingredientes e criatividade na criação das receitas, ele foi se apropriando do segmento de pesca dos na cidade. Em 1997, o Chico pediu para ajudar no restaurante. O sogro achou que não era hora. Dois anos mais tarde o genro finalmente entrou, transformando uma pequena empresa familiar de nove funcionários em um negócio que hoje emprega cerca de 200 pessoas.

Você é engenheiro civil. No que essa formação te ajuda?

A minha bagagem como engenheiro me ajuda muito. Quando entrei no Bar do Victor, a primeira coisa que fiz foi dar condições melhores de trabalho para a equipe: vestiários, instalações elétricas, padronização dos produtos… Trouxe o know-how de engenharia para o restaurante e a coisa fluiu. Em 2003, fiz uma reforma muito grande. A gente sempre fechava no carnaval (agora não fechamos mais) e resolvi fechar por 14 dias para reformar. Usei todo o meu arsenal de engenharia, todos os contatos e a experiência em planejamento de obra. Foi muito apertado e ninguém acreditava, só eu e meu tio. Eu não podia atrasar nenhum dia, porque tinha que faturar. Reabrimos no dia 14 de março de 2003 e a casa lotou.

Trouxe o know-how de engenharia para o restaurante e a coisa fluiu.

Em que momento você acredita que a marca Victor começou a fazer sucesso na cidade?

Acho que foi entre 2002 e 2007. Nessa época, muitas coisas aconteceram. Uma delas foi a reforma. A outra foi a entrada da Eva (chef). No começo a participação dela era pequena: ela vinha nas terças e quartas apenas para fazer uns pratos diferentes. De repente começou a fazer o jantar de terça a sábado e daí passou a ajudar no almoço do fim de semana. Essa soma me deu muito crédito, as pessoas começaram a frequentar mais o Bar do Victor. Daí veio a oportunidade de abrir a Petiscaria do Victor, em 2007. Um amigo meu de infância topou entrar no projeto – porque eu não me imaginava tocando um restaurante em Santa Felicidade – e ele assumiu lá. Daí ganhei mais força.

E o Bistrô, como surgiu?

Recebi o convite e começamos a negociar. Papo vai, papo vem, eu não queria, mas queria… Os argumentos foram convincentes e acabei topando. Foi um grande aprendizado, pois eu tive um nível de planejamento financeiro muito legal, foi a primeira vez que tive um sócio nesse formato, de ter que vender uma participação. O Roberto Almeida foi o primeiro a aceitar, ele comprou 11% e os outros sócios foram o Carlos e a Rosita Rischbieter, mãe do Roberto. O Roberto faleceu e o Marcelo Almeida comprou a parte dele.

E como foi essa experiência, de em pouco tempo ter três restaurantes abertos em Curitiba?

No começo foi bem difícil, porque o público se dividiu. De repente, o Bar do Victor que vinha muito forte, muito robusto, perdeu cerca de 20% da clientela. Ainda hoje está pesado e a minha capacidade de investimento lá diminuiu muito. Então decido que não queria abrir mais nada, até porque a abertura no ParkShoppingBarigüi foi complicada.

Complicada em que sentido?

Tinha um volume muito grande de gente. Não foi fácil pra ninguém, todos os restaurantes do Park Gourmet passaram por momentos complicados no começo. Apanhamos muito dos clientes. A demanda foi muito grande e não estávamos preparados para atendê-los. A gente explicava, mas o cliente, depois que se sente ultrajado, não dá espaço para um diálogo. Ele fica muito brabo com você e é difícil, porque a gente quer fazer o melhor. Ninguém quer errar.

Mesmo assim você abriu um restaurante em outro shopping. Como surgiu a ideia do fish’n’chips?

O pessoal do Shopping Mueller veio me procurar para fazer um Bar do Victor. Eu falei que não iria fazer, mas eles aceitaram que eu fizesse com outro nome. Comecei a pensar em Victor Fish and Grill, mas todo mundo achou que remetia à carne. Como fish’n’chips já era um dos pratos do cardápio e eu sempre fui apaixonado pela Inglaterra, me veio a ideia. O projeto evoluiu muito rápido e está indo muito bem, por isso penso em fazer novas lojas próprias neste formato.

Foi mais ou menos na época em que você começou com o projeto da trattoria, certo?

Exatamente. Eu faço parte de uma confraria, onde tomamos grandes vinhos, que é uma das minhas grandes paixões. No começo acontecia sempre no Boulevard. Depois viramos itinerantes e, nessas andanças, comecei a frequentar o DOP Cucina e fiquei bem amigo do Paulino. Começamos a sonhar com a Trattoria, mas não tinha o ponto ainda. Vi um monte de lugares, até que um amigo meu falou do terreno da Praça da Espanha. Acabou dando certo. Tem uma frase do Paulino que define bem o resulta do: “A realidade ficou maior que o sonho”, porque nem a gente imaginava que ia ficar tão bacana.

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Como é trabalhar com o pescado?

Pescado é muito difícil. No tempo em que trabalhei com o seu Victor, eu recebia todos os peixeiros, tudo passava pela minha mão, então fiz um network muito interessante. Acho que por eu valorizar tanto o pescado, por preferir comprar o mais caro, sempre tive os melhores produtos da cidade. E daí o público começou a identificar e valorizar isso. E por ser difícil essa compra de pescados, os concorrentes deixaram de ocupar espaços e eu fui criando raízes nesse campo. Depois disso virou uma coisa estratégica, virou um conceito de marca. Mas tem um problema grave que é o estoque de pescados no mar, que está muito pequeno em função da pesca predatória. Antigamente eu me dava ao luxo de comprar só filés de 400 gramas, hoje eu tenho que comprar vários tamanhos e emendar os pedaços.

Acho que por eu valorizar tanto o pescado, por preferir comprar o mais caro, sempre tive os melhores produtos da cidade.

Como é o seu dia a dia de trabalho?

É na administração, cuidando das pessoas e das compras, que é um gargalo tremendo. O comandante Rolin dizia que a melhor maneira de ganhar dinheiro é deixar de perder. E tenho que estar perto do cliente. Eu não sou daqueles que sabe quem é todo mundo, tem assunto com todo mundo. Quando eu conheço a pessoa, sento na mesa e fico horas conversando, mas pra chegar nisso eu sou bem retraído. Eu demoro para ir falar.

E quando alguém faz alguma reclamação, como você lida com a crítica?

Eu ponho a armadura e vou, mas é um sufoco. Não tenho jogo de cintura pra isso, até porque sempre quis fazer o melhor, então é difícil lidar com a crítica. Mas aprendi muito, hoje a crítica pra mim é muito suave, não me agride mais tanto quanto antes.

A sua presença é importante para os clientes?

Sim, tanto para os clientes quanto para a equipe. Os clientes se sentem mais confortáveis e a equipe trabalha melhor.

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Como é trabalhar com gestão de pessoas?

É uma missão de longo prazo e o partner (gosto de chamar assim) não tem uma visão de longo prazo. Agora que eu comecei a entender melhor isso: é que nem o náufrago, tem a hora de ele passar a arrebentação. E o primeiro ano do partner é a arrebentação. Nessa fase ele ainda não acredita na empresa, não acredita nos colegas, ele não viveu aquilo ainda. E depois que passa esse período, ele começa a brigar pela casa. Antes disso, ele fala que vai sair por qualquer coisa. Daí tem que segurar, fazer carinho, dar atenção e fazer o que for possível, dentro de certos limites, para tentar reter as pessoas nas quais você acredita. Temos gente que está aqui há 30 anos. Com mais de 7 anos de casa tem aos montes. Isso é muito bacana, muito positivo. Eu sempre soube conversar, ouvir. Tem gente que acha que sou muito teimoso, mas acho que sou persistente. Aceito mudar de ideia, mas tem que ter bons argumentos para me convencer.

Eu sempre soube conversar, ouvir. Tem gente que acha que sou muito teimoso, mas acho que sou persistente.

Tem algum cliente em especial que você ouve mais, que é um conselheiro?

Tinha o Carlos Rischbieter. E aprendo muito com o Guilherme Rodrigues, que é uma referência de gastronomia e vinhos. Ele entende muito, cozinha e valoriza muito a comida.

Entrevista publicada na Revista Tutano em novembro de 2013.
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