Eu não participo

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Foto: Nuno Papp

Quem faz o preço é o mercado. Não sou eu. É a lei da oferta e da procura. Um restaurante quando faz seu preço busca um posicionamento, um nicho de mercado. Ao fazê-lo, sabe o risco que corre. Uma das equações mais difíceis pra um dono de restaurante é acertar um preço que motive o cliente a voltar.

Detalhe: esse preço tem que cobrir custos de operação. Tanto preço alto quanto preço baixo são arriscados,um pode manter a casa cheia dando prejuízos e outro pode manter a casa vazia, também dando prejuízos. É importante saber, porém, que ser caro demais ou barato demais não mede a honestidade de um restaurante.

Honestidade se mede nas obrigações do dia a dia, no pagamento de fornecedores e salários, na responsabilidade com os direitos trabalhistas, etc. É assustador o número de restaurantes que fecharam as portas nos últimos anos, sem falar da infinidade dos que lutam apenas para se manterem abertos. Paralelamente pipocam festivais, compras coletivas, clubes de desconto –  promoção o ano inteiro, de janeiro a dezembro.

É assustador o número de restaurantes que fecharam as portas nos últimos anos, sem falar da infinidade dos que lutam apenas para se manterem abertos.

Clientes deixaram de ser clientes dos restaurantes e passaram a ser clientes dos descontos. “Só vou onde tem desconto”, dizem. Agora pergunto: você gostaria que seu restaurante favorito comprasse os produtos apenas quando estão em promoção?  Pois é o que logo vai acontecer. De tanto lutar por preço e não por qualidade, clientes forçam restaurantes a fazer o mesmo. Quero que nossos clientes saibam dar valor ao que realmente tem valor. E não sou só eu. A maioria pensa assim. Só que agora são reféns.

3 COMENTÁRIOS

  1. Não tem segredo… Preço + prazo + qualidade caminham juntos… sacrifique um deles que outros irão sofrer… simples assim !!!

  2. Existe uma diferença entre serviços de companhia aérea e telefonia, por exemplo. Eles não oferecem diferencias relevantes em produto ou serviço e acabam competindo por preço – por isso os programas de milhagens bem sucedidos. Restaurantes, hotéis etc oferecem serviços e produtos completamente diferentes, e o preço (que deve ser competitivo, claro) não pode ser o único diferencial, ou teríamos todos servindo a mesma coisa, com o mesmo serviço, cobrando tudo igual, assim como telefônicas e companhias aéreas. Essa liberdade de mercado é justamente o que ativa a criatividade de quem empreende, de quem cozinha e de quem serve, porque não é um mercado regulamentado por preço e por lei. Assim todos ganham.

  3. Que pena! A única maneira de um dia eu poder pisar no seu restaurante seria num festival. Faço parte daquele grupo, que “sabe o que é bom, mas não pode pagar pelo que é bom”. Isso é o Brasil!

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