Fórum Tutano 2019 – um marco gastrohistórico

0
490

Dez de setembro de 2019. Essa data deveria ser feriado nacional, só pra gente brindar o que rolou no Fórum Tutano 2019. O dia que a galera da gastronomia se abraçou de verdade. Um abraço entre chef e empresário, entre fornecedor e empreendedor, entre mestre e estudante. O dia que um evento de conteúdo foi além do auditório. Se tornou um movimento para repensar a gastronomia.

Uma selfie para fazer inveja a qualquer Ellen. Foto: Halison Antenor.

Foram 48 horas, 1100 pessoas, 150kg de porco moura assado na brasa e mais de 3500 polentas servidas. A verdade é que os números pouco importam. O que valeu foi o baita aprendizado e a união de uma galera linda em torno da mesma paixão. Não trocamos receitas, nem pedimos autógrafos. O Fórum veio pra trocar ideias.

Seis painéis, seis pockets, 800 cérebros revirados

O conteúdo do Fórum se dividiu entre painéis, com três palestrantes e um mediador cada, e pockets, curtas apresentações de 20 minutos. Total: mais de 30 profissionais com um conteúdo que deixou gostinho de quero (muito) mais.

Se não fosse pelo Beto, nada disso teria acontecido. Valeu, pequeno grande guri. Foto Halison Antenor

Falamos de negócio, expansão e franquias. Do momento certo de crescer e da habilidade de Daniel Wolff, do Mestre Cervejeiro; Patrícia Lion, da Tasty Salad Shop e José Netto, do Mr Hoppy e Porks em multiplicar suas lojas como Gremlins.

Aprendemos o conceito de tendências e vimos, com a Carolina Sass de Haro, da Mapie Consultoria, o que vem por aí em 2020.

Ouvimos histórias de alma e coração. Aplaudimos Marcelo Amaral, do Lagundri, pra quem “tentar agradar todo mundo é carimbar seu ticket direto para o inferno”.  Tivemos spoiler de um novo bar da Ieda Godoy, descobrimos que Keiji Mitsunari quase virou advogado e que os cozinheiros do Délio Canabrava cozinham melhor que ele. E que, apesar e por causa de tudo isso, esses quatro manjam muito do que é ter um negócio com alma. 

Ficamos de coração apertado com a história de Myria Tokmaji, imigrante síria, que saiu do seu país mas não se afastou da sua cultura. O que a guerra separou, a gastronomia une.  

Escutamos os dramas e angústias dos filhos do dono, que assumiram e tocam negócios de família. Fernanda Correa, Marcelo Empinotti, Dirceu e Vanessa Karpinski e Beto Madalosso aproveitaram para confessar que nem sempre conseguem impor suas ideias, e como é difícil a tarefa de equilibrar tradição e inovação. 

Refletimos. O que está no nosso prato e o que é nossa responsabilidade. João Ferraz, da Casa do Carbonara, fez muita gente por a mão na consciência: “temos que pensar no lixo  que produzimos. Mas, acima de tudo, temos que pensar no lixo que consumimos também”. 

Vibramos com as histórias de três mulheres fodásticas que deixaram suas carreiras para trás e investiram na na gastronomia. Georgia Franco, do Lucca Cafés Especiais, veio da engenharia. Vaneska Berçani, do Velho Oriente, abandonou o Direito. E Jana Santos, do Cosmos G/astrobar, deixou pra trás a publicidade. Chutaram o balde e bateram no peito:“Você tem que saber o que quer sim, mas tem que saber se impor. Cansei de receber fornecedor querendo falar com o dono. Eu sou a dona. Eu que mando nisso tudo aqui”, bravou Jana.

Arrepiamos com a Neli Pereira. Uma coqueteleira pesquisadora de ervas, raízes e plantas, dona do Espaço Zebra, e que deu uma aula de de brasilidade: “ninguém chega no boteco da esquina pedindo um ‘docinho’. É jurubeba, é catuaba, é arruda. E eu tô aqui pra falar tudo isso. E pra falar que catuaba é uma planta, não uma garrafa que você compra no mercado”. Babamos.

 

Marcelo Correa, Manu Buffara, Bibiana Schneider e Luiz Mileck no painel Comida Daqui – foto Halison Antenor

Piramos. Com a fala da Manu Buffara: “a gente tem que fomentar a gastronomia local passando informação e educação. Não adianta você ter um fornecedor que te passa um rabanete orgânico lindo se você não se importa com o que esse cara come.” Respiramos. Bibiana Schneider contou como seu faz seu chocolate ser daqui, mesmo trazendo o cacau lá de Salvador. Sim, é possível. E suspiramos, com as histórias de Marcelo Correa, do Jiquitaia, suas inspirações e seu novo livro A Culinária Caipira da Paulistânia. 

Abrimos um sorriso largo com o projeto da catarinense Lidi Barbosa, e sua busca de levar comida mais saudável para as escolas. Afinal, é de pequeno que se aprende.

Coçamos a cabeça. Rafael Andreguetto, da Paraná Turismo, João Ferraz, da Casa do Carbonara e Bernardo Fadel, Porco Moura, atiçaram o debate. Afinal, de quem é a responsabilidade de fomentar gastronomia, turismo e sustentabilidade? João Ferraz cutucou: “a iniciativa privada tem que fazer as coisas. Só que ela faz bem pra si mesmo. É o Estado que tem a obrigação de fazer o bem pra todo mundo”. Concorda?

Chef Rodrigo Bellora distribui cenouras com recém colhidas. Foto: Halison Antenor

Instagramamos. Muito. Rodrigo Bellora falou de cozinha de natureza, e distribui cenouras tiradas da terra para todo mundo. Foi, claro, a cenoura mais instagramada da face da terra. “olhamos para algo cheio de terra e achamos que está sujo. Olhamos algo limpinho no supermercado e comemos, sem sequer saber de onde veio”. Vráaa.

Behind the scenes

Ah, Fórum Tutano que é Fórum Tutano tem que sair do script. E esse ano não foi diferente. Teve sorteios de kits irados da Stampa, Sal Diana, panos descolados da Pano Urbano, canecas e camisetas com frases by Beto Madalosso. Teve momento Roberto Carlos (são muitas emoções) com uma declaração de amor especial do Fernandinho para o Beto. Teve dona Flora Madalosso, com 54 anos de trabalho dedicado ao restaurante, falando que a gente deve seguir em frente. Teve a 22ª edição da Revista Tutano, pra guardar na coleção, feita pela galera da Pulp – que arrasou no conteúdo de todo o Fórum. Teve as lindas da Nazdarovia Eventos, cuidando de cada detalhe, do começo ao fim. Teve a festa, que festa, com Sr Banana e Hilbilly Rawhide.

E tudo terminou em.. FESTA. Foto: Halison Antenor

E teve um strip tease anunciando uma nova camiseta: Who The Fuck is Beto Madalosso? Quem viu, viu.

Who? Who? Foto: Halison Antenor

Prefácio: começamos com café, terminamos com fogo de chão

Esse ano saímos da casinha. Literalmente. Fomos além do Madalosso, com dois eventos que rolaram na segunda-feira, dia 9/9: a Expedição Tutano e o Jantar Tutano + Porcadeiros. O que começou com um tour, terminou com, claro, festa!

Expedição Tutano – os bastidores de Curitiba

Um busão, mais de 30 pessoas, 5 visitas e muita história. Nosso tour começou no Lucca Café Especiais, com direito a café da manhã e aula de cupping, com a expert Georgia Franco. Próxima parada: Hortas Urbanas, um projeto da Prefeitura de Curitiba que incentiva as pessoas a fazerem bom uso do solo. Não, espera. As pessoas não, cem famílias que plantam, colhem, consomem e vendem o que a terra dá. Lindo.Seguimos para O Locavorista, num almoço preparado pela turma de Luiz Mileck com ingredientes paranaense. Teve moqueca de tilápia e de banana da terra. E teve sobremesa com farinha de uva. Pra fazer uma boa digestão, nada melhor que uma boa cerveja. Fomos dar um oi para Samuel Cavalcanti, que nos apresentou cada pedacinho da Bodebrown: da loja à escola, passando pela fábrica e com direito a uma bera no final. Cheers. Pra fechar não poderia faltar, claro, uma visita ao maior restaurante da América Latina – o Madalosso. Ouvimos a história do menino Beto que cresceu ali, as aventuras de tentar revolucionar a empresa e o aprendizado com seu pai. Conhecemos a baita cozinha – e ficamos com inveja da máquina de lavar louça. Um espetáculo.

Nosso guia e a devida plaquinha. Foto: Halison Antenor


Fogo de chão, viola e comida rústica

O que a gente faz na noite anterior ao Fórum Tutano? Inventa moda, claro! Reunimos nove chefs mais que especiais, comandados por Rosane Radecki, do Porcadeiros, pra preparar um jantar caipira. Com direito a 150kg de porco moura assado no fogo de chão e uma mesa de queijos e pães incrível. Olha só quem eram os artistas por trás dessa festa: Eva dos Santos – Bar do Victor; René Seifert e Vanessa Seifert– Pão da Casa (Palmeira-PR), Flavia Rogoski – Bon Vivant; Rodrigo Bellora – Restaurante Valle Rústico; Marcelo Correa – Restaurante Jequitaia; Wellington Almeida e Beto Madalosso – Forneria Copacabana.

Muita comida boa no Jantar Tutano + Porcadeiros. Foto Ale Carnieri

E teve até show do Beto, cantando música sertaneja, ao som de viola caipira. Êta gostinho de quero mais. Foi lindo, foi épico. Que venha 2010, já estamos nos preparando para arrasar de novo! 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Enviar comentário
Seu nome