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Hi-lo, da moda para a gastronomia

10 de março de 2016

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O hi-lo se traduz também em tendências na gastronomia

Quando o assunto é moda, o conceito hi-lo é muito conhecido. Trata-se de misturar, no mesmo visual, peças de marcas caras com outras mais baratas. Uma camiseta Hering com uma cashmere da Prada, um cinto da Renner com um jeans da Forum. A tendência é global e não se aplica somente à moda. No caso da gastronomia, o hi-lo se traduz em várias microtendências como hot dogs gourmet, alta gastronomia com ingredientes inusitados ou empreendimentos informais de chefs estrelados.

Assim como a moda, a culinária é algo bastante presente em jornais, revistas, blogs e conversas de bar, ou seja, está na moda. No lugar dos famosos estilistas, entram os chefs, que constroem suas marcas através de prêmios, festivais, crítica positiva e presença constante na mídia. E assim como existem as listas de espera para uma bolsa de couro caríssima Birkin, da Hermès, é preciso reservar com antecedência para comer no premiado restaurante paulistano D.O.M., do chef Alex Atala. Só que há também a possibilidade de comprar um perfume da Hermès no free shop e de comer a galinhada de Atala em uma feira gastronômica, a R$ 15.

Em 2003, o então “melhor chef do mundo”, o francês Joel Robuchon, criticou abertamente o Guia Michelin, dizendo que a bíblia da crítica gastronômica estava corrompida e parada no tempo. Mais atenção deveria ser dada à qualidade dos ingredientes e às técnicas do chef do que aos talheres de prata, às toalhas de mesa engomadas e aos lustres de cristal dos restaurantes. Ou seja, deveria ser possível ganhar três estrelas Michelin sem pompa. Passada mais de uma década, Robuchon é o chef mais premiado do mundo, com 28 estrelas Michelin no total, sendo que a maioria vem de seus Ateliers, restaurantes informais presentes em várias cidades mundo, que têm entre uma e duas estrelas cada um.

Por outro lado, há os chefs que dispensaram os filés Chateaubriand e as sauces Bérnaises para elevar os ingredientes básicos de suas regiões ao status de alta gastronomia, como Alex Atala, no Brasil, Gastón Acurio, no Peru, e Enrique Olvera, no México. Um dos melhores restaurantes da atualidade, o Noma, na Dinamarca, segue esse preceito. No Rio de Janeiro, o jovem Felipe Bronze criou um restaurante muito bacana que tem um cardápio bem brasileiro, o Oro. Tapioca, feijão, pupunha e mocotó são preparados à la nouvelle cuisine. Não é porque os ingredientes são básicos e o ambiente informal que a qualidade é inferior e os preços populares. O menu degustação, de quatro “cursos” e uma sobremesa, sai por R$ 180 por pessoa.

Já Thomas Troisgros, que trabalha com Claude, seu pai, no famoso restaurante Olympe, também no Rio, criou a hamburgueria T.T. Burger, em parceria com a marca de roupas Reserva. O cardápio não poderia ser mais simples: hambúrguer (apenas um tipo) e fritas. Só que tanto o pão quanto a carne servi- dos por ele são superespeciais, o que transforma o prato em sanduíche-gourmet. O ketchup, com goiaba e molho barbecue, é outro detalhe simples de dar água na boca. Preço do quitute: R$ 25. Em São Paulo, a grife Fasano apostou em baixar os preços médios dos pratos no seu novo restaurante, a Trattoria Fasano. A assinatura garante a qualidade da comida que, por sua vez, está menos sofisticada, mas mantém a inspiração italiana e a parceria imbatível com o arquiteto Isay Weinfeld no projeto.

Para quem curte comer bem, o hi-lo está tornando o mundo cada vez mais interessante. Seja no Rio, São Paulo ou Hong Kong, bons restaurantes deixaram de ser exclusivamente os caros. Além disso, as novas culinárias são cada vez mais comuns, principalmente as locais, afinal, quando em Roma…

Quer conferir nossa listinha para comer bem no estilo hi-lo? Clique aqui.

 

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